<?xml 
version="1.0" encoding="utf-8"?><?xml-stylesheet title="XSL formatting" type="text/xsl" href="https://estrategiainternacional.org/spip.php?page=backend.xslt" ?>
<rss version="2.0" 
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
>

<channel xml:lang="es">
	<title> Fracci&#243;n Trotskista Cuarta Internacional </title>
	<link>http://www.ft-ci.org/</link>
	<description></description>
	<language>es</language>
	<generator>SPIP - www.spip.net</generator>
	<atom:link href="https://estrategiainternacional.org/spip.php?id_auteur=205&amp;page=backend" rel="self" type="application/rss+xml" />




<item xml:lang="pt_br">
		<title>O acordo nuclear traz um novo &#8216;paradigma geopol&#237;tico' para o Oriente M&#233;dio?</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/O-acordo-nuclear-traz-um-novo-paradigma-geopolitico-para-o-Oriente-Medio</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/O-acordo-nuclear-traz-um-novo-paradigma-geopolitico-para-o-Oriente-Medio</guid>
		<dc:date>2016-01-19T08:11:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Medio Oriente</dc:subject>
		<dc:subject>EE.UU.</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject>Mundo &#193;rabe</dc:subject>
		<dc:subject>Estados Unidos</dc:subject>
		<dc:subject>Ir&#225;n</dc:subject>
		<dc:subject> MRT (Movimento Revolucion&#225;rio de Trabalhadores) do Brasil </dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Os sauditas teme o degelo entre Teer&#227; e Washington e o regresso pleno do Ir&#227; aos mercados internacionais, j&#225; que potencial financeiro de um Ir&#227; sem san&#231;&#245;es e reintegrado &#224; economia mundial faz os sauditas temerem a amplia&#231;&#227;o da sua influ&#234;ncia em todo o Oriente M&#233;dio. O acordo nuclear traz um novo &#8216;paradigma geopol&#237;tico' para o Oriente M&#233;dio?&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Medio-Oriente" rel="tag"&gt;Medio Oriente&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/EE-UU-5" rel="tag"&gt;EE.UU.&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Mundo-Arabe" rel="tag"&gt;Mundo &#193;rabe&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estados-Unidos-184" rel="tag"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Iran" rel="tag"&gt;Ir&#225;n&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/http-www-ft-ci-org-Movimento-Revolucionario-de-Trabalhadores-306" rel="tag"&gt; MRT (Movimento Revolucion&#225;rio de Trabalhadores) do Brasil &lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH84/arton9279-f675c.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='84' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Os sauditas teme o degelo entre Teer&#227; e Washington e o regresso pleno do Ir&#227; aos mercados internacionais, j&#225; que potencial financeiro de um Ir&#227; sem san&#231;&#245;es e reintegrado &#224; economia mundial faz os sauditas temerem a amplia&#231;&#227;o da sua influ&#234;ncia em todo o Oriente M&#233;dio. O acordo nuclear traz um novo &#8216;paradigma geopol&#237;tico' para o Oriente M&#233;dio?&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O presidente do Ir&#227;, Hasan Rohani, descreveu neste domingo o acordo nuclear com o Ocidente como uma &#8220;vit&#243;ria pol&#237;tica&#8221; do seu pa&#237;s. Em tom triunfal, na primeira rea&#231;&#227;o ap&#243;s a suspens&#227;o das san&#231;&#245;es internacionais, o mandat&#225;rio declarou ao Parlamento que o acordo &#8220;abre um novo cap&#237;tulo&#8221; na hist&#243;ria do pa&#237;s e marca um momento decisivo para a economia. Rohani admitiu que Teer&#227; precisar&#225; atrair pelo menos 30 bilh&#245;es de d&#243;lares (121,4 bilh&#245;es de reais) em investimentos estrangeiros diretos nos pr&#243;ximos cinco anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8220;Necessitamos de capital e tecnologia. Nosso pa&#237;s &#233; suficientemente est&#225;vel para atrair os investidores estrangeiros e est&#225; preparado para receb&#234;-los&#8221;, afirmou, mencionando tamb&#233;m que representantes de 140 empresas de 50 pa&#237;ses j&#225; visitaram o Ir&#227; para avaliar poss&#237;veis investimentos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Estado de Israel e principalmente a Ar&#225;bia Saudita s&#227;o os grandes perdedores deste acordo, e inflamaram discursos contra sua execu&#231;&#227;o. &#8220;A pol&#237;tica israelense foi e continuar&#225; sendo a mesma: n&#227;o permitir que o Ir&#227; obtenha armas nucleares&#034;, afirmou Netanyahu neste domingo. Para al&#233;m da rivalidade regional entre sauditas e iranianos, a Ar&#225;bia veio dando mostras seguidas de insatisfa&#231;&#227;o com os entendimentos entre Obama e Rohani, com incidentes que foram desde o massacre em Meca no qual morreram quase 2.500 peregrinos, sendo 464 iranianos, a guerra do I&#234;men e a recente execu&#231;&#227;o do cl&#233;rigo xi&#237;ta dissidente Nimr al Nimr.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os sauditas temem o degelo entre Teer&#227; e Washington e o regresso pleno do Ir&#227; aos mercados internacionais, j&#225; que esse pa&#237;s tem a quarta maior reserva de petr&#243;leo do mundo e a segunda maior de g&#225;s. O potencial financeiro de um Ir&#227; sem san&#231;&#245;es e reintegrado &#224; economia mundial faz os sauditas temerem a amplia&#231;&#227;o da sua influ&#234;ncia em todo o Oriente M&#233;dio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diplomacia e neg&#243;cios&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;V&#225;rias companhias alem&#227;s e outros monop&#243;lios europeus figuravam entre os interessados em fazer neg&#243;cios com Teer&#227;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Daimler disse que sua divis&#227;o de caminh&#245;es havia demonstrado interesse em reiniciar contratos com o Ir&#227;, para quem vendeu em m&#233;dia 10.000 ve&#237;culos por ano at&#233; 2010. Herrenknecht, companhia alem&#227; respons&#225;vel pela constru&#231;&#227;o do metr&#244; de Teer&#227; na d&#233;cada de 1990, se pronunciou esperando que o governo abrisse novamente licita&#231;&#245;es de novos projetos. O banco de investimento alem&#227;o Commerzbank anunciou que estava analisando a possibilidade de regressar ao Ir&#227;, menos de um ano depois de acordar o pagamento de 1,4 bilh&#227;o de d&#243;lares aos Estados Unidos por viola&#231;&#245;es a san&#231;&#245;es em parte vinculadas ao pa&#237;s. Enquanto isso, a companhia de avia&#231;&#227;o brit&#226;nica British Airways comentou que esperava come&#231;ar a &#8220;voar para Teer&#227; num futuro pr&#243;ximo&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A R&#250;ssia, parte dos membros que participou do acordo nuclear, anunciou que planeja a venda de avi&#245;es militares ao Ir&#227; e incrementar&#225; a exporta&#231;&#227;o de gr&#227;os. At&#233; mesmo o &#8220;novo Eldorado&#8221; para o imperialismo, a &#205;ndia, atrav&#233;s da companhia nacional de alum&#237;nio NALCO, disse que enviaria uma equipe de especialistas ao Ir&#227; para explorar o estabelecimento de uma nova fundidora no valor de 2 bilh&#245;es de d&#243;lares, aproveitando os baixos pre&#231;os do g&#225;s natural (o Ir&#227; possui a segunda maior reserva mundial de g&#225;s).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partilha dos setores econ&#244;micos nacionais entre os monop&#243;lios estrangeiros conv&#233;m ao reacion&#225;rio regime iraniano para que assuma uma nova posi&#231;&#227;o de destaque no Oriente M&#233;dio, j&#225; que apesar das rusgas com os Estados Unidos, desde o estouro da primavera &#225;rabe e posteriormente com o surgimento do Estado Isl&#226;mico vem estabelecendo maior rela&#231;&#227;o de coopera&#231;&#227;o com Washington e alterando significativamente a balan&#231;a regional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um novo &#8220;paradigma geopol&#237;tico&#8221; no Oriente M&#233;dio?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As mudan&#231;as trazidas com o fim das san&#231;&#245;es ao Ir&#227; tocam todo o Oriente M&#233;dio e podem significar um &#034;novo paradigma&#034; na regi&#227;o, principalmente na j&#225; fragilizada alian&#231;a entre EUA e Ar&#225;bia Saudita, que vem desde a Segunda Guerra Mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Ir&#227; saiu bastante beneficiado do acordo nuclear com Obama, que permitir&#225; a entrada de bilh&#245;es no pa&#237;s e aumentar&#225; a cota no mercado mundial do petr&#243;leo (Shell, Total e ENI est&#227;o &#224; frente de 137 empresas petrol&#237;feras que j&#225; negociam com o Ir&#227;). Imediatamente depois do acordo, o governo emitiu comunicado para que se aumentasse a produ&#231;&#227;o iraniana em 500 mil barris di&#225;rios. Esta meta &#233; de dif&#237;cil execu&#231;&#227;o sem uma reorganiza&#231;&#227;o da classe oper&#225;ria de toda a regi&#227;o para esse parque industrial inativo h&#225; d&#233;cadas, e mesmo se conseguirem, esse montante di&#225;rio vai acrescentar diretamente o excedente de barris, j&#225; que a previs&#227;o de excedente di&#225;rio na produ&#231;&#227;o petrol&#237;fera em 2016 &#233; estimada em 580 mil barris/dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contraditoriamente, esta maior participa&#231;&#227;o acelerar&#225; a queda dos pre&#231;os j&#225; historicamente baixos do petr&#243;leo, e com a desacelera&#231;&#227;o chinesa o Ir&#227; passar&#225; longe de um novo superciclo das commodities. Dificilmente representar&#225; um &#034;novo respiro&#034; para a economia mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas o Ir&#227; n&#227;o se beneficiou (de um ponto de vista burgu&#234;s) apenas nesse acordo, mas relativamente desde 2001: as interven&#231;&#245;es ianques no Afeganist&#227;o (2001) e no Iraque (2003), a primavera &#225;rabe e o acordo nuclear fortaleceram a posi&#231;&#227;o do Ir&#227; contra a Ar&#225;bia Saudita, em franca decad&#234;ncia econ&#244;mica pela queda nos pre&#231;os do petr&#243;leo (80% da receita nacional depende do petr&#243;leo), estando obrigada a fazer reformas econ&#244;micas como a venda da empresa mais lucrativa do mundo, Aramco (petr&#243;leo saudita) e a fissuras diplom&#225;ticas com Obama pelo financiamento de organiza&#231;&#245;es jihadistas sunitas e a interven&#231;&#227;o militar no I&#234;men.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O surgimento do Estado Isl&#226;mico foi um &#034;divisor de &#225;guas&#034; para que os Estados Unidos se utilizassem do apoio militar iraniano com tropas terrestres e mil&#237;cias, e fossem obrigados a destravar a economia desse regime, tanto para buscar uma estabiliza&#231;&#227;o contrarrevolucion&#225;ria no Oriente M&#233;dio quanto para opor obst&#225;culos ao desenvolvimento da influ&#234;ncia chinesa na &#193;sia (a China busca empreender um mega projeto para escoar o excedente de cimento e a&#231;o no pa&#237;s - a &#034;Nova Rota da Seda&#034;, que liga a &#193;sia, R&#250;ssia e Europa por terra e &#225;gua).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Ar&#225;bia Saudita n&#227;o parece querer ficar calada durante este processo de decad&#234;ncia. Est&#227;o mudando sua pol&#237;tica externa, de menos participa&#231;&#227;o internacional para mais intervencionismo (criou-se uma nova for&#231;a de choque sunita para combater os xi&#237;tas na regi&#227;o, Jaish al Fatah) e os servi&#231;os de intelig&#234;ncia imperialistas est&#227;o produzindo relat&#243;rios sobre o papel crescentemente desestabilizador dos sauditas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para al&#233;m desta hist&#243;rica mudan&#231;a de rela&#231;&#227;o, ambas as pot&#234;ncias regionais est&#227;o obrigadas pela crise econ&#244;mica a modernizar seu parque industrial e acelerar a diferencia&#231;&#227;o entre as classes sociais, aproximando sua estrutura de classes de pa&#237;ses mais industrializados como o Egito, dando &#224; classe trabalhadora um novo peso numa eventual explos&#227;o da luta de classes fruto das contradi&#231;&#245;es exacerbadas pela derrota da primavera &#225;rabe.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>O impasse hegem&#244;nico de Pablo Iglesias</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/O-impasse-hegemonico-de-Pablo-Iglesias</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/O-impasse-hegemonico-de-Pablo-Iglesias</guid>
		<dc:date>2015-05-08T09:49:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Teor&#237;a</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#233;mica</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>Crisis en el Estado espa&#241;ol</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>
		<dc:subject> MRT (Movimento Revolucion&#225;rio de Trabalhadores) do Brasil </dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;O artigo de Pablo Iglesias no portal Publico.es &#8220;Guerra de trincheiras e estrat&#233;gia eleitoral&#8221; &#233; uma fun&#231;&#227;o da crise atravessada pelo Podemos a alguns meses das elei&#231;&#245;es. O impasse hegem&#244;nico de Pablo Iglesias&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fruto dos discursos cada vez mais &#8220;nem de esquerda nem de direita&#8221; promovidos por Iglesias na tentativa de conquistar um eleitorado &#227; direita, a queda nas pesquisas (diante do &#8220;Ciudadanos&#8221;, forma&#231;&#227;o da direita liberal) e as elei&#231;&#245;es em Andaluzia mostraram um limite ao &#8220;momento populista&#8221; do fen&#244;meno Podemos. Na &#250;ltima semana, a ren&#250;ncia da dire&#231;&#227;o do co-fundador da organiza&#231;&#227;o junto a Iglesias, Juan Carlos Monedero, (dizendo-se &#8220;desapontado e tra&#237;do pela partidocracia&#8221;, depois de ser acusado de receber 425 mil euros por servi&#231;os de assessoria aos governos da Venezuela e do Equador) incrementou a crise entre Pablo Iglesias e seu &#8220;n&#250;mero dois&#8221;, da ala centro, I&#241;igo Errej&#243;n.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Teoria" rel="tag"&gt;Teor&#237;a&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Polemica" rel="tag"&gt;Pol&#233;mica&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Crisis-en-el-Estado-espanol" rel="tag"&gt;Crisis en el Estado espa&#241;ol&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/http-www-ft-ci-org-Movimento-Revolucionario-de-Trabalhadores-306" rel="tag"&gt; MRT (Movimento Revolucion&#225;rio de Trabalhadores) do Brasil &lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH85/arton9060-5dd8a.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='85' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;O artigo de Pablo Iglesias no portal Publico.es &#8220;Guerra de trincheiras e estrat&#233;gia eleitoral&#8221; &#233; uma fun&#231;&#227;o da crise atravessada pelo Podemos a alguns meses das elei&#231;&#245;es. O impasse hegem&#244;nico de Pablo Iglesias &lt;br class='autobr' /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fruto dos discursos cada vez mais &#8220;nem de esquerda nem de direita&#8221; promovidos por Iglesias na tentativa de conquistar um eleitorado &#227; direita, a queda nas pesquisas (diante do &#8220;Ciudadanos&#8221;, forma&#231;&#227;o da direita liberal) e as elei&#231;&#245;es em Andaluzia mostraram um limite ao &#8220;momento populista&#8221; do fen&#244;meno Podemos. Na &#250;ltima semana, a ren&#250;ncia da dire&#231;&#227;o do co-fundador da organiza&#231;&#227;o junto a Iglesias, Juan Carlos Monedero, (dizendo-se &#8220;desapontado e tra&#237;do pela partidocracia&#8221;, depois de ser acusado de receber 425 mil euros por servi&#231;os de assessoria aos governos da Venezuela e do Equador) incrementou a crise entre Pablo Iglesias e seu &#8220;n&#250;mero dois&#8221;, da ala centro, I&#241;igo Errej&#243;n.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela primeira vez, Iglesias se v&#234; confrontado com o problema de ser &#8220;confundido exatamente com aquilo que quer substituir&#8221;, nas palavras de Monedero, ou seja, com o tradicional bipartidarismo europeu entre liberais e conservadores que atravessa uma hist&#243;rica crise de representatividade. &#201; fato que o Podemos n&#227;o vem conseguindo aproveitar esta crise como o fen&#244;meno reformista do Syriza p&#244;de fazer na Gr&#233;cia, mas participando desta crise. A s&#233;rie de reflex&#245;es de Iglesias, &lt;a href=&#034;http://blogs.publico.es/pablo-iglesias/1025/guerra-de-trincheras-y-estrategia-electoral/&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;e esta &#250;ltima apoiada em Gramsci&lt;/a&gt;, um claro referente da esquerda revolucion&#225;ria, mesmo para justificar sua pol&#237;tica eleitoral reformista, d&#225; mostras da necessidade de se &#8220;desidentificar&#8221; um pouco com o centro, o que contrasta com suas &#250;ltimas &#8220;performances&#8221;, como a foto com o Rei Felipe VI, os aplausos ao Papa Francisco, a modera&#231;&#227;o de seu programa social, a entrevista com o embaixador dos Estados Unidos na Espanha, com empres&#225;rios e fundos financeiros, &lt;a href=&#034;http://www.esquerdadiario.com.br/Pablo-Iglesias-orgulhoso-pelos-militares-pela-policia-e-as-guardas-civis&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;a reivindica&#231;&#227;o dos militares&lt;/a&gt; e com representantes da &#8220;casta&#8221; do PSOE como Zapatero e Bono.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crise prematura do Podemos move a c&#250;pula a pensar em retomar o discurso &#8220;irreverente&#8221;, presente nos in&#237;cios do movimento (antes de Iglesias e Monedero anularem a participa&#231;&#227;o efetiva das bases do Podemos na pol&#237;tica), na busca de um &#8220;projeto pol&#237;tico de irrup&#231;&#227;o pleb&#233;ia&#8221; e de defesa dos direitos do Estado de Bem-Estar do segundo p&#243;s-guerra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nossos amigos Juan Dal Maso e Fernando Rosso &lt;a href=&#034;http://www.laizquierdadiario.com/Pablo-Iglesias-y-su-Gramsci-a-la-carta&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;abordaram o debate&lt;/a&gt; com Iglesias desde a &#243;tica da recupera&#231;&#227;o do pensamento de Gramsci da degrada&#231;&#227;o sofrida pelas &#8220;m&#227;os eleitorais&#8221; de Iglesias. Queremos abordar desde o tema aberto por Iglesias sobre as origens do debate sobre hegemonia, pois, &lt;a href=&#034;https://www.youtube.com/watch?v=CSCwfD9wEQk&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;sem ouvir-se a si mesmo&lt;/a&gt;, confunde hegemonia com a conquista de votos para chegar ao aparato de estado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A disputa por hegemonia &#233; uma disputa de classes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pablo Iglesias diz que &#8220;diferentemente do que muitos pensam, Gramsci n&#227;o idealizou o conceito de hegemonia, j&#225; que estava presente nas reflex&#245;es dos socialistas russos que Gramsci conheceu, e inclusive em alguns textos da Internacional Comunista&#8221;. Certamente. Mas Iglesias &#8220;se esquece&#8221; de mencionar o sentido deste termo na tradi&#231;&#227;o comunista, fazendo parecer que se assemelha ao seu, segundo o qual a hegemonia seria &#8220;uma guerra entre chefes pela imposi&#231;&#227;o de um relato&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A id&#233;ia de &#8220;hegemonia&#8221; foi uma das consignas pol&#237;ticas mais enfatizadas nos debates do movimento socialdemocrata russo de 1908 at&#233; 1917, sendo utilizada por mencheviques e bolcheviques (as duas tend&#234;ncias do POSDR, pequeno burguesa e prolet&#225;ria revolucion&#225;ria, respectivamente).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A id&#233;ia, codificada primeiramente por Plekhanov em 1883-84, insistia na necessidade da classe oper&#225;ria russa de apresentar um luta pol&#237;tica, e n&#227;o somente econ&#244;mica, contra o czarismo. Argumentando que a burguesia na R&#250;ssia era demasiado d&#233;bil para tomar a iniciativa da revolu&#231;&#227;o democr&#225;tico-burguesa (derrubada do absolutismo e a conquista dos direitos democr&#225;ticos republicanos), em 1889 enfatizou que &#8220;a liberdade pol&#237;tica seria conquistada pela classe oper&#225;ria ou n&#227;o seria&#8221;, ainda sem colocar em d&#250;vida a domina&#231;&#227;o capitalista na R&#250;ssia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta &#8220;orienta&#231;&#227;o totalmente nacional&#8221; que poderiam adotar os trabalhadores russos foi rapidamente abandonada por Plekhanov e outros escritores mencheviques, que sugeriram uma alian&#231;a entre os trabalhadores e a burguesia liberal (de fato, a subordina&#231;&#227;o dos trabalhadores &#227; burguesia, que deteria o poder) nos processos revolucion&#225;rios anteriores &#227; primeira revolu&#231;&#227;o russa. Alegando que o czarismo, depois da derrota em 1905, havia efetuado uma transi&#231;&#227;o do estado feudal ao capitalismo, a hegemonia do proletariado ficara obsoleta na medida em que a revolu&#231;&#227;o burguesa se havia realizado na R&#250;ssia. &lt;br class='autobr' /&gt;
L&#234;nin (que ainda adotava a f&#243;rmula de uma &#8220;ditadura democr&#225;tica do proletariado e do campesinato em 1905) denunciou vivamente este abandono da id&#233;ia &#8220;hegem&#244;nica&#8221; do proletariado por parte dos mencheviques, em fun&#231;&#227;o de sua subordina&#231;&#227;o &#227; burguesia. &#8220;Como &#250;nica classe consistentemente revolucion&#225;ria da sociedade contempor&#226;nea, a classe oper&#225;ria deve ser a dirigente na luta de todo o povo por uma revolu&#231;&#227;o totalmente democr&#225;tica, na luta de todo o povo trabalhador e democr&#225;tico contra os opressores e exploradores. O proletariado &#233; revolucion&#225;rio apenas na medida em que &#233; consciente e torna efetiva a id&#233;ia de sua hegemonia&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os debates se desenvolveram durante toda a d&#233;cada da repress&#227;o czarista, e retornaram com for&#231;a em abril de 1917, quando L&#234;nin retorna &#227; R&#250;ssia modificando seu ponto de vista, defendendo agora a necessidade da &#8220;ditadura do proletariado&#8221; baseada nos organismos democr&#225;ticos de massas, os soviets. Em 1918, polemizando contra os ataques de Karl Kautsky, maior expoente do marxismo na II Internacional at&#233; 1914, &#227; Revolu&#231;&#227;o de Outubro, L&#234;nin desenvolve mais uma vez a id&#233;ia: &#8220;o proletariado &#233; a classe de vanguarda de todos os oprimidos, o foco e o centro de todas as aspira&#231;&#245;es de todos os oprimidos a sua emancipa&#231;&#227;o&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes como depois da tomada do poder na R&#250;ssia, trata-se para L&#234;nin de refletir como quebrar a hegemonia da burguesia sobre as massas e substitu&#237;-la pela hegemonia dos trabalhadores organizados enquanto classe dominante (seu instrumento foi o Partido Bolchevique), como passo no per&#237;odo de transi&#231;&#227;o do capitalismo ao comunismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de ser improv&#225;vel que Gramsci tenha conhecido todos os arquivos e os debates anteriores na socialdemocracia russa sobre a hegemonia (segundo Perry Anderson), durante sua estadia em Moscou em 1922-23 conheceu as resolu&#231;&#245;es da Internacional Comunista e participou do Quarto Congresso de 1922 (antes da burocratiza&#231;&#227;o stalinista de 1924), o que influenciou sua abordagem (apesar de sua subvaloriza&#231;&#227;o do problema da insurrei&#231;&#227;o no ocidente e a ambig&#252;idade na integra&#231;&#227;o quest&#227;o da guerra de posi&#231;&#227;o e da guerra de movimento, o que n&#227;o o torna menos importante como l&#237;der revolucion&#225;rio da III Internacional).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao contr&#225;rio do que diz Iglesias, ainda que Gramsci enfatizasse a necess&#225;ria ascend&#234;ncia cultural dos trabalhadores sobre as classes aliadas, utilizou este conceito como a alian&#231;a de classe do proletariado com outros grupos explorados (o campesinato, sobretudo), &#8220;Se n&#227;o h&#225; d&#250;vida que a hegemonia &#233; &#233;tico-pol&#237;tica, tamb&#233;m deve ser econ&#244;mica, deve basear-se necessariamente na fun&#231;&#227;o decisiva exercida pelo grupo dirigente no n&#250;cleo decisivo da atividade econ&#244;mica&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso &#233; parte daquela &#8220;tradi&#231;&#227;o ortodoxa&#8221; da qual Iglesias assumidamente se afasta, aproximando-se da maneira pragm&#225;tica de fazer pol&#237;tica da elite: uma m&#225;quina de guerra eleitoral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A hegemonia de Pablo e a nossa&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da grande oportunidade aberta pela hist&#243;ria, estes debates de estrat&#233;gia n&#227;o est&#227;o presentes nos discursos destes fen&#244;menos reformistas de massas na Europa, como Syriza e Podemos. Muito menos a problem&#225;tica de qual classe fundamental pode dar uma sa&#237;da progressista &#227; crise mundial, ou mesmo o tem&#225;rio da luta de classes como motor da hist&#243;ria (em pleno anivers&#225;rio do velho Marx!). Os anos de neoliberalismo e da restaura&#231;&#227;o burguesa, por mais abalados que estejam na realidade da crise mundial, conservam sua &#8220;hegemonia&#8221; nos discursos do Podemos e do Syriza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, nota-se como o debate de hegemonia era insepar&#225;vel do problema de &#8220;que classe triunfar&#225;?&#8221;, e no caso dos bolcheviques L&#234;nin e Trotsky, de saber por quais vias a classe trabalhadora, &#250;nica classe social revolucion&#225;ria em nossa &#233;poca, conquistar&#225; predom&#237;nio pol&#237;tico sobre as amplas massas exploradas e oprimidas como &#8220;dirigente dos interesses dos explorados de toda a na&#231;&#227;o em todos os momentos de sua vida pol&#237;tica&#8221;, com uma estrat&#233;gia para destruir o poder institu&#237;do dos exploradores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muito distinto das coloca&#231;&#245;es de Iglesias, onde a hegemonia aparece como &#8220;luta entre chefes pelo melhor relato&#8221;... para sustentar uma regenera&#231;&#227;o democr&#225;tica nos marcos do Estado burgu&#234;s, (&#8220;a &#250;ltima esperan&#231;a dos povos&#8221;, como disse a Chantal Mouffe), ou seja, sem quebrar a hegemonia da burguesia sobre as massas exploradas e os recursos econ&#244;micos. O programa de &#8220;resgate da cidadania, com emprego e inova&#231;&#227;o tecnol&#243;gica&#8221; &#233; um programa de passiviza&#231;&#227;o das for&#231;as sociais, sem cuja mobiliza&#231;&#227;o &#233; imposs&#237;vel alterar a rela&#231;&#227;o de for&#231;as hegem&#244;nicas entre as classes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Portanto, a crise do Podemos n&#227;o &#233; produto da sua capacidade discursiva, mas da inconsist&#234;ncia de sua estrat&#233;gia. Iglesias admite que o grande servi&#231;o &#8220;hegem&#244;nico&#8221; do Podemos &#233; utilizar a linguagem pol&#237;tica para chamar a elite espanhola de &#8220;casta&#8221;. Esta concep&#231;&#227;o, de infrut&#237;fera busca de transforma&#231;&#245;es pol&#237;ticas e econ&#244;micas sem a interven&#231;&#227;o da classe trabalhadora como sujeito pol&#237;tico, n&#227;o se diferencia do &#8220;possibilismo eurocomunista&#8221; que critica, nem da modera&#231;&#227;o de um Partido Socialista (PSOE) que poderia &#8220;ter ido muito longe&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto se prepara para as elei&#231;&#245;es, o Podemos disputa &#8220;relatos hegem&#244;nicos&#8221; &#227; maneira dos governos p&#243;s-neoliberais da Am&#233;rica Latina, hoje em crise: assimilar passivamente as massas &#227; democracia dos ricos, funcional &#227; recomposi&#231;&#227;o da hegemonia daqueles que j&#225; det&#234;m o poder.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Pequim e Washington: quando as disputas financeiras penetram a geopol&#237;tica</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Pequim-e-Washington-quando-as-disputas-financeiras-penetram-a-geopolitica</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Pequim-e-Washington-quando-as-disputas-financeiras-penetram-a-geopolitica</guid>
		<dc:date>2015-03-18T12:30:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>EE.UU.</dc:subject>
		<dc:subject>Asia</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Sudeste Asi&#225;tico</dc:subject>
		<dc:subject>China</dc:subject>
		<dc:subject>Estados Unidos</dc:subject>

		<description>
&lt;p&gt;Depois de meses de controv&#233;rsias sobre o lan&#231;amento por parte da China do Banco Asi&#225;tico de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e as resist&#234;ncias diplom&#225;ticas dos EUA, que incentivava as pot&#234;ncias ocidentais a boicotar a iniciativa, o apoio brit&#226;nico ao projeto chin&#234;s agita a ordem financeira mundial. &lt;br class='autobr' /&gt;
Pequim e Washington: quando as disputas financeiras penetram a geopol&#237;tica O AIIB nasceu em 2014 como uma das quatro institui&#231;&#245;es fundadas ou propostas por Pequim para colocar em marcha um (&#8230;)&lt;/p&gt;


-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/EE-UU-5" rel="tag"&gt;EE.UU.&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Asia" rel="tag"&gt;Asia&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Sudeste-Asiatico" rel="tag"&gt;Sudeste Asi&#225;tico&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/China-169" rel="tag"&gt;China&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estados-Unidos-184" rel="tag"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH80/arton8964-c684c.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='80' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt; Depois de meses de controv&#233;rsias sobre o lan&#231;amento por parte da China do Banco Asi&#225;tico de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e as resist&#234;ncias diplom&#225;ticas dos EUA, que incentivava as pot&#234;ncias ocidentais a boicotar a iniciativa, o apoio brit&#226;nico ao projeto chin&#234;s agita a ordem financeira mundial. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pequim e Washington: quando as disputas financeiras penetram a geopol&#237;tica&lt;br class='autobr' /&gt;
O AIIB nasceu em 2014 como uma das quatro institui&#231;&#245;es fundadas ou propostas por Pequim para colocar em marcha um sistema financeiro internacional alternativo ao criado depois da Segunda Guerra Mundial (Banco Mundial e o FMI), comandado pelos Estados Unidos. A miss&#227;o principal do banco &#233; o financiamento de projetos de infraestrutura. &#201; claramente fruto das disputas de poder entre as duas superpot&#234;ncias econ&#244;micas, depois de anos em que o gigante asi&#225;tico se manteve &#227; procura maiores de cotas de poder no Banco Mundial e no Banco Asi&#225;tico de Desenvolvimento (controlados por Washington e T&#243;quio, respectivamente), correspondentes a sua crescente influ&#234;ncia econ&#244;mica mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Incapaz de limitar o poder norteamericano nas institui&#231;&#245;es financeiras ocidentais, e estando &#225;s portas do Acordo Trans-Pac&#237;fico que une 12 na&#231;&#245;es exceto a China, o governo de Pequim viu sua iniciativa fortalecida com a participa&#231;&#227;o do Reino Unido, que aponta a conquistar uma influ&#234;ncia primordial sobre os pa&#237;ses da &#193;sia Pac&#237;fico (Cingapura, Vietn&#227;, Filipinas, Mong&#243;lia, Mal&#225;sia e Tail&#224;&#162;ndia).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m do Reino Unido, Fran&#231;a, Alemanha e It&#225;lia confirmaram interesse em participar do AIIB.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A possibilidade de receber o afluxo dos enormes investimentos chineses em seu territ&#243;rio atrai a aten&#231;&#227;o das principais pot&#234;ncias europ&#233;ias &#227; institui&#231;&#227;o sediada em Xangai, j&#225; que se veem enfrentadas com grandes dificuldades econ&#244;micas com a crise do euro. As parcerias para o desenvolvimento de infraestrutura em pa&#237;ses semicoloniais ou coloniais no sudeste asi&#225;tico e na &#193;sia central poderiam favorecer as multinacionais europ&#233;ias em espa&#231;os de superexplora&#231;&#227;o do trabalho, como Paquist&#227;o e Bangladesh.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A China aproveita a debilidade de Obama para impor-se no Pac&#237;fico&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tomando uma posi&#231;&#227;o cada vez mais agressiva nas disputas regionais &#8211; principalmente com o Jap&#227;o pelas ilhas Diayou/Senkaku, e com o Vietn&#227; no mar do sul da China &#8211; o governo de Pequim terminou fortalecendo a presen&#231;a de Washington em uma s&#233;rie de pa&#237;ses, que se movimentavam para incrementar rela&#231;&#245;es diplom&#225;ticas e militares com os EUA, contra a amea&#231;a territorial chinesa. N&#227;o obstante, nos &#250;ltimos meses a China modificou sua posi&#231;&#227;o conflitiva, enfatizando a constru&#231;&#227;o de rela&#231;&#245;es econ&#244;micas que beneficiariam a regi&#227;o &#8211; incluindo uma nova &#8220;Rota da Seda&#8221; de com&#233;rcio e infraestrutura na &#193;sia central, que deu origem a acordos de dezenas de bilh&#245;es de d&#243;lares com a R&#250;ssia para abastecimento de petr&#243;leo e g&#225;s natural, combinado com uma &#8220;rota da seda mar&#237;tima&#8221; nos mares do sudeste asi&#225;tico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&#034;http://www.ft.com/cms/s/cd466ddc-cbc7-11e4-aeb5-00144feab7de,Authorised=false.html?_i_location=http%3A%2F%2Fwww.ft.com%2Fcms%2Fs%2F0%2Fcd466ddc-cbc7-11e4-aeb5-00144feab7de.html%3Fsiteedition%3Duk&amp;siteedition=uk&amp;_i_referer=http%3A%2F%2Fwww.palavraoperaria.org%2FDisputas-financeiras-e-geopolitica#ixzz3UefYn2pq&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;Gideon Rachman do Financial Times&lt;/a&gt;argumenta que, nesta batalha pela influ&#234;ncia asi&#225;tica, a carta mais poderosa da China &#233; a econ&#244;mica, enquanto a carta forte dos EUA continua sendo seu poderio militar e sua rede de seguran&#231;a, deixando os pa&#237;ses em meio ao conflito prisioneiros de um dilema (uma vez que a maioria dos pa&#237;ses que tem la&#231;os diplom&#225;ticos com Washington, como Austr&#225;lia, Filipinas e Cor&#233;ia do Sul, dependem comercialmente muito mais da China que dos EUA).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que resplandece claramente destas &#8220;crises de identidade&#8221; dos pa&#237;ses da &#193;sia Pac&#237;fico &#233; que o poderio militar norteamericano j&#225; n&#227;o basta para manter uma s&#233;rie de pa&#237;ses respondendo aos comandos de Washington (um pre&#231;o alto que a administra&#231;&#227;o norteamericana tem de pagar por ainda n&#227;o ter se desembara&#231;ado dos problemas no Oriente M&#233;dio). O atraso de Obama em concluir a orienta&#231;&#227;o para a &#193;sia deixa espa&#231;o aberto ao fortalecimento de uma China que tenta conter desde o in&#237;cio da crise financeira de 2008.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desta forma, o poder econ&#244;mico chin&#234;s come&#231;a a converter-se gradualmente em influ&#234;ncia diplom&#225;tica e pol&#237;tica sobre uma regi&#227;o. Isto, entretanto, n&#227;o significa que a China esteja no limiar do controle inquestion&#225;vel desta por&#231;&#227;o do globo dominada pelos Estados Unidos e o d&#243;lar desde o fim da Segunda Guerra Mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Limites e possibilidades&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cabe perguntar at&#233; onde pode chegar o crescente dom&#237;nio chin&#234;s sobre os mercados asi&#225;ticos e latinoamericanos, sem que tenha modificado seu papel no sistema mundial de estados (ou seja, permanecendo um pa&#237;s dependente das exporta&#231;&#245;es e dos EUA).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como viemos discutindo, a China vive problemas econ&#244;micos internos graves, com um &lt;a href=&#034;http://www.palavraoperaria.org/A-desaceleracao-chinesa-como-o-novo-normal&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;objetivo de crescimento do PIB para 2015 de 7%&lt;/a&gt;, a menor taxa em 25 anos, com o menor crescimento industrial desde 2008, o que obrigou Li Keqiang, primeiro ministro chin&#234;s, a assegurar que tomar&#225; medidas para que a debilidade econ&#244;mica n&#227;o afete o emprego.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em compara&#231;&#227;o com a economia chinesa em desacelera&#231;&#227;o, a economia norteamericana anda em sentido contr&#225;rio, recuperando-se lentamente e com o d&#243;lar em alta. Ainda que a grande reserva de d&#243;lares no Banco Popular da China torne o pa&#237;s menos vulner&#225;vel &#227; sa&#237;da de divisas, n&#227;o se pode descartar uma &#8220;aterrissagem for&#231;ada&#8221; do gigante asi&#225;tico que culmine em grandes convuls&#245;es com a nova gera&#231;&#227;o de trabalhadores que pade&#231;a o desemprego.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro perigo ronda a economia chinesa: a concess&#227;o de linhas de cr&#233;dito a economias fr&#225;geis. Os empr&#233;stimos da China para a Am&#233;rica Latina, de 2005 at&#233; 2014, totalizaram 119 bilh&#245;es de d&#243;lares (56 bilh&#245;es apenas para a Venezuela), segundo o think tank Inter-American Dialogue. Os dados do com&#233;rcio entre China-&#193;frica mostram desembolsos de 52.8 bilh&#245;es de d&#243;lares. &lt;a href=&#034;http://www.ft.com/intl/cms/s/2bb4028a-cbf0-11e4-aeb5-00144feab7de,Authorised=false.html?_i_location=http%3A%2F%2Fwww.ft.com%2Fcms%2Fs%2F0%2F2bb4028a-cbf0-11e4-aeb5-00144feab7de.html%3Fsiteedition%3Dintl&amp;siteedition=intl&amp;_i_referer=http%3A%2F%2Fwww.palavraoperaria.org%2FDisputas-financeiras-e-geopolitica#ixzz3UhlhXQp5&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;O fim do superciclo das mat&#233;rias-primas e a queda dos pre&#231;os do petr&#243;leo&lt;/a&gt;, al&#233;m da situa&#231;&#227;o de deteriora&#231;&#227;o econ&#244;mica e pol&#237;tica em pa&#237;ses como Argentina, Equador e Ucr&#226;nia, exp&#245;em a economia chinesa a calotes da d&#237;vida nestes continentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso explica em parte que os movimentos ainda limitados da China, que busca um tipo de semicoloniza&#231;&#227;o atrav&#233;s da diplomacia financeira, n&#227;o poder&#227;o se concluir sem grandes convuls&#245;es internacionais e na luta de classes, ainda mais para uma economia que enfraquece. Beneficia-se das dificuldades pol&#237;ticas do imperialismo estadunidense, prisioneiro de suas escolhas no Oriente M&#233;dio e na Ucr&#226;nia enfrentada com a R&#250;ssia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O palco estrat&#233;gico da &#193;sia Pac&#237;fico tem seus ensaios preparat&#243;rios, e n&#227;o uma nova ordem bem desenhada. Os EUA j&#225; n&#227;o podem manter controle exclusivo sobre a regi&#227;o; a China ainda n&#227;o pode arrogar-se um papel preponderante. Este &#233; o sentido das pequenas, mas relevantes, investidas econ&#244;micas chinesas, convertendo antigos desafetos regionais em pa&#237;ses cada vez mais dependentes da influ&#234;ncia econ&#244;mica de Pequim. Nada h&#225; de pac&#237;fico ou harm&#244;nico nestas disputas pela ordem financeira mundial.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Aceitando as reformas, a Gr&#233;cia acorda extens&#227;o do resgate com o Eurogrupo</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Aceitando-as-reformas-a-Grecia-acorda-extensao-do-resgate-com-o-Eurogrupo</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Aceitando-as-reformas-a-Grecia-acorda-extensao-do-resgate-com-o-Eurogrupo</guid>
		<dc:date>2015-02-24T07:21:17Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Europa</dc:subject>
		<dc:subject>Econom&#237;a</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Grecia</dc:subject>
		<dc:subject>Grecia: &#034;Gobierno de izquierda&#034; o &#034;gobierno de los trabajadores&#034;</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Depois de longas discuss&#245;es durante duas semanas entre &#034;estender o atual resgate sobre as condi&#231;&#245;es atuais&#034; (Alemanha) e a &#034;extens&#227;o t&#233;cnica de um empr&#233;stimo por seis meses, como passo a um acordo mais s&#243;lido&#034; (Gr&#233;cia), Atenas e seus credores da eurozona atingiram um acordo para estender o atual programa de resgate de 172 bilh&#245;es de euros por quatro meses, sob a &#233;gide das chantagens do Eurogrupo e do Banco Central Europeu diante da dram&#225;tica situa&#231;&#227;o econ&#244;mica da Gr&#233;cia.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Europa" rel="tag"&gt;Europa&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Economia" rel="tag"&gt;Econom&#237;a&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Grecia" rel="tag"&gt;Grecia&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Grecia-Gobierno-de-izquierda-o-gobierno-de-los-trabajadores" rel="tag"&gt;Grecia: &#034;Gobierno de izquierda&#034; o &#034;gobierno de los trabajadores&#034;&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH85/arton8915-d673c.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='85' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Depois de longas discuss&#245;es durante duas semanas entre &#034;estender o atual resgate sobre as condi&#231;&#245;es atuais&#034; (Alemanha) e a &#034;extens&#227;o t&#233;cnica de um empr&#233;stimo por seis meses, como passo a um acordo mais s&#243;lido&#034; (Gr&#233;cia), Atenas e seus credores da eurozona atingiram um acordo para estender o atual programa de resgate de 172 bilh&#245;es de euros por quatro meses, sob a &#233;gide das chantagens do Eurogrupo e do Banco Central Europeu diante da dram&#225;tica situa&#231;&#227;o econ&#244;mica da Gr&#233;cia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aceitando as reformas, a Gr&#233;cia acorda extens&#227;o do resgate com o Eurogrupo&lt;br class='autobr' /&gt;
Os prazos do atual resgate expiravam neste pr&#243;ximo dia 28 de fevereiro, press&#227;o &#227; qual se somou a chantagem pol&#237;tica do BCE de negar financiamento aos bancos gregos. &lt;a href=&#034;http://www.ler-qi.org/O-giro-europeu-de-Tsipras-para-renegociar-a-divida-os-limites-do-Syriza&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;O giro europeu de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis&lt;/a&gt; buscava alcan&#231;ar o benepl&#225;cito dos governos da Uni&#227;o Europeia a um &#8220;acordo ben&#233;fico para todos&#8221;, em que abandonava o objetivo de um cancelamento parcial da d&#237;vida, para negociar seu refinanciamento. Uma tentativa que se mostrou fracassada, depois que a Alemanha e o restante dos pa&#237;ses do euro exigiram o cumprimento do resgate atual em troca de financiamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pol&#237;tica da Uni&#227;o Europ&#233;ia, sob a lideran&#231;a da Alemanha e seus escudeiros mais fi&#233;is, como o presidente espanhol Mariano Rajoy, foi desde o come&#231;o n&#227;o outorgar &#034;nenhuma concess&#227;o&#034;. Esta posi&#231;&#227;o tem um alto componente pol&#237;tico, mostrar que n&#227;o se podem desafiar os planos de Bruxelas e de Berlim. No caso espanhol, sua posi&#231;&#227;o se explica por um ano marcado pelo crescente desprest&#237;gio do partido do governo e o ascenso do Podemos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos &#250;ltimos dias, a situa&#231;&#227;o financeira grega estava totalmente incerta frente ao pagamento que deve afrontar em mar&#231;o. A arrecada&#231;&#227;o de impostos foi 20% abaixo do esperado, e o super&#225;vit prim&#225;rio ficou 60% aqu&#233;m do objetivo, para n&#227;o mencionar o &#034;drama&#034; dos bancos gregos, cujos dep&#243;sitos est&#227;o sendo retirados pela popula&#231;&#227;o, que teme uma quebra financeira e &#034;controle de capitais&#034; como no Chipre em 2013 (4 bilh&#245;es de euros foram removidos dos bancos gregos nas ultimas duas semanas, 20 bilh&#245;es desde dezembro).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas condi&#231;&#245;es impulsionaram um acordo para frear a massiva retirada de dep&#243;sitos do sistema financeiro grego (evitando turbul&#234;ncias no mercado), e aprimorar as condi&#231;&#245;es para que o governo grego fa&#231;a frente ao pagamento de suas d&#237;vidas. Quest&#245;es chave da negocia&#231;&#227;o permanecem sem contornos claros &#8211; como as reformas a que o Syriza finalmente se submeteu a fim de receber os restantes 7.2 bilh&#245;es de euros do programa de resgate.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um acordo &#8220;&#195; la germ&#226;nica&#8221;, asfixiante ao povo grego&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo sem a defini&#231;&#227;o mais precisa do conte&#250;do da negocia&#231;&#227;o, as linhas mestras dentro das quais o acordo se mover&#225;, entretanto, &lt;a href=&#034;http://internacional.elpais.com/internacional/2015/02/20/actualidad/1424471757_143916.html&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;s&#227;o as impostas pela Alemanha&lt;/a&gt;. O an&#250;ncio de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, revelou que a Gr&#233;cia se disp&#244;s a retirar praticamente todas as suas linhas vermelhas e aceitar o resgate atual, obtendo em troca pouco mais do que a Troika j&#225; oferecia desde o in&#237;cio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o Financial Times, o acordo compromete Atenas a &#8220;completar com &#234;xito&#8221; as cl&#225;usulas do atual resgate (pactuado primeiramente pelo governo anterior, PASOK-Nova Democracia), e a concord&#226;ncia em &#8220;n&#227;o reverter as reformas em curso&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tamb&#233;m impede o governo grego de diminuir &#8220;unilateralmente&#8221; o montante da d&#237;vida. Exige at&#233; mesmo que a Gr&#233;cia devolva 11 bilh&#245;es de euros congelados no mecanismo de resgate banc&#225;rio para a Gr&#233;cia, para que n&#227;o seja usado para fins de &#8220;financiamento do governo&#8221;, mas de recapitaliza&#231;&#227;o dos bancos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Das poucas contrapartidas concedidas pelo Eurogrupo a Tsipras, est&#225; a garantia de financiamento do BCE por mais quatro meses (se &#8220;completa com &#234;xito as exig&#234;ncias&#8221;) e certa margem or&#231;ament&#225;ria para que Atenas promova os gastos sociais mais urgentes, dentro de um plano de &#8220;salva&#231;&#227;o das v&#237;timas da crise&#8221; agora &#8220;v&#237;tima&#8221; dos limites or&#231;ament&#225;rios exigidos pela Troika (agora finalmente reconhecida pelo Syriza).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Yanis Varoufakis, ministro das Finan&#231;as da Gr&#233;cia, que outrora negava qualquer extens&#227;o de um resgate que considerava &#8220;louco e anti-europeu&#8221;, agora descobriu-se &#8220;satisfeito&#8221; com o acordo, que representa &#8220;um pequeno passo para uma nova dire&#231;&#227;o.&#8221; &#8220;Hoje come&#231;amos a ser os coautores das reformas na Gr&#233;cia&#8221;, afirmou o ministro. Por sua parte, Tsipras, que durante o discurso de posse afirmara &#8220;terminada a austeridade na Gr&#233;cia&#8221;, depois de ceder &#225;s reformas assegurou que &#8220;Fizemos fracassar o plano para asfixiar a Gr&#233;cia&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8220;Na sexta-feira demos um passo decisivo, deixando para tr&#225;s a austeridade, a troika e o resgate. Ganhamos a batalha, mas n&#227;o a guerra. Adiante nos aguardam muitas dificuldades. Fizemos fracassar o plano das for&#231;as conservadoras na Gr&#233;cia e no estrangeiro para asfixiar nosso pa&#237;s e demonstramos que a Europa &#233; um espa&#231;o para a negocia&#231;&#227;o e os compromissos ben&#233;ficos para as partes,&#8221; disse Tsipras em seu discurso televisado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, pouco efeito tiveram estas tentativas de apresentar como triunfo o que muitos na Gr&#233;cia j&#225; enxergam como um novo per&#237;odo de duras concess&#245;es. Os titulares e editoriais dos peri&#243;dicos gregos citavam incessantemente a palavra &#8220;asfixia&#8221; em suas capas. Em ess&#234;ncia, a aplica&#231;&#227;o do programa eleitoral do Syriza estar&#225; sujeita &#227; aprova&#231;&#227;o pr&#233;via dos credores, j&#225; que o governo grego reconhece os &#8220;odiosos termos dos acordos de empr&#233;stimo, o que debilita a posi&#231;&#227;o dos negociadores gregos,&#8221; como escreveu Stathis Kouvelakis, integrante da &#8220;Plataforma de Esquerda&#8221; e membro do Comit&#234; Central do Syriza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo no plano das privatiza&#231;&#245;es o governo grego modificou sua posi&#231;&#227;o. Varoufakis assegurou ao Eurogrupo que todas as informa&#231;&#245;es da imprensa sobre a paralisa&#231;&#227;o da venda de 67% do porto do Pireu &#227; empresa chinesa Cosco &#8220;n&#227;o poderiam estar mais longe da verdade&#8221;. Esclareceu que o governo atuar&#225; neste terreno &#8220;sem dogmas&#8221;, e que fomentar&#225; o investimento estrangeiro no porto, na medida em que se assegurem os lucros do governo &#8220;a longo prazo&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&#8220;Pagar a asfixia&#8221;, ou organizar as massas gregas pelo cancelamento da d&#237;vida?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A amplia&#231;&#227;o do atual programa de resgate por quatro meses &#233; a concess&#227;o que mais se separa do n&#250;cleo das propostas de governo do Syriza. Aceita n&#227;o s&#243; a extens&#227;o do cr&#233;dito, mas sua supervis&#227;o por parte do BCE, da Comiss&#227;o Europeia, e &#8220;com o mesmo esp&#237;rito&#8221; do FMI (ou seja, a Troika).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde o princ&#237;pio, a estrat&#233;gia do Syriza de alcan&#231;ar um &#8220;acordo ben&#233;fico a todos&#8221; s&#243; revelou que, apesar de seu mandato expressar um giro &#227; esquerda das massas gregas contra a austeridade, subordinava-se a conseguir melhores condi&#231;&#245;es para seguir pagando uma d&#237;vida que esgotou os trabalhadores e jovens da Gr&#233;cia nos &#250;ltimos 5 anos. Os &#250;nicos que vieram impondo suas condi&#231;&#245;es foram os l&#237;deres do Eurogrupo chefiados pelo programa de austeridade defendido pela Alemanha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como insistimos em v&#225;rios artigos, o Syriza n&#227;o tem como programa desconhecer a d&#237;vida externa e fazer com que os capitalistas paguem pela crise. Prefere negociar os termos do pagamento. Por isso o &#8220;tempo ganho&#8221; pelo governo n&#227;o fortalece as condi&#231;&#245;es de luta das &lt;a href=&#034;http://www.ler-qi.org/Dezenas-de-milhares-voltam-as-ruas-da-Grecia&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;massas gregas que se manifestaram em centenas de cidades do pa&#237;s&lt;/a&gt; contra os ajustes, mas abre caminho &#227; concretiza&#231;&#227;o do programa de Berlim, com privatiza&#231;&#245;es, demiss&#245;es, cortes or&#231;ament&#225;rios e diminui&#231;&#227;o dos direitos trabalhistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os ajustes que a Troika conseguiu disciplinar o Syriza a aceitar tem como objetivo pagar uma d&#237;vida impag&#225;vel: os 323 bilh&#245;es de euros que deve o governo grego se encontram nas m&#227;os da Eurozona (60%), do FMI (10%) e do BCE (6%) al&#233;m de outros bancos. A d&#237;vida grega, que monta 185% do PIB, foi gerada pelos pr&#243;prios capitalistas gregos, junto aos banqueiros franceses e alem&#227;es, que concordaram na imposi&#231;&#227;o dos cortes p&#250;blicos para satisfazer dividendos como a importa&#231;&#227;o de armas pela Gr&#233;cia, com os Estados Unidos, Fran&#231;a e Alemanha, para o controle da imigra&#231;&#227;o no litoral e a repress&#227;o &#225;s manifesta&#231;&#245;es antiausteridade e &#225;s 32 greves gerais desde 2010.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A anula&#231;&#227;o imediata desta d&#237;vida fraudulenta, junto a um plano de emerg&#234;ncia oper&#225;rio e popular, &#233; a &#250;nica alternativa independente para o povo grego, que ainda apoia fortemente o Syriza, apesar de sua negativa em abolir a extors&#227;o europeia, o que gerou muitas cr&#237;ticas em setores da esquerda grega e inclusive dentro do Syriza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais do que nunca, &lt;a href=&#034;http://www.ler-qi.org/Por-uma-campanha-de-solidariedade-internacional-ativa-ao-povo-grego&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;convocamos as organiza&#231;&#245;es de esquerda e sindicatos a uma grande campanha de solidariedade internacional ao povo grego&lt;/a&gt; com a demanda central de anula&#231;&#227;o imediata da d&#237;vida, apoiado na mobiliza&#231;&#227;o de massas que mais uma vez protagonizam amplos setores de trabalhadores e jovens na Gr&#233;cia.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Resist&#234;ncia curda na S&#237;ria altera a postura dos EUA</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Resistencia-curda-na-Siria-altera-a-postura-dos-EUA</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Resistencia-curda-na-Siria-altera-a-postura-dos-EUA</guid>
		<dc:date>2014-10-24T05:30:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Medio Oriente</dc:subject>
		<dc:subject>EE.UU.</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Turqu&#237;a</dc:subject>
		<dc:subject>Mundo &#193;rabe</dc:subject>
		<dc:subject>Estados Unidos</dc:subject>
		<dc:subject>Irak</dc:subject>
		<dc:subject>Siria</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Amplamente noticiado nos di&#225;rios mundiais, avi&#245;es de transporte C-130 norte-americanos lan&#231;aram na madrugada desta segunda-feira armamento, muni&#231;&#227;o e ajuda m&#233;dica para abastecer as for&#231;as curdas que lutam na cidade s&#237;ria de Kobani contra o Estado Isl&#224;&#162;mico, que depois de um m&#234;s de tentativas n&#227;o assegurou a conquista desta cidade que se tornou s&#237;mbolo da resist&#234;ncia curda. Al&#233;m disso, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que proibiu a travessia de combatentes e armas e se negou a intervir contra o massacre curdo por parte do EI h&#225; algumas semanas, emitiu comunicado autorizando a passagem de milicianos curdos iraquianos, os peshmerga, atrav&#233;s do territ&#243;rio turco para auxiliar a resist&#234;ncia em Kobani.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Medio-Oriente" rel="tag"&gt;Medio Oriente&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/EE-UU-5" rel="tag"&gt;EE.UU.&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Turquia-119" rel="tag"&gt;Turqu&#237;a&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Mundo-Arabe" rel="tag"&gt;Mundo &#193;rabe&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estados-Unidos-184" rel="tag"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Irak" rel="tag"&gt;Irak&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Siria" rel="tag"&gt;Siria&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH84/arton8632-f7ed7.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='84' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Amplamente noticiado nos di&#225;rios mundiais, avi&#245;es de transporte C-130 norte-americanos lan&#231;aram na madrugada desta segunda-feira armamento, muni&#231;&#227;o e ajuda m&#233;dica para abastecer as for&#231;as curdas que lutam na cidade s&#237;ria de Kobani contra o Estado Isl&#224;&#162;mico, que depois de um m&#234;s de tentativas n&#227;o assegurou a conquista desta cidade que se tornou s&#237;mbolo da resist&#234;ncia curda. Al&#233;m disso, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que proibiu a travessia de combatentes e armas e se negou a intervir contra o massacre curdo por parte do EI h&#225; algumas semanas, emitiu comunicado autorizando a passagem de milicianos curdos iraquianos, os peshmerga, atrav&#233;s do territ&#243;rio turco para auxiliar a resist&#234;ncia em Kobani.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8220;Vamos ajudar os peshmerga a cruzar a fronteira at&#233; Kobani. N&#227;o temos nenhum desejo de que Kobani caia nas m&#227;os do Estado Isl&#224;&#162;mico&#8221;, disse o Ministro turco de Assuntos Exteriores, Mevlut Cavusoglu. Esta altera&#231;&#227;o na postura da Turquia e dos EUA (que dizia que &#8220;Kobani n&#227;o era estrat&#233;gica na luta contra o EI&#8221;, mas agora incrementou o n&#250;mero de bombardeios nesta regi&#227;o curda para 135 ataques), pela primeira vez entregando armas aos milicianos curdos, responde aos temores de que esta guerra reacion&#225;ria desate for&#231;as desestabilizadoras muito al&#233;m da guerra civil s&#237;ria no Oriente M&#233;dio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os inimigos de nossos inimigos...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recordemos que o Estado Isl&#224;&#162;mico surgiu de uma ruptura da AlQaeda, aos quais se uniram no Iraque grupos sunitas que foram expulsos do governo central na Guerra do Iraque em 2003, assim como partes do ex&#233;rcito de Saddam Hussein. Desde junho, se estabeleceu num territ&#243;rio do tamanho da B&#233;lgica que vai da prov&#237;ncia de Aleppo, no norte da S&#237;ria, at&#233; a prov&#237;ncia de Diyala no leste do Iraque, sobre o qual proclamou seu califato. At&#233; agora, as &#250;nicas for&#231;as que conseguiram frear parcialmente o avan&#231;o dos jihadistas foram os curdos s&#237;rios, sem que a coaliz&#227;o liderada pelos EUA conseguisse reverter estes avan&#231;os em defesa de seus interesses no Oriente M&#233;dio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em uma guerra que, para dizer o m&#237;nimo, os Estados Unidos n&#227;o est&#225; ganhando, a cidade de Kobani (cidade curda na fronteira entre a Turquia e a S&#237;ria) n&#227;o caiu nas m&#227;os do Estado Isl&#224;&#162;mico, que sofreu numerosas baixas, unicamente pela dura resist&#234;ncia das mil&#237;cias curdas s&#237;rias. A raz&#227;o pela qual tanto os Estados Unidos quanto a Turquia se mostraram reticentes em intervir no massacre de Kobani &#233; que a resist&#234;ncia curda na S&#237;ria &#233; dirigida pelo Partido da Uni&#227;o Democr&#225;tica (PYD) e suas mil&#237;cias, as Unidades de Prote&#231;&#227;o Popular (YPG), uma fra&#231;&#227;o radicalizada do movimento separatista curdo que busca historicamente a autonomia e independ&#234;ncia da regi&#227;o do Curdist&#227;o (30 milh&#245;es de pessoas abrangidas desde o norte do Iraque e da S&#237;ria, e em parte da Turquia) e direitos pol&#237;ticos aos curdos, um povo oprimido no interior da Turquia que comp&#245;e a maior etnia sem Estado pr&#243;prio do mundo. Esta organiza&#231;&#227;o tem la&#231;os com o Partido dos Trabalhadores do Curdist&#227;o (PKK), que integra a lista de organiza&#231;&#245;es terroristas para os EUA e a Uni&#227;o Europeia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como se evidenciou com os bombardeios a posi&#231;&#245;es curdas do PKK, cujas mil&#237;cias s&#227;o as &#250;nicas for&#231;as de combate em terreno contra o Estado Isl&#224;&#162;mico na S&#237;ria, o governo de Erdogan optou a princ&#237;pio por deixar via livre aos massacres, evitando que como efeito colateral de sua a&#231;&#227;o se fortalecessem as posi&#231;&#245;es curdas. Esta aposta foi feita tamb&#233;m por Washington apesar de toda a fraseologia &#8220;humanit&#225;ria&#8221;: o secret&#225;rio de Estado dos EUA John Kerry alegou, referindo-se aos curdos, que &#8220;os inimigos de nossos inimigos n&#227;o se tornam por isso nossos amigos&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, os avan&#231;os do Estado Isl&#224;&#162;mico sobre as regi&#245;es petrol&#237;feras no Iraque, tomando a prov&#237;ncia de Anbar e estando &#225;s portas da capital Bagd&#225; contra um ex&#233;rcito iraquiano desintegrado, e o perigo de que a tomada de Kobani pelos sunitas evidenciasse ainda mais a incapacidade do poder a&#233;reo aliado de &#8220;degradar e destruir&#8221; por si s&#243; o EI, obrigaram Washington a mudar de op&#231;&#227;o t&#225;tica e coagir a aceita&#231;&#227;o de Erdogan em auxiliar os curdos s&#237;rios&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Claudia Cinatti, LaIzquierdaDiario,&#034; id=&#034;nh1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Segundo Kerry, &#8220;Deixe-me dizer a nossos estreitos aliados turcos que entendemos os fundamentos de sua oposi&#231;&#227;o, e a nossa, a qualquer esp&#233;cie de grupo terrorista, e em particular aos desafios que enfrentam com o PKK [...] Mas n&#243;s embarcamos em esfor&#231;os para degradar e destruir o EI, que se encontra em grande n&#250;mero na regi&#227;o de Kobani&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;ElPa&#237;s, 21/10,&#034; id=&#034;nh2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A quest&#227;o nacional curda como fator na equa&#231;&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a Turquia n&#227;o tem nenhum interesse em estabilizar o regime s&#237;rio de Bashar al-Assad (um regime inimigo do governo turco, que tamb&#233;m quer derrotar a amea&#231;a do Estado Isl&#224;&#162;mico em seu territ&#243;rio), chegando a condicionar sua participa&#231;&#227;o ativa na coaliz&#227;o encabe&#231;ada por Washington ao envolvimento dos Estados Unidos na derrubada imediata de Assad, &#233; certo que tampouco deseja revitalizar um poderoso movimento de liberta&#231;&#227;o nacional de um povo oprimido em seu territ&#243;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O governo de Erdogan enfrentou protestos populares nas principais cidades da Turquia em recha&#231;o &#227; passividade com que lidou com o massacre dos curdos em Kobani, acusado de abandonar a cidade. Esta encruzilhada da burguesia turca &#8211; n&#227;o fortalecer o regime de Assad atacando o EI (que h&#225; n&#227;o muito tempo era financiado pela Turquia), mas ao mesmo tempo evitar o prest&#237;gio da resist&#234;ncia curda frente &#227; passividade turca &#8211; por ora deixa fora do tabuleiro o maior Ex&#233;rcito do Oriente M&#233;dio, e acentua as rusgas com os Estados Unidos (novamente, o governo de Ankara desmentiu ter permitido a utiliza&#231;&#227;o de sua base militar de Incirlik pelos avi&#245;es norte-americanos).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Curdos na S&#237;ria e no Iraque&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os Estados Unidos tem um trunfo para apresentar a Erdogan na figura dos curdos iraquianos. Apesar de Erdogan ter igualado o PKK e a Unidades de Prote&#231;&#227;o Popular curdas da S&#237;ria aos jihadistas do Estado Isl&#224;&#162;mico, tem boas rela&#231;&#245;es pol&#237;ticas e comerciais com os curdos no Iraque, na figura do Governo Regional do Curdist&#227;o (KRG). Tendo sido capaz de manipular a favor de seus interesses a quest&#227;o curda no Iraque, os Estados Unidos colocou sob sua tutela a autonomia dos curdos iraquianos conquistada em 1992 como parte dos acordos durante a Guerra do Golfo, concedendo-lhes grande cota de poder depois da derrubada de Saddam Hussein em 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A burguesia curda, ligada ao cl&#224; de Barzani no Iraque, tem reservas petrol&#237;feras estimadas em 45 bilh&#245;es de barris, que exporta ao porto turco de Ceyhan (no sul do pa&#237;s). O Iraque passou a ter um interc&#226;mbio comercial com a Turquia, em 2010, de 6 bilh&#245;es de d&#243;lares, tornando-se seu quinto maior parceiro. A transfer&#234;ncia de petr&#243;leo do Iraque para a Turquia &#233; de 500.000 barris di&#225;rios, al&#233;m da transmiss&#227;o de g&#225;s natural atrav&#233;s do gasoduto que vir&#225; a servir para levar energia do Oriente M&#233;dio e da &#193;sia central para a Europa atrav&#233;s da Turquia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Turquia s&#243; perde para a China entre os pa&#237;ses com mais empresas no Iraque, com 117 corpora&#231;&#245;es nos ramos da energia, agricultura e projetos industriais&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Hasan Turunc, London School of Economics and Politics &#8211; Turkey and Iraq,&#034; id=&#034;nh3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Esta boa rela&#231;&#227;o, que torna o Curdist&#227;o iraquiano um dos principais parceiros comerciais da Turquia, facilitou a decis&#227;o de permitir a entrada dos combatentes peshmergas na S&#237;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No Iraque, os curdos, sob a dire&#231;&#227;o de dois cl&#224;s rivais &#8211; o Partido Democr&#225;tico do Curdist&#227;o de Barzani e a Uni&#227;o Patri&#243;tica do Curdist&#227;o de Talabani &#8211; garantem o controle do petr&#243;leo sob a sombra da ocupa&#231;&#227;o norte-americana, com os peshmergas servindo de tropa terrestre aos EUA nesta guerra reacion&#225;ria. Na S&#237;ria, pelo contr&#225;rio, os setores curdos abertamente pr&#243;-norte-americanos, agrupados no Conselho Nacional Curdo e membros do Conselho Nacional S&#237;rio, s&#227;o uma minoria, primando os setores que n&#227;o aceitam a interven&#231;&#227;o dos Estados Unidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A derrota do Estado Isl&#224;&#162;mico pelas m&#227;os da resist&#234;ncia curda acentuaria o papel da quest&#227;o das nacionalidades e poderia abrir um curso progressista com repercuss&#245;es internacionais que iriam at&#233; o cora&#231;&#227;o da Europa. Mais de 20.000 curdos se manifestaram neste &#250;ltimo s&#225;bado, 11/10, em D&#252;sseldorf na Alemanha, em solidariedade &#227; Kobani e exigindo, para al&#233;m do envio de muni&#231;&#245;es e ajuda humanit&#225;ria, a liberta&#231;&#227;o de Abdullah &#214;calan, l&#237;der do PKK que cumpre senten&#231;a de pris&#227;o perp&#233;tua. Outras manifesta&#231;&#245;es aconteceram em Londres e Bruxelas.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Claudia Cinatti, LaIzquierdaDiario, &lt;a href=&#034;http://www.laizquierdadiario.com/Kobani-y-las-contradicciones-de-los-opresores-y-los-oprimidos&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;http://www.laizquierdadiario.com/Kobani-y-las-contradicciones-de-los-opresores-y-los-oprimidos&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;ElPa&#237;s, 21/10, &lt;a href=&#034;http://internacional.elpais.com/internacional/2014/10/20/actualidad/1413786881_623447.html&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;http://internacional.elpais.com/internacional/2014/10/20/actualidad/1413786881_623447.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Hasan Turunc, London School of Economics and Politics &#8211; Turkey and Iraq, &lt;a href=&#034;http://www.lse.ac.uk/ideas/publications/reports/pdf/sr007/iraq.pdf&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;http://www.lse.ac.uk/ideas/publications/reports/pdf/sr007/iraq.pdf&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>As tens&#245;es entre Obama e Erdogan em meio aos protestos contra o governo turco</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/As-tensoes-entre-Obama-e-Erdogan-em-meio-aos-protestos-contra-o-governo-turco</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/As-tensoes-entre-Obama-e-Erdogan-em-meio-aos-protestos-contra-o-governo-turco</guid>
		<dc:date>2014-10-08T22:01:59Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Europa</dc:subject>
		<dc:subject>EE.UU.</dc:subject>
		<dc:subject>Asia</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Turqu&#237;a</dc:subject>
		<dc:subject>Estados Unidos</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Depois de dois meses de bombardeios da coaliz&#227;o liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Isl&#224;&#162;mico na S&#237;ria e no Iraque, a opera&#231;&#227;o idealizada por Washington trope&#231;a em suas pr&#243;prias contradi&#231;&#245;es. N&#227;o s&#243; foi incapaz de deter a ofensiva incontida dos milicianos yihadistas, mas se questiona cada vez mais a efic&#225;cia campanha a&#233;rea diante dos avan&#231;os sunitas na S&#237;ria, com a virtual perda da cidade de Kobani; al&#233;m disso, promove constantes fissuras entre os aliados norteamericanos, provocando tens&#245;es crescentes entre a administra&#231;&#227;o Obama e seu principal aliado da OTAN no Oriente M&#233;dio, a Turquia, em meio &#227; crise de refugiados curdos e os protestos da popula&#231;&#227;o turca contra a ina&#231;&#227;o do governo de Erdogan frente ao massacre do Estado Isl&#224;&#162;mico nas regi&#245;es curdas.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Europa" rel="tag"&gt;Europa&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/EE-UU-5" rel="tag"&gt;EE.UU.&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Asia" rel="tag"&gt;Asia&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Turquia-119" rel="tag"&gt;Turqu&#237;a&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estados-Unidos-184" rel="tag"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH86/arton8561-6ac48.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='86' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Depois de dois meses de bombardeios da coaliz&#227;o liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Isl&#224;&#162;mico na S&#237;ria e no Iraque, a opera&#231;&#227;o idealizada por Washington trope&#231;a em suas pr&#243;prias contradi&#231;&#245;es. N&#227;o s&#243; foi incapaz de deter a ofensiva incontida dos milicianos yihadistas, mas se questiona cada vez mais a efic&#225;cia campanha a&#233;rea diante dos avan&#231;os sunitas na S&#237;ria, com a virtual perda da cidade de Kobani; al&#233;m disso, promove constantes fissuras entre os aliados norteamericanos, provocando tens&#245;es crescentes entre a administra&#231;&#227;o Obama e seu principal aliado da OTAN no Oriente M&#233;dio, a Turquia, em meio &#227; crise de refugiados curdos e os protestos da popula&#231;&#227;o turca contra a ina&#231;&#227;o do governo de Erdogan frente ao massacre do Estado Isl&#224;&#162;mico nas regi&#245;es curdas.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os sucessivos triunfos militares dos insurgentes sunitas no Iraque e na S&#237;ria, estabilizando o controle sobre um enorme territ&#243;rio, fazem com que seja a coaliz&#227;o, e n&#227;o o EI, que se encontre pressionada por reveses t&#225;ticos no terreno. Ao menos 412 pessoas morreram durante as tr&#234;s semanas de enfrentamento entre os yihadistas e os combatentes curdos ao redor da cidade de Kobani, tomada pelo EI para consolidar seu avan&#231;o ao norte (depois de ter se apoderado da segunda cidade do Iraque, Mosul). Em meio &#227; ofensiva, 180.000 pessoas fugiram para a Turquia desde Kobane, incrementando o patrulhamento da fronteira pelo Ex&#233;rcito turco, e tamb&#233;m os enfrentamentos com os refugiados que tentavam cruzar a fronteira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O plano de Obama de combater sem ser obrigado a empregar tropas terrestres e ver-se envolvido na guerra civil s&#237;ria se encontra sob press&#227;o cada vez mais aguda. Em Washington, ningu&#233;m esconde que o Estado Isl&#224;&#162;mico resiste aos bombardeios da ofensiva norteamericana, uma campanha a&#233;rea insuficiente que n&#227;o consegue nenhuma vit&#243;ria clara. Desde o primeiro momento, o objetivo de Obama foi debilitar por bombardeios a estrutura do Estado Isl&#224;&#162;mico para que depois tropas terrestres locais &#8211; o ex&#233;rcito iraquiano e a oposi&#231;&#227;o s&#237;ria treinada pelos EUA &#8211; se encarregassem do combate no terreno. Esta estrat&#233;gia &#8211; permitir &#225;s for&#231;as regionais aliadas competirem entre si e balancearem umas &#225;s outras, evitando o protagonismo de Washington em demasiadas frentes simult&#226;neas &#8211; dependia de uma firme coaliz&#227;o de Estados com papel destacado das pot&#234;ncias regionais (como Ar&#225;bia Saudita, Catar e Turquia) que protagonizassem o combate em terreno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, as petromonarquias da Liga &#193;rabe (Ar&#225;bia Saudita, Bahrein, Emirados &#193;rabes Unidos, Kwait) e os estados vizinhos temem conseq&#252;&#234;ncias pol&#237;ticas mais graves aos regimes de cada pa&#237;s, caso intervenham com mais decis&#227;o contra os sunitas. Al&#233;m disso, v&#225;rios destes pa&#237;ses financiaram o Estado Isl&#224;&#162;mico para derrubar o regime de Assad durante a guerra civil s&#237;ria, regime aliado do Ir&#227;, que rejeitou a interven&#231;&#227;o na S&#237;ria e do qual depende em boa medida a estabiliza&#231;&#227;o do Oriente M&#233;dio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As tens&#245;es entre os Estados Unidos e a Turquia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da permiss&#227;o ao Ex&#233;rcito turco, aprovada no parlamento, de cruzar a fronteira com a S&#237;ria, as for&#231;as armadas de Ankara se limitaram a observar o avan&#231;o yihadista em Kobani, negando aux&#237;lio aos combatentes curdos a poucos quil&#244;metros da fronteira com a Turquia. O presidente Recep Tayyip Erdogan disse a 7/10 que a Turquia n&#227;o se envolver&#225; no conflito contra o Estado Isl&#224;&#162;mico a menos que os Estados Unidos concorde em apoiar a oposi&#231;&#227;o s&#237;ria na deposi&#231;&#227;o de Bashar al-Assad, inimigo aberto de Erdogan, assim como a impossibilidade de enviar tropas sem uma zona de exclus&#227;o a&#233;rea capaz de repelir os bombardeios da For&#231;a A&#233;rea s&#237;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta resposta &#8211; o primeiro recha&#231;o de um pa&#237;s aliado e membro da OTAN a colaborar militarmente com a coaliz&#227;o &#8211; aprofundou as tens&#245;es entre Erdogan e Obama, que n&#227;o queria envolver a quest&#227;o s&#237;ria em meio ao combate ao EI. Um oficial de Washington disse &#8220;&#201; angustiante observar a Turquia se arrastando para prevenir um massacre a menos de uma milha de sua fronteira. N&#227;o &#233; assim que deve agir um membro da OTAN&#8221;. A Turquia &#233; a principal rota para estrangeiros se alistarem nas fileiras do EI. Esta posi&#231;&#227;o de Erdogan busca extrair benef&#237;cios pr&#243;prios da necessidade dos EUA de estabilizar a regi&#227;o, fundindo a possibilidade de sucesso em combater o EI &#227; investida contra um regime inimigo. Isto pode alterar tamb&#233;m as posi&#231;&#245;es de pa&#237;ses que lutam pela queda de Assad, como Ar&#225;bia Saudita e Catar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As tens&#245;es entre os aliados emergem como eco das duras exig&#234;ncias do presidente turco para que os Estados Unidos lidere a coaliz&#227;o intervindo com tropas, tirando protagonismo dos estados vizinhos. &#8220;Somente com bombardeios a&#233;reos n&#227;o se pode por fim a este terror. Se a coaliz&#227;o que cumpre esta miss&#227;o n&#227;o estabelece movimentos militares terrestres, n&#227;o poder&#225; solucion&#225;-lo com ataques a&#233;reos. Assim passaram meses sem resultado, e Kobani est&#225; a ponto de cair&#8221;, disse Erdogan. Estas manifesta&#231;&#245;es s&#227;o apoiadas por setores da c&#250;pula militar e pol&#237;ticos republicanos nos EUA, como o chefe da Casa dos Representantes, John Boehner.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Protestos na Turquia contra o governo de Erdogan&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pelo menos 18 pessoas morreram, e centenas ficaram feridas, em uma s&#233;rie de violentos protestos em v&#225;rias cidades majoritariamente curdas no sudeste da Turquia, al&#233;m das capitais Istambul e Ankara, contra a passividade do governo turco diante do massacre em Kobani. O governo de Erdogan acionou o toque de recolher em v&#225;rias prov&#237;ncias e militarizou as ruas, relembrando cenas que n&#227;o se viam desde a d&#233;cada de 1990 nos enfrentamentos entre o Estado e o grupo separatista curdo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdist&#227;o).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em cidades como Hakkari, Van, Batman, Mardin e Diyarbakir (considerada a &#8220;capital curda&#8221; na Turquia) os manifestantes ergueram barricadas, bloquearam o tr&#225;fego e queimaram &#244;nibus municipais contra a repress&#227;o policial, protagonizadas majoritariamente por grupos pr&#243;-curdos, inclusive setores do PKK, cuja mil&#237;cia &#233; muito pr&#243;xima &#225;s Unidades de Prote&#231;&#227;o Popular que lutam contra os yihadistas na S&#237;ria. Centenas de manifestantes curdos irromperam nesta ter&#231;a-feira na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas contra a inatividade da Uni&#227;o Europeia ante o avan&#231;o do Estado Isl&#224;&#162;mico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por tr&#225;s do condicionamento feito por Erdogan aos EUA para entrar em combate com o Ex&#233;rcito turco na fronteira est&#225; o temor de fortalecer os militantes separatistas em seu pr&#243;prio territ&#243;rio. Atualmente, ambas as partes se encontram num fr&#225;gil processo de paz que busca por fim ao conflito iniciado em 1984, quando o PKK se levantou em armas contra a Turquia para exigir a independ&#234;ncia do Curdist&#227;o e o reconhecimento de direitos pol&#237;ticos aos curdos. O conflito provocou dura repress&#227;o estatal com mais de 40.000 mortos, a maioria de militantes curdos, e desde ent&#227;o o PKK &#233; considerado uma organiza&#231;&#227;o terrorista pela Uni&#227;o Europeia e os EUA. Calcula-se que haja 50 milh&#245;es de curdos (a maior popula&#231;&#227;o do mundo sem Estado pr&#243;prio) espalhados entre a Arm&#234;nia, a Turquia, o Ir&#227;, o Iraque e a S&#237;ria, uma hist&#243;ria tr&#225;gica que n&#227;o pode ser resolvida pelas m&#227;os das pot&#234;ncias imperialistas, cuja pol&#237;tica &#233; eternizar a escraviza&#231;&#227;o dos povos oprimidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estes protestos poderiam se desenvolver numa importante crise interna do regime de Erdogan, j&#225; debilitado como produto das manifesta&#231;&#245;es na pra&#231;a Taksim em 2013, agravando a instabilidade da coaliz&#227;o liderada pelos Estados Unidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os Estados Unidos, que bombardeia a S&#237;ria sem autoriza&#231;&#227;o do governo local, descarta qualquer colabora&#231;&#227;o com Assad para derrotar o inimigo comum. Entretanto, seu objetivo de treinar a oposi&#231;&#227;o s&#237;ria para servir de tropa terrestre contra o Estado Isl&#224;&#162;mico se enfrenta com a percep&#231;&#227;o crescente da oposi&#231;&#227;o de que esta ofensiva serve de salvavidas ao regime de Assad. A debilidade das tropas iraquianas e a previs&#227;o de uma opera&#231;&#227;o que durar&#225; anos preenche de incertezas os pa&#237;ses imperialistas no s&#233;timo ano da crise mundial, recolocando o debate sobre a necessidade do envio de tropas norteamericanas e o fantasma das derrotas no Iraque e no Afeganist&#227;o durante a administra&#231;&#227;o Bush.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Uma ordem mundial em disputa na Ucr&#226;nia</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Uma-ordem-mundial-em-disputa-na-Ucrania</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Uma-ordem-mundial-em-disputa-na-Ucrania</guid>
		<dc:date>2014-09-17T04:00:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Europa</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>C&#225;ucaso</dc:subject>
		<dc:subject>Europa del Este</dc:subject>
		<dc:subject>Rusia</dc:subject>
		<dc:subject>Ucrania</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Como resposta &#227; crescente implica&#231;&#227;o militar russa no conflito ucraniano, a Alian&#231;a do Atl&#224;&#162;ntico (OTAN) se prepara para acelerar seus planos de criar uma for&#231;a de rea&#231;&#227;o r&#225;pida, com equipamentos leves e composta por &#8220;v&#225;rios milhares&#8221; de soldados, capazes de serem destacados em pouco tempo contra potenciais agress&#245;es russas. Em meio &#227; pr&#243;xima reuni&#227;o do Conselho de Seguran&#231;a das Na&#231;&#245;es Unidas, as for&#231;as ucranianas perderam diversos pontos estrat&#233;gicos para os separatistas, como a cidade de Novoazovsk (pr&#243;ximo ao porto de Mari&#250;pol no mar de Azov, principal cidade de Donetsky) e o aeroporto da prov&#237;ncia de Lugansk. Isto fortaleceu o discurso do presidente russo Vladimir Putin para que o governo de Kiev aceite a exig&#234;ncia de maior autonomia para as prov&#237;ncias de fala russa na Ucr&#226;nia, ao qual o governo de Poroshenko se nega, anunciando levar para Washington a exig&#234;ncia de que os rebeldes pr&#243;-russos sejam reconhecidos como &#8220;organiza&#231;&#245;es terroristas&#8221;.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Europa" rel="tag"&gt;Europa&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Caucaso" rel="tag"&gt;C&#225;ucaso&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Europa-del-Este" rel="tag"&gt;Europa del Este&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Rusia" rel="tag"&gt;Rusia&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Ucrania" rel="tag"&gt;Ucrania&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH98/arton8453-87f02.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='98' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Como resposta &#227; crescente implica&#231;&#227;o militar russa no conflito ucraniano, a Alian&#231;a do Atl&#224;&#162;ntico (OTAN) se prepara para acelerar seus planos de criar uma for&#231;a de rea&#231;&#227;o r&#225;pida, com equipamentos leves e composta por &#8220;v&#225;rios milhares&#8221; de soldados, capazes de serem destacados em pouco tempo contra potenciais agress&#245;es russas. Em meio &#227; pr&#243;xima reuni&#227;o do Conselho de Seguran&#231;a das Na&#231;&#245;es Unidas, as for&#231;as ucranianas perderam diversos pontos estrat&#233;gicos para os separatistas, como a cidade de Novoazovsk (pr&#243;ximo ao porto de Mari&#250;pol no mar de Azov, principal cidade de Donetsky) e o aeroporto da prov&#237;ncia de Lugansk. Isto fortaleceu o discurso do presidente russo Vladimir Putin para que o governo de Kiev aceite a exig&#234;ncia de maior autonomia para as prov&#237;ncias de fala russa na Ucr&#226;nia, ao qual o governo de Poroshenko se nega, anunciando levar para Washington a exig&#234;ncia de que os rebeldes pr&#243;-russos sejam reconhecidos como &#8220;organiza&#231;&#245;es terroristas&#8221;. Esta escalada ret&#243;rica do secret&#225;rio geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, atende a esses interesses, beirando uma histeria militarista sem paralelo desde a queda dos Estados oper&#225;rios burocratizados no in&#237;cio dos anos '90, com direito &#227; &#8220;constru&#231;&#227;o de instala&#231;&#245;es militares&#8221; e &#8220;melhorias na infraestrutura&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;George Friedman, &#8220;Europe's Malaise: the new normal?&#8221;, Stratfor, 19/8.&#034; id=&#034;nh2-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; da OTAN (leia-se: Pol&#244;nia, Let&#244;nia, Est&#244;nia e Litu&#226;nia). O acordo de cessar-fogo, travado esta quarta-feira entre R&#250;ssia e Ucr&#226;nia, &#233; altamente fr&#225;gil, uma vez que o governo Putin n&#227;o deseja nenhum tipo de tr&#233;gua permanente que retire os resultados da bem sucedida ofensiva das mil&#237;cias pr&#243;-russas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A propaganda de &#8220;desarmamento&#8221; no Leste europeu, depois da queda da Uni&#227;o Sovi&#233;tica em 1991, promovida pelos Estados Unidos e pela Europa para desativar o poderio das instala&#231;&#245;es militares reguladas por Moscou, marcou uma etapa de reorganiza&#231;&#227;o pol&#237;tica destes pa&#237;ses sob a tutela norteamericana e da OTAN. Esta etapa de ofensiva ocidental, que abocanhou a Pol&#244;nia e os pa&#237;ses b&#225;lticos e os removeu da zona de influ&#234;ncia da R&#250;ssia, pode estar chegando ao fim com o conflito ucraniano, o mais importante desde o fim da Guerra Fria, e que est&#225; determinando as caracter&#237;sticas de uma ordem mundial incerta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&#8220;A R&#250;ssia j&#225; n&#227;o considera a OTAN um s&#243;cio, mas um &#171;advers&#225;rio&#8221;&lt;/strong&gt;&#187;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A constitui&#231;&#227;o desta &#8220;tropa de rea&#231;&#227;o r&#225;pida&#8221; da OTAN n&#227;o poderia atender a crise imediata na Ucr&#226;nia, uma vez que as incurs&#245;es russas se d&#227;o na parte oriental e sul do pa&#237;s (que fazem fronteira com a R&#250;ssia). A justificativa da OTAN &#233; que esta for&#231;a preventiva atuaria sob qualquer sinal de desestabiliza&#231;&#227;o dos pa&#237;ses b&#225;lticos aliados e da Pol&#244;nia, que pediram uma atitude mais firme em sua defesa por parte da Alian&#231;a do Atl&#224;&#162;ntico desde a anexa&#231;&#227;o da Crim&#233;ia. A quest&#227;o reside em que esta oferta de prote&#231;&#227;o permanente viola os acordos da OTAN com Moscou, travados em 1997, sob os quais se prontificava a n&#227;o concentrar um n&#250;mero substancial de soldados no Leste europeu em bases permanentes. Ainda que a proposta seja de &#8220;rotatividade de tropas&#8221;, de fato isso significaria uma presen&#231;a permanente de soldados da OTAN nos pa&#237;ses b&#225;lticos. O refor&#231;o de tropas nesta regi&#227;o &#8211; j&#225; est&#225; previsto o envio de armamento pesado &#227; Est&#244;nia, com tanques e blindados &#8211; se combina com a aprova&#231;&#227;o, na pr&#243;xima c&#250;pula da Alian&#231;a em Gales, de novas bases no Leste e a instala&#231;&#227;o de um escudo nuclear por parte do governo de Washington.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como produto da poss&#237;vel ruptura do acordo de 1997, o governo Putin anunciou que introduzir&#225; altera&#231;&#245;es em sua doutrina militar frente a estas novas amea&#231;as, principalmente levando em considera&#231;&#227;o que a OTAN &#8211; bloco militar ocidental durante a Guerra Fria que, diferentemente que o Pacto de Vars&#243;via sovi&#233;tico, n&#227;o se dissolveu depois da queda da URSS &#8211; continua avan&#231;ando para o leste e incrementando seu potencial ofensivo. O vice-secretario do Conselho de Seguran&#231;a russo, Mikhail Popov, chegou a expressar com nitidez a percep&#231;&#227;o do Kremlin de que &#8220;a aproxima&#231;&#227;o da infraestrutura militar dos pa&#237;ses membros da OTAN &#225;s fronteiras de nosso pa&#237;s conservar&#225; seu lugar como um dos perigos militares &#227; Federa&#231;&#227;o Russa&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda que as apar&#234;ncias de uma situa&#231;&#227;o &#8220;pr&#233;-guerra&#8221; estejam impregnando os discursos, o s&#233;timo ano da crise mundial que golpeia tanto a economia norteamericana (com alto n&#237;vel de desemprego e longe de recuperar sua situa&#231;&#227;o econ&#244;mica pr&#233;-2008) quanto a d&#233;bil economia russa (incapaz de representar uma alternativa aos pa&#237;ses do Leste, crescendo 1,3% em 2013) e os limites tanto dos EUA quanto da R&#250;ssia em afrontar os desafios da anexa&#231;&#227;o da Crim&#233;ia e da pr&#243;pria interven&#231;&#227;o ocidental na Ucr&#226;nia, fazem com que a perspectiva de um conflito armado n&#227;o esteja colocada no tabuleiro por ora. A pol&#237;tica externa do imperialismo norteamericano durante a administra&#231;&#227;o Obama, de fechar os conflitos herdados no Oriente M&#233;dio e dirigir-se &#227; &#193;sia-Pac&#237;fico para conter a ascens&#227;o da China, exigem medidas preparat&#243;rias que incluem o enfraquecimento das alian&#231;as pol&#237;ticas russas na &#193;sia e na Europa. Este refor&#231;o da presen&#231;a militar ocidental &#225;s portas da fronteira russa &#233; a continuidade dos movimentos norteamericanos iniciados na Ucr&#226;nia, e atende ao objetivo de remover mais um ponto de apoio de Moscou para sua proje&#231;&#227;o regional. Entretanto, fruto das derrotas no Iraque e no Afeganist&#227;o e a aus&#234;ncia relativa de uma estrat&#233;gia de conten&#231;&#227;o por parte dos EUA, torna-se cada vez mais dif&#237;cil concluir os desafios preparat&#243;rios. N&#227;o &#233; demasiado lembrar que os conflitos no Oriente M&#233;dio persistem, tanto no recente massacre do Estado terrorista de Israel sobre a Palestina, quanto a atual ofensiva yihadista do Estado Isl&#224;&#162;mico sobre o Iraque, o que imp&#244;s aos Estados Unidos uma alian&#231;a com velhos advers&#225;rios, como as mil&#237;cias xiitas, o regime s&#237;rio do ditador Bashar al-Assad e o Ir&#227; dos aiatol&#225;s, que j&#225; trazem enormes contradi&#231;&#245;es &#227; pol&#237;tica ianque.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Da diplomacia entre os pa&#237;ses aos interesses interestatais de uma nova ordem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O conflito ucraniano se est&#225; convertendo em uma pe&#231;a chave da geopol&#237;tica mundial e est&#225; determinando a rela&#231;&#227;o entre as pot&#234;ncias nos pr&#243;ximos anos. A reacion&#225;ria oligarquia russa (que financia grupos armados ultranacionalistas de extrema direita contra a popula&#231;&#227;o ucraniana e persegue homossexuais na R&#250;ssia) busca mostrar-se &#8220;impassivo e dialog&#225;vel&#8221; propondo aos EUA empregar sua influ&#234;ncia para resolver a situa&#231;&#227;o pacifica e n&#227;o militarmente. Este discurso trata de conciliar os &#226;nimos com a Europa e principalmente, com a Alemanha: a nova s&#233;rie de san&#231;&#245;es econ&#244;micas da Comiss&#227;o Europ&#233;ia contra a R&#250;ssia exprime em verdade a vontade pol&#237;tica da chanceler alem&#227;, Angela Merkel, de buscar um acordo o mais r&#225;pido poss&#237;vel entre R&#250;ssia e Ucr&#226;nia, disciplinando o conflito, estabilizando suas rela&#231;&#245;es com o Leste e impondo-se n&#227;o s&#243; como l&#237;der econ&#244;mica mas tamb&#233;m pol&#237;tica da Europa. Tal orienta&#231;&#227;o &#233; totalmente contr&#225;ria aos interesses da administra&#231;&#227;o Obama, que deseja separar ao m&#225;ximo a Alemanha e a Uni&#227;o Europeia de qualquer acordo com o governo de Moscou, revivendo tens&#245;es passadas com o aux&#237;lio do cad&#225;ver vivo que &#233; a OTAN.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para al&#233;m dos interesses pol&#237;ticos alem&#227;es de se desfazerem da tutela norteamericana, a Alemanha se encontra &#225;s portas de novos abalos recessivos: teve queda de 0.2% do PIB no &#250;ltimo trimestre, numa situa&#231;&#227;o em que nenhum membro da Uni&#227;o Europeia (exceto a Irlanda) cresceu mais de 1%, e em que 15 dos 28 pa&#237;ses membros possuem taxas estarrecedoras de desemprego, acima de 10%. O perigo destes dados &#233; que o emprego est&#225;vel na Alemanha depende das exporta&#231;&#245;es a uma Europa cujo apetite por seus produtos est&#225; gravemente limitado em meio ao baixo crescimento e recess&#227;o prolongada [1]. Esta situa&#231;&#227;o se agravaria caso a Alemanha restringisse rela&#231;&#245;es comerciais com a R&#250;ssia (tiveram interc&#226;mbio comercial de 77 bilh&#245;es de euros em 2013 e as empresas alem&#227;s tem investimentos calculados em 20 bilh&#245;es de euros na R&#250;ssia), sem mencionar o mais importante: a depend&#234;ncia de Berlim frente aos recursos energ&#233;ticos russos. Os russos acariciam vorazmente estas necessidades alem&#227;s de uma alian&#231;a entre os dois pa&#237;ses. Immanuel Wallerstein, por ocasi&#227;o dos tratados comerciais entre a China e a R&#250;ssia, escreve:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8220;A Alemanha est&#225; claramente dividida acerca da perspectiva de incluir a R&#250;ssia em uma esfera europeia. A vantagem da Alemanha em um acerto assim seria consolidar sua base de consumidores na R&#250;ssia para sua produ&#231;&#227;o, garantir suas necessidades energ&#233;ticas e incorporar a for&#231;a militar russa a seu planejamento global de longo prazo. Dado que isto tornaria inevit&#225;vel a cria&#231;&#227;o de uma Europa p&#243;s-OTAN, existe oposi&#231;&#227;o &#227; ideia n&#227;o s&#243; na Alemanha, mas claro na Pol&#244;nia e nos Estados b&#225;lticos. Desde o ponto de vista da R&#250;ssia, o objetivo do tratado de amizade R&#250;ssia-China &#233; fortalecer a posi&#231;&#227;o daqueles na Alemanha favor&#225;veis a trabalhar com a R&#250;ssia.&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Immanuel Wallerstein, &#8220;El juego geopol&#237;tico ruso-chino&#8221;, La Jornada, 8/6.&#034; id=&#034;nh2-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sinteticamente, a estrat&#233;gia russa se movimenta em meio &#225;s contradi&#231;&#245;es mais agudas entre os Estados Unidos e a Alemanha. N&#227;o podemos descartar que Putin se arrisque, em margens seguras, a conquistar posi&#231;&#245;es muito maiores que a Crim&#233;ia na Ucr&#226;nia, consolidando sua influ&#234;ncia sobre as prov&#237;ncias ucranianas mais importantes economicamente, Lugansk e Donetsk, caso o governo de Kiev n&#227;o aceite um regime federativo de maior autonomia &#225;s prov&#237;ncias. A escalada no discurso de refor&#231;o militar permanente dos dois lados da antiga &#8220;Cortina de Ferro&#8221; no Leste europeu p&#245;e &#227; mostra as fraturas deixadas pelas guerras mundiais e o car&#225;ter reacion&#225;rio das divis&#245;es entre fronteiras nacionais. A grande fissura que salta aos olhos &#233; que com o aprofundamento do conflito ucraniano fica cada vez mais evidente que a conclus&#227;o da orienta&#231;&#227;o pol&#237;tica externa dos Estados Unidos depende em boa medida de uma Alemanha subordinada, o que vai no sentido contr&#225;rio de os interesses geopol&#237;ticos alem&#227;es. Produto da crise econ&#244;mica mundial em curso e do decl&#237;nio hegem&#244;nico dos Estados Unidos, as perspectivas de grandes convuls&#245;es mundiais voltam a aparecer na mesma regi&#227;o em que, h&#225; 100 anos, disparou o gatilho da Primeira Guerra Mundial.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb2-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;George Friedman, &#8220;Europe's Malaise: the new normal?&#8221;, Stratfor, 19/8.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Immanuel Wallerstein, &#8220;El juego geopol&#237;tico ruso-chino&#8221;, La Jornada, 8/6.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Os acordos de &#8220;rendi&#231;&#227;o incondicional&#8221; dos palestinos depois do massacre em Gaza</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Os-acordos-de-rendicao-incondicional-dos-palestinos-depois-do-massacre-em-Gaza</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Os-acordos-de-rendicao-incondicional-dos-palestinos-depois-do-massacre-em-Gaza</guid>
		<dc:date>2014-08-08T00:30:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Medio Oriente</dc:subject>
		<dc:subject>EE.UU.</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica Internacional</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Mundo &#193;rabe</dc:subject>
		<dc:subject>Estado de Israel</dc:subject>
		<dc:subject>Estados Unidos</dc:subject>
		<dc:subject>Palestina</dc:subject>
		<dc:subject>&#161;Alto a la masacre, fuera Israel de Palestina!</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;No dia 5 de agosto, quase um m&#234;s depois do in&#237;cio da ofensiva de Tel-Aviv sobre a Faixa de Gaza, o Ex&#233;rcito de Israel, a mil&#237;cia do Hamas e distintos grupos isl&#224;&#162;micos conclu&#237;ram uma tr&#233;gua de 72 horas. Em meio a reiteradas advert&#234;ncias do secret&#225;rio de Estado norteamericano, John Kerry, de que &#8220;ambas as partes devem ceder para chegar a um acordo de cessar-fogo duradouro&#8221; (momentos depois de os EUA conceder US$ 230 milh&#245;es de d&#243;lares para que o Ex&#233;rcito israelense continuasse operando contra o povo palestino), as negocia&#231;&#245;es no Egito culminaram na retirada das tropas israelenses do territ&#243;rio da Faixa de Gaza. No twitter do Ex&#233;rcito de Israel publicava-se a mensagem &#8220;miss&#227;o cumprida&#8221; (referindo-se &#227; destrui&#231;&#227;o dos &#8220;t&#250;neis terroristas&#8221; do Hamas, que facilitavam a aproxima&#231;&#227;o com o territ&#243;rio de Israel). Em verdade, os resultados s&#227;o 1.881 palestinos mortos (1400 civis, com 400 crian&#231;as), 9.563 feridos, 520.000 palestinos desalojados e um rastro de destrui&#231;&#227;o de boa parte da infraestrutura da Faixa, com edif&#237;cios, sistemas de distribui&#231;&#227;o de &#225;gua e eletricidade, hospitais, escolas e centrais el&#233;tricas danificadas ou inutilizadas, num valor total de US$ 5 bilh&#245;es[1]. Israel se aplicou a atacar inclusive as escolas de refugiados da ONU (que abrigam quase 300.000 palestinos) matando centenas de pessoas. Do lado israelense, s&#227;o 67 mortos (64 soldados e tr&#234;s civis): mais uma vez, n&#227;o se trata de uma &#8220;guerra&#8221;, mas de um massacre, o maior em d&#233;cadas deste ex&#233;rcito opressor apoiado numa ocupa&#231;&#227;o colonialista do territ&#243;rio hist&#243;rico da Palestina.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Medio-Oriente" rel="tag"&gt;Medio Oriente&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/EE-UU-5" rel="tag"&gt;EE.UU.&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Politica-Internacional" rel="tag"&gt;Pol&#237;tica Internacional&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Mundo-Arabe" rel="tag"&gt;Mundo &#193;rabe&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estado-de-Israel" rel="tag"&gt;Estado de Israel&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estados-Unidos-184" rel="tag"&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Palestina" rel="tag"&gt;Palestina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Alto-a-la-masacre-fuera-Israel-de-Palestina" rel="tag"&gt;&#161;Alto a la masacre, fuera Israel de Palestina!&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH86/arton8255-eb14b.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='86' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;No dia 5 de agosto, quase um m&#234;s depois do in&#237;cio da ofensiva de Tel-Aviv sobre a Faixa de Gaza, o Ex&#233;rcito de Israel, a mil&#237;cia do Hamas e distintos grupos isl&#224;&#162;micos conclu&#237;ram uma tr&#233;gua de 72 horas. Em meio a reiteradas advert&#234;ncias do secret&#225;rio de Estado norteamericano, John Kerry, de que &#8220;ambas as partes devem ceder para chegar a um acordo de cessar-fogo duradouro&#8221; (momentos depois de os EUA conceder US$ 230 milh&#245;es de d&#243;lares para que o Ex&#233;rcito israelense continuasse operando contra o povo palestino), as negocia&#231;&#245;es no Egito culminaram na retirada das tropas israelenses do territ&#243;rio da Faixa de Gaza. No twitter do Ex&#233;rcito de Israel publicava-se a mensagem &#8220;miss&#227;o cumprida&#8221; (referindo-se &#227; destrui&#231;&#227;o dos &#8220;t&#250;neis terroristas&#8221; do Hamas, que facilitavam a aproxima&#231;&#227;o com o territ&#243;rio de Israel). Em verdade, os resultados s&#227;o 1.881 palestinos mortos (1400 civis, com 400 crian&#231;as), 9.563 feridos, 520.000 palestinos desalojados e um rastro de destrui&#231;&#227;o de boa parte da infraestrutura da Faixa, com edif&#237;cios, sistemas de distribui&#231;&#227;o de &#225;gua e eletricidade, hospitais, escolas e centrais el&#233;tricas danificadas ou inutilizadas, num valor total de US$ 5 bilh&#245;es&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Dados da Oficina de Assuntos Humanit&#225;rios da ONU.&#034; id=&#034;nh3-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Israel se aplicou a atacar inclusive as escolas de refugiados da ONU (que abrigam quase 300.000 palestinos) matando centenas de pessoas. Do lado israelense, s&#227;o 67 mortos (64 soldados e tr&#234;s civis): mais uma vez, n&#227;o se trata de uma &#8220;guerra&#8221;, mas de um massacre, o maior em d&#233;cadas deste ex&#233;rcito opressor apoiado numa ocupa&#231;&#227;o colonialista do territ&#243;rio hist&#243;rico da Palestina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O cessar-fogo acordado pela intermedia&#231;&#227;o do governo golpista eg&#237;pcio de Abdelfattah Al-Sisi (que desde o golpe preventivo que derrubou o governo da Irmandade Mu&#231;ulmana em 2013 fechou a passagem de Rafah, a &#250;nica via de acesso pela qual transitavam os palestinos da Faixa de Gaza para o Egito) ainda significam uma repugnante &#8220;rendi&#231;&#227;o incondicional&#8221; do povo palestino &#225;s mesmas condi&#231;&#245;es anteriores ao ataque. As exig&#234;ncias do levantamento do bloqueio &#227; Gaza, vigente desde 2007 com a vit&#243;ria eleitoral do Hamas, e da liberta&#231;&#227;o dos presos palestinos n&#227;o foram parte do acordo. As condena&#231;&#245;es da ONU e suas delibera&#231;&#245;es de se o ex&#233;rcito sionista estava cometendo &#8220;crimes de guerra&#8221; resultaram em nada, enquanto se vale da carta dos &#8220;dois dem&#244;nios&#8221; para equiparar, como se fossem a mesma coisa, as matan&#231;as e a limpeza &#233;tnica do ex&#233;rcito sionista e a &#8220;viol&#234;ncia&#8221; de um povo oprimido que h&#225; 66 anos foi expulso de suas terras origin&#225;rias, amontoado em Gaza e na Cisjord&#226;nia, duas por&#231;&#245;es de terras descont&#237;nuas, com 2,5 milh&#245;es de &#8220;&#225;rabes israelenses' considerados cidad&#227;os de segunda categoria, e mais de 8 milh&#245;es de palestinos na di&#225;spora sem direito de retorno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As contradi&#231;&#245;es do projeto de avan&#231;o sionista&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas esta ofensiva trouxe distintos custos pol&#237;ticos ao primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O apoio dos israelenses &#227; ofensiva terrestre caiu de 85% no in&#237;cio da opera&#231;&#227;o para 65%&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;El Pa&#237;s, 5/8.&#034; id=&#034;nh3-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, apesar da intensa campanha nacionalista e o forte &#243;dio anti-&#225;rabe amplificado pela m&#237;dia, que colocou a popularidade de Netanyahu em seus melhores momentos. Isso &#233; fruto das massivas mobiliza&#231;&#245;es em diversos pa&#237;ses do mundo exigindo fim imediato da ocupa&#231;&#227;o e do bombardeio contra Gaza, em especial em pa&#237;ses como Fran&#231;a (em que os manifestantes se enfrentaram com a pol&#237;tica reacion&#225;ria do governo &#8220;socialista&#8221; de Hollande, que proibiu os protestos pr&#243;-palestinos), mas tamb&#233;m na Inglaterra, na B&#233;lgica, em distintos pa&#237;ses &#225;rabes e tamb&#233;m nos Estados Unidos (o &lt;i&gt;The Economist&lt;/i&gt;, insuspeito defensor dos sionistas, critica o massacre de crian&#231;as e faz notar a queda de apoio a Israel entre os norteamericanos), o que gerou fric&#231;&#245;es entre o governo israelense e a administra&#231;&#227;o Obama durante as opera&#231;&#245;es, para selar propostas de negocia&#231;&#227;o rejeitadas reiteradamente por Israel, embora todas se fundassem na rendi&#231;&#227;o incondicional dos palestinos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O governo norteamericano teve de condenar publicamente como &#8220;inaceit&#225;vel e vergonhoso&#8221; o bombardeio de uma escola de refugiados da ONU, como express&#227;o da irrita&#231;&#227;o pelo exorbitante n&#250;mero de baixas civis. Por sua parte, em vista da magnitude do massacre, o Estado espanhol freou a venda de armamentos a Israel por conta da ofensiva, e pa&#237;ses como Brasil, Chile, Peru, El Salvador e Equador retiraram seus embaixadores de Tel-Aviv (Evo Morales da Bol&#237;via qualificou Israel de &#8220;estado terrorista&#8221; e renunciou ao acordo diplom&#225;tico de 1972 que permitia o ingresso de israelenses sem visto no pa&#237;s). Estas medidas, embora todas diplom&#225;ticas e midi&#225;ticas por parte de governos repressivos que mant&#234;m todas as rela&#231;&#245;es comerciais com o estado sionista, aumentaram o isolamento relativo de Israel em meio &#227; opera&#231;&#227;o Margem Protetora, o que for&#231;ou Netanyahu e Avigdor Lieberman a se disciplinarem ao comando de Washington e aceitarem um cessar-fogo imediato.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto isso, embora a um custo alt&#237;ssimo, o Hamas suportou a ofensiva, sustentou seu operativo de m&#237;sseis e conseguiu infligir consider&#225;veis baixas aos invasores, incluindo altos oficiais e soldados de elite, fortalecendo-se dentro da Faixa, produto da n&#227;o aceita&#231;&#227;o dos chamados anteriores de um cessar-fogo, condicionando qualquer negocia&#231;&#227;o ao fim do bloqueio e &#227; soltura dos presos. Isso, no marco da perda de apoio do Ir&#227; (ap&#243;s ter apoiado a revolta contra Al Assad na S&#237;ria) e da queda do aliado Mohammed Morsi no Egito (o que obrigou o Hamas a um acordo para um governo de unidade com a Organiza&#231;&#227;o pela Liberta&#231;&#227;o da Palestina de Mahmud Abbas, que governa a Cisjord&#226;nia, que por sua vez o necessitava para encobrir sua pol&#237;tica de colabora&#231;&#227;o aberta com Israel e o imperialismo norteamericano). Uma conquista pol&#237;tica ainda maior ser reconhecido como parte das negocia&#231;&#245;es na capital eg&#237;pcia, mesmo sendo considerado uma &#8220;organiza&#231;&#227;o terrorista&#8221; pelos EUA e pela UE. Embora renunciando &#227; possibilidade de possuir qualquer membro dentro do governo de unifica&#231;&#227;o, ap&#243;s a Opera&#231;&#227;o as reivindica&#231;&#245;es do Hamas terminaram por se impor a Abbas, que nas negocia&#231;&#245;es deste 6/8 reconheceu que &#8220;as demandas dos isl&#224;&#162;micos j&#225; s&#227;o as de todo o povo palestino&#8221;. O rep&#250;dio dos l&#237;deres do Hamas ao chamado pela &#8220;desmilitariza&#231;&#227;o completa da Faixa&#8221; do governo de Netanyahu represtigia esta dire&#231;&#227;o isl&#224;&#162;mica ligada aos governos &#225;rabes mais reacion&#225;rios da regi&#227;o. Entretanto, a disposi&#231;&#227;o do Hamas em debater a possibilidade de abandonar temporariamente a reivindica&#231;&#227;o do fim do bloqueio em troca de um porto e um aeroporto, que sob qualquer hip&#243;tese n&#227;o seria controlado pela pr&#243;pria Faixa de Gaza (condi&#231;&#227;o sine qua non para Israel), mostra a influ&#234;ncia da OLP e dos interesses dos governos &#225;rabes em &#8220;sustentar a estabilidade regional&#8221; sobre este movimento isl&#224;&#162;mico, incapaz de se colocar &#227; altura da luta por terminar com as condi&#231;&#245;es que permitem estes massacres recorrentes: a expuls&#227;o do imperialismo e a destrui&#231;&#227;o do Estado terrorista de Israel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&#201; preciso terminar com as condi&#231;&#245;es dos massacres recorrentes do povo palestino&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;George Friedman, do think-tank Stratfor, numa abordagem mais global da quest&#227;o Israel-Palestina, &#8220;inerentemente insol&#250;vel&#8221; (porque defende a exist&#234;ncia de Israel), apoiando-se no fato de que &#8220;com o tempo, a situa&#231;&#227;o de Israel n&#227;o pode ficar muito melhor do que est&#225;, e a da Palestina n&#227;o pode ficar pior&#8221;, opina que &#8220;os israelenses n&#227;o acreditam que possam impor sua vontade sobre Gaza e obrigar os palestinos a alcan&#231;ar um n&#237;vel de comodidade pol&#237;tica com Israel. O prop&#243;sito da guerra &#233; impor sua vontade pol&#237;tica sobre o inimigo. Entretanto, a menos que Israel nos surpreenda tremendamente, nada decisivo emergir&#225; deste conflito. Ainda que Israel destru&#237;sse o Hamas, outra organiza&#231;&#227;o emergiria para preencher o vazio no ecossistema palestino [...] A posi&#231;&#227;o palestina pode ser manter sua coes&#227;o pol&#237;tica e aguardar, usando sua posi&#231;&#227;o para abrir brechas entre Israel e seus patr&#245;es estrangeiros, principalmente os Estados Unidos, mas entendendo que a &#250;nica mudan&#231;a no status quo vir&#225; de mudan&#231;as fora da esfera de rela&#231;&#227;o Israel-Palestina [...] Os israelenses, por sua parte, podem manter sua superioridade estrat&#233;gica pelo m&#225;ximo tempo poss&#237;vel. Mas nada dura para sempre. A fora relativa de Israel declinar&#225;, enquanto que a for&#231;a relativa dos palestinos pode aumentar, embora n&#227;o seja certo&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;George Friedman, &#8220;Gaming Israel and Palestine&#8221;, 29/7.&#034; id=&#034;nh3-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; O &lt;i&gt;The Economist&lt;/i&gt; levanta cautelosamente a necessidade de se encaminhar para uma sa&#237;da de &#8220;dois estados&#8221;, uma vez que os palestinos j&#225; s&#227;o maioria nos territ&#243;rios que compartilham, o que entraria em contradi&#231;&#227;o com o &#8220;ideal fundador da na&#231;&#227;o judia&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O dilema israelense est&#225; fundada em boa medida no abandono por parte de seu principal parceiro, os Estados Unidos, de uma clara estrat&#233;gia de conten&#231;&#227;o dos conflitos regionais (al&#233;m de demonstrar querer se aliar com inimigos hist&#243;ricos de Israel no Oriente M&#233;dio, como o caso do Ira e da Turquia). Assim, os objetivos da sangrenta Opera&#231;&#227;o sionista est&#227;o inscritos nos projetos de acordo: parte da estrat&#233;gia israelense &#233; se utilizar do debilitamento qualitativo das capacidades defensivas do Hamas para enfraquecer o governo de unidade palestino, apoiando-se nos setores mais capituladores do novo &#8220;Gabinete&#8221; palestino para acabar com as mil&#237;cias isl&#224;&#162;micas, retirar sua autonomia e incorpor&#225;-las nas for&#231;as policiais subordinadas a Israel.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;&#8220;Israel&#237;es y palestinos inician la negociaci&#243;n sobre Gaza en El Cairo&#8221;, El (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; O grande descr&#233;dito internacional &#233; um pre&#231;o a pagar para os sionistas. Os custos de repara&#231;&#227;o dos danos causados &#227; infraestrutura da Faixa seriam a via para obrigar o Hamas a estes compromissos. Esta sa&#237;da reacion&#225;ria, abonada pelo imperialismo norteamericano, pelo Egito e pelas petromonarquias &#225;rabes, aprofundar&#225; os sofrimentos do povo palestino, sem direito de retornar &#225;s suas terras, sem direito &#227; unifica&#231;&#227;o territorial e sob a cust&#243;dia deste enclave imperialista no Oriente M&#233;dio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A teoria dos &#8220;dois estados&#8221;, baseada nas fronteiras de 1967, nas mesmas condi&#231;&#245;es de ocupa&#231;&#227;o territorial por um ex&#233;rcito racista e colonialista e a desuni&#227;o das por&#231;&#245;es territoriais palestinas, provou apenas que o &#8220;direito de defender-se&#8221;de um estado opressor como Israel nega completamente o direito de exist&#234;ncia de um povo oprimido, como os palestinos (e o avan&#231;o dos assentamentos de colonos judeus mostram a sede por engolir uma por&#231;&#227;o maior destes territ&#243;rios divididos) . No extremo oposto daqueles que se colocam &#227; direita do governo Dilma e se &#8220;indignam contra a crucifica&#231;&#227;o do Estado democr&#225;tico de Israel&#8221;, como Solange Pacheco, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro pelo PSOL&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;&#8220;O PSOL e a posi&#231;&#227;o escandalosa de sua candidata Solange Pacheco&#8221;&#034; id=&#034;nh3-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, que n&#227;o s&#243; reconhece como defende este estado ilegal, exigimos o fim dos bombardeios e o imediato levantamento do bloqueio &#227; Gaza; pelo pleno direito de retorno dos palestinos exilados e &#227; sua autodetermina&#231;&#227;o nacional sob as ru&#237;nas do Estado colonialista de Israel, que s&#243; poder&#225; conquistar-se plenamente em uma Palestina oper&#225;ria e socialista em todo seu territ&#243;rio hist&#243;rico, onde possam viver em paz &#225;rabes e judeus.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb3-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Dados da Oficina de Assuntos Humanit&#225;rios da ONU.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;El Pa&#237;s&lt;/i&gt;, 5/8.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;George Friedman, &#8220;Gaming Israel and Palestine&#8221;, 29/7.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&#8220;Israel&#237;es y palestinos inician la negociaci&#243;n sobre Gaza en El Cairo&#8221;, El Pais, 6/8.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&#8220;O PSOL e a posi&#231;&#227;o escandalosa de sua candidata Solange Pacheco&#8221; &lt;a href=&#034;http://www.ft-ci.org/Brasil-O-PSOL-e-a-posicao-escandalosa-de-sua-candidata-Solange-Pacheco?lang=pt_br&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;http://www.ft-ci.org/Brasil-O-PSOL-e-a-posicao-escandalosa-de-sua-candidata-Solange-Pacheco?lang=pt_br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Lear: algumas li&#231;&#245;es de uma &#8220;escola de guerra&#8221; internacional</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Lear-algumas-licoes-de-uma-escola-de-guerra-internacional</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Lear-algumas-licoes-de-uma-escola-de-guerra-internacional</guid>
		<dc:date>2014-07-30T07:13:34Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Movimiento Obrero</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject>Argentina</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Lear Argentina</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;A dura luta dos trabalhadores da f&#225;brica de autope&#231;as Lear Corporation, na Argentina, contra as centenas de demiss&#245;es e suspens&#245;es ilegais promovidas por esta multinacional norteamericana, j&#225; se prolonga por 2 meses. Trata-se de uma hist&#243;rica &#8220;escola de guerra&#8221;, no sentido leninista, tanto pelas li&#231;&#245;es internacionais que proporciona, quanto pela for&#231;a conjunta dos inimigos que enfrenta: al&#233;m da patronal imperialista, fornecedora da Ford, conta em seus ataques antioper&#225;rios com a plena coniv&#234;ncia do Governo nacional de Cristina Kirchner e da burocracia sindical do SMATA. A dureza do ataque patronal corresponde ao fato do conflito se situar no cora&#231;&#227;o da ind&#250;stria argentina, em um sindicato chave da produ&#231;&#227;o, como efeito dos avan&#231;os n&#237;tidos do sindicalismo de base junto &#227; esquerda (particularmente o PTS &#8211; Partido dos Trabalhadores Socialistas, organiza&#231;&#227;o irm&#227; da LER-QI na Argentina) nas principais f&#225;bricas da zona norte de Buenos Aires.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Movimiento-Obrero" rel="tag"&gt;Movimiento Obrero&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Argentina-100" rel="tag"&gt;Argentina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Lear-Argentina" rel="tag"&gt;Lear Argentina&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH82/arton8205-dcff1.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='82' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;A dura luta dos trabalhadores da f&#225;brica de autope&#231;as Lear Corporation, na Argentina, contra as centenas de demiss&#245;es e suspens&#245;es ilegais promovidas por esta multinacional norteamericana, j&#225; se prolonga por 2 meses. Trata-se de uma hist&#243;rica &#8220;escola de guerra&#8221;, no sentido leninista, tanto pelas li&#231;&#245;es internacionais que proporciona, quanto pela for&#231;a conjunta dos inimigos que enfrenta: al&#233;m da patronal imperialista, fornecedora da Ford, conta em seus ataques antioper&#225;rios com a plena coniv&#234;ncia do Governo nacional de Cristina Kirchner e da burocracia sindical do SMATA. A dureza do ataque patronal corresponde ao fato do conflito se situar no cora&#231;&#227;o da ind&#250;stria argentina, em um sindicato chave da produ&#231;&#227;o, como efeito dos avan&#231;os n&#237;tidos do sindicalismo de base junto &#227; esquerda (particularmente o PTS &#8211; Partido dos Trabalhadores Socialistas, organiza&#231;&#227;o irm&#227; da LER-QI na Argentina) nas principais f&#225;bricas da zona norte de Buenos Aires.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O governo nacional tem uma estrat&#233;gia clara: tornar a Argentina um p&#243;lo de atra&#231;&#227;o de capitais estrangeiros e, para isso, precisa atuar mais decididamente como &#8220;partido da ordem&#8221; burguesa contra a vanguarda do movimento oper&#225;rio. Toda a oposi&#231;&#227;o patronal festeja que seja Cristina Kirchner quem imponha &#8220;linha dura&#8221; contra os setores avan&#231;ados dos trabalhadores. Isto faz com que, mesmo estando numa situa&#231;&#227;o absolutamente ilegal, a empresa tenha condi&#231;&#245;es de endurecer suas medidas contra os trabalhadores. A burocracia sindical, com o fim de varrer a camada crescente de trabalhadores de base e o ativismo que n&#227;o respondem a sua condu&#231;&#227;o, usou m&#233;todos da &#233;poca da ditadura, levando &#227; for&#231;a os oper&#225;rios de Lear em &#244;nibus at&#233; a sede do sindicato e, sob amea&#231;a dos capangas, de demiss&#227;o e fechamento da f&#225;brica, sem qualquer discuss&#227;o e impedindo presen&#231;a dos delegados pra que se defendessem, obrigou-os a assinar a destitui&#231;&#227;o dos delegados (4 trabalhadores que se negaram a assinar foram demitidos).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta a&#231;&#227;o ilegal e criminosa da empresa est&#225; a servi&#231;o de impor uma derrota r&#225;pida e esmagadora, pois, como dizia L&#234;nin, assim como a empresa, &#8220;o Governo compreende muito bem que as greves abrem os olhos dos oper&#225;rios, raz&#227;o porque tanto as teme e se esfor&#231;a a todo custo para sufoc&#225;-las o quanto antes&#8221;-. E abriu os olhos de trabalhadores, causando uma enorme como&#231;&#227;o em setores massivos da popula&#231;&#227;o, que se solidarizam com a demanda democr&#225;tica da defesa dos empregos. Trabalhadores das f&#225;bricas da zona norte e comiss&#245;es internas como da aliment&#237;cia Kraft, das gr&#225;ficas Donnelley e Printpack, de Paty e da autope&#231;as Gestamp, de professores de Buenos Aires e outras categorias, levam continuamente alimentos para sustentar o acampamento na porta de Lear. Estudantes das universidades da capital, junto &#227; Juventude do PTS e organiza&#231;&#245;es solid&#225;rias, fizeram escrachos em 50 pontos simult&#226;neos no pa&#237;s, nas sedes de empresas ianques como Ford e McDonald's. Em tr&#234;s Jornadas Nacionais de Luta contra as demiss&#245;es, milhares de trabalhadores que se organizam no Encontro Sindical Combativo bloquearam a rodovia Panamericana (principal acesso que liga a capital e a regi&#227;o industrial), e a entrada ao parque industrial, enfrentando-se com a pol&#237;cia ou mesmo com &#8220;piquetes em autom&#243;veis&#8221;, ajudando criativamente a paralisar a produ&#231;&#227;o em Lear e levar o conflito ao conhecimento p&#250;blico. Essa solidariedade das bases imp&#244;s at&#233; mesmo que setores da coaliz&#227;o do governo e da burocracia sindical fossem obrigados a se posicionar em defesa dos demitidos (ainda que procurem evitar uma conflu&#234;ncia oper&#225;ria).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta &#8220;uni&#227;o&#8221; da classe trabalhadora, na defesa de interesses comuns, &#233; uma conquista duradoura que ensina tamb&#233;m a &#8220;arte de lutar com intelig&#234;ncia&#8221; contra o inimigo de classe: &#8220;A greve ensina os oper&#225;rios a compreenderem onde repousa a for&#231;a dos patr&#245;es e onde a dos oper&#225;rios, ensina a pensarem n&#227;o s&#243; em seu patr&#227;o e em seus companheiros mais pr&#243;ximos, mas em todos os patr&#245;es, em toda a classe capitalista e em toda a classe oper&#225;ria [...], ent&#227;o os oper&#225;rios veem com clareza que toda a classe capitalista &#233; inimiga de toda a classe oper&#225;ria e que os oper&#225;rios s&#243; podem confiar em si mesmos e em sua uni&#227;o.&#8221; Tudo em fun&#231;&#227;o de refletir permanentemente como vencer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &#8220;parlamentarismo revolucion&#225;rio&#8221; daqueles que reivindicam a luta dos trabalhadores e a tradi&#231;&#227;o do trotskismo &#233; crucial fortalecer as batalhas extra-parlamentares dos trabalhadores. Com a contribui&#231;&#227;o de 100 mil pesos a partir da bancada do PTS na FIT, Nicolas Del Ca&#241;o e Christian Castillo s&#227;o parte da grande campanha para conseguir &#8220;1 milh&#227;o de pesos para a luta de Lear&#8221; como fundo de greve, organizando coletas, debates e festivais, para sustentar a luta pelo tempo que seja necess&#225;rio, fazendo com que os oper&#225;rios confiem em suas pr&#243;prias for&#231;as para derrotar a patronal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A envergadura alcan&#231;ada pelo conflito de Lear n&#227;o seria poss&#237;vel sem a estrat&#233;gia revolucion&#225;ria do PTS no movimento oper&#225;rio. Acreditamos que esta &#233; a forma de lutar corretamente em defesa das posi&#231;&#245;es conquistadas pelos trabalhadores e fazer com que a causa dos trabalhadores de uma f&#225;brica se torne a causa de todo o povo trabalhador. Retomando L&#234;nin no conceito de &#8220;escola de guerra&#8221;, em que os oper&#225;rios aprendem a declarar a guerra (ainda que n&#227;o se trate dela mesma) contra seus inimigos pela emancipa&#231;&#227;o de todo o povo, este escola internacional (com solidariedade ativa, fazendo surgir milit&#226;ncia oper&#225;ria, fundo de greve, parlamentarismo revolucion&#225;rio) &#233; prova de que &#233; tarefa dos revolucion&#225;rios organizar grandes batalhas de classe, e n&#227;o rebaixar a atividade do movimento oper&#225;rio aos limites da legalidade do regime burgu&#234;s. Como co-dire&#231;&#227;o do Sintusp, na greve dos trabalhadores da USP n&#243;s da LER-QI nos fundamos justamente sobre esta estrat&#233;gia para vencer, expressa por um mestre do comunismo: &#8220;os homens que resistem a tais calamidades para quebrar a oposi&#231;&#227;o de um burgu&#234;s, saber&#227;o tamb&#233;m quebrar a for&#231;a de toda a burguesia&#8221;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Estado espanhol: as greves her&#243;icas de Panrico e Coca Cola</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Estado-espanhol-as-greves-heroicas-de-Panrico-e-Coca-Cola</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Estado-espanhol-as-greves-heroicas-de-Panrico-e-Coca-Cola</guid>
		<dc:date>2014-07-02T23:17:12Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Andr&#233; Augusto</dc:creator>


		<dc:subject>Europa</dc:subject>
		<dc:subject>Movimiento Obrero</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>An&#225;lisis</dc:subject>
		<dc:subject>Crisis en el Estado espa&#241;ol</dc:subject>
		<dc:subject> LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil </dc:subject>
		<dc:subject>Estado espa&#241;ol</dc:subject>
		<dc:subject>Trabajadores de Panrico en lucha</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Ap&#243;s quase 40 anos de reinado, o Rei Juan Carlos I abdica o trono em favor de seu filho, Felipe de Bourbon, como medida para realavancar o prest&#237;gio desta institui&#231;&#227;o reacion&#225;ria da monarquia, cravejada de casos de corrup&#231;&#227;o. Em meio &#227; crise econ&#244;mica e o afundamento dos partidos tradicionais da burguesia, a ren&#250;ncia do Rei abriu um novo per&#237;odo de mobiliza&#231;&#245;es democr&#225;ticas e da juventude como n&#227;o se via desde o 15M de 2011.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-portugues" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en portugu&#233;s&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Europa" rel="tag"&gt;Europa&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Movimiento-Obrero" rel="tag"&gt;Movimiento Obrero&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Tapa-Central" rel="tag"&gt;Actualidad&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Analisis" rel="tag"&gt;An&#225;lisis&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Crisis-en-el-Estado-espanol" rel="tag"&gt;Crisis en el Estado espa&#241;ol&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/LER-QI-Liga-Estrategia" rel="tag"&gt; LER-QI (Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria) do Brasil &lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Estado-espanol-183" rel="tag"&gt;Estado espa&#241;ol&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Trabajadores-de-Panrico-en-lucha" rel="tag"&gt;Trabajadores de Panrico en lucha&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH85/arton8073-f27a8.jpg?1695923148' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='85' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Ap&#243;s quase 40 anos de reinado, o Rei Juan Carlos I abdica o trono em favor de seu filho, Felipe de Bourbon, como medida para realavancar o prest&#237;gio desta institui&#231;&#227;o reacion&#225;ria da monarquia, cravejada de casos de corrup&#231;&#227;o. Em meio &#227; crise econ&#244;mica e o afundamento dos partidos tradicionais da burguesia, a ren&#250;ncia do Rei abriu um novo per&#237;odo de mobiliza&#231;&#245;es democr&#225;ticas e da juventude como n&#227;o se via desde o 15M de 2011. Sobre este panorama se desenvolve uma crise de representa&#231;&#227;o e do Regime pol&#237;tico, em que todas as suas institui&#231;&#245;es est&#227;o implicadas. Os principais partidos capitalistas impregnados por casos de corrup&#231;&#227;o acabam de sair dos suas piores vota&#231;&#245;es em todo o regime democr&#225;tico nas elei&#231;&#245;es europeias. A quest&#227;o nacional volta &#227; tona com as mobiliza&#231;&#245;es democr&#225;ticas no pa&#237;s Basco e na Catalunha. Este pano de fundo, com centenas de mobiliza&#231;&#245;es nas ruas de Barcelona e outras cidades por quest&#245;es democr&#225;ticas, contra os desalojamentos de moradia, se desenvolvem dois emblem&#225;ticos conflitos oper&#225;rios, grandes batalhas de classe que podem servir de exemplo ao movimento oper&#225;rio europeu: as greves de Panrico e de Coca Cola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Coca Cola: grande triunfo oper&#225;rio&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No &#250;ltimo dia 13 de junho, os trabalhadores espanh&#243;is selaram um grande triunfo contra a s&#233;rie de ataques das empresas (patrocinada pela Reforma trabalhista antioper&#225;ria dos governos do PSOE e do PP): a Audi&#234;ncia Nacional (tribunal de Justi&#231;a do Estado Espanhol) declarou nulo o Expediente de Regula&#231;&#227;o de Emprego&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Pacotes de reestrutura&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o e flexibiliza&#231;&#227;o trabalhista decididos (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; da Coca Cola Iberian Partners, medida que previa a demiss&#227;o de 1190 trabalhadores (821 demiss&#245;es j&#225; executadas) e o fechamento de quatro plantas (Fuenlabrada-Madr&#237;, Mallorca, Alicante e Ast&#250;rias). Ap&#243;s tr&#234;s meses de luta, principalmente com a dur&#237;ssima resist&#234;ncia oferecida pelos trabalhadores de Fuenlabrada (com piquetes na porta da f&#225;brica), a decis&#227;o judicial sup&#245;e a reincorpora&#231;&#227;o aos postos de trabalho de todos os companheiros e companheiras demitidos, assim como o pagamento integral dos sal&#225;rios desde que foi anunciado o Expediente pela empresa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este grande triunfo judicial dos oper&#225;rios de Coca Cola &#8211; que ser&#225; questionado pela empresa no Supremo Tribunal &#8211; se conseguiu atrav&#233;s da luta grevista, dos piquetes na porta da f&#225;brica e na mobiliza&#231;&#227;o. Seguindo o grande exemplo da luta de Panrico (em greve h&#225; oito meses, na maior greve desde o fim da ditadura franquista na Espanha, na d&#233;cada de '70) e coordenando-se com ela, os trabalhadores mostraram que se pode derrotar as patronais mais poderosas unificando as lutas em curso, sem descartar nenhum m&#233;todo de luta: deliberaram greve com ocupa&#231;&#227;o de f&#225;brica, buscando a solidariedade da popula&#231;&#227;o e abrindo uma campanha de boicote aos produtos da Coca Cola. As assembleias de base firmaram o caminho da coordena&#231;&#227;o com Panrico e outras greves, com manifesta&#231;&#245;es unificadas e demonstra&#231;&#245;es de solidariedade de diversas categorias oper&#225;rias na Europa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta luta, que continua contra todas as manobras da empresa, at&#233; a reabertura definitiva de Fuenlabrada e do restante das plantas, e a readmiss&#227;o de todos os trabalhadores aos postos de trabalho, d&#225; alento &#227; dif&#237;cil batalha de classe dos oper&#225;rios em Panrico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Panrico: a luta deve seguir contra os planos da patronal&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas semanas anteriores, para fazer frente a esta heroica greve, a tr&#237;ade entre o Governo da Catalunha (Generalitat), a empresa e a burocracia sindical de CCOO (Comiss&#245;es Oper&#225;rias) come&#231;ou a trabalhar incansavelmente para derrotar os trabalhadores. A Generalitat permitiu a viola&#231;&#227;o do direito de greve pela empresa, enquanto a burocracia sindical refor&#231;ou o isolamento a que vinha submetendo os grevistas, boicotando qualquer campanha de fundo de greve, tratando insistentemente de acabar com a luta, inclusive convocando supervisores e gerentes para votar o retorno ao trabalho nas assembleias. Nesta dif&#237;cil situa&#231;&#227;o, como viemos expressando no Palavra Oper&#225;ria, depois de recha&#231;ar a tentativa do Governo catal&#224;o de mediar o conflito em favor da empresa, os trabalhadores, com 98 votos a favor e 45 contra, decidiram levantar a greve.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de contar com fortes argumentos legais para exigir a anula&#231;&#227;o do ERE que pesa sobre a greve de Panrico, esta foi castigada pela mesma Audi&#234;ncia Nacional com uma senten&#231;a exemplar, com claro car&#225;ter punitivo, contra o exemplo que significava ao conjunto da classe oper&#225;ria europeia &#8211; com oito meses de piquetes, mobiliza&#231;&#245;es unit&#225;rias e campanhas democr&#225;ticas de fundo de greve e de boicote &#227; marca, que comoveram o pa&#237;s &#8211; como tamb&#233;m por terem se rebelado contra sua dire&#231;&#227;o sindical burocr&#225;tica, que desde o in&#237;cio da greve em 2013 se colocava no papel de porta-voz da empresa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde o Clase contra Clase (organiza&#231;&#227;o irm&#227; da LER-QI no Estado Espanhol), estivemos desde o primeiro dia em todas as medidas junto aos trabalhadores em greve, nos piquetes, atividades p&#250;blicas, movendo junto aos oper&#225;rios campanhas democr&#225;ticas, com fundos de luta, e de solidariedade nacional e internacional. Vemos necess&#225;rio, assim como durante a greve, colocar todas as nossas for&#231;as para que esta luta continue. Para n&#243;s, ainda era poss&#237;vel quebrar a resist&#234;ncia da patronal mantendo a greve e apontando medidas contundentes contra o governo da Generalitat (a luta de Coca Cola verificou a verdade do que cantavam os companheiros, &#8220;Se pode, se deve, lutar contra os EREs&#8221;). Que a luta de Panrico n&#227;o pudesse triunfar como a de Coca Cola est&#225;, em grande medida, no papel nefasto da burocracia sindical de CCOO, e mostrou em g&#233;rmen que s&#243; varrendo a burocracia dos sindicatos e das comiss&#245;es internas das f&#225;bricas &#233; poss&#237;vel colocar de p&#233; um novo movimento oper&#225;rio no Estado espanhol. Esta grande li&#231;&#227;o se expressou no retorno ao trabalho: o Comit&#234; de Empresa de Panrico-Santa Perpetua (dirigida pela burocracia) veio anunciar que a empresa n&#227;o deixaria nenhum trabalhador entrar e mandava todos de f&#233;rias; quando acabou de falar, um grupo de trabalhadores imediatamente anunciou ante a imprensa que juntariam assinaturas para revogar o Comit&#234;, que esteve contra a greve desde o come&#231;o. Para poder continuar a batalha em melhores condi&#231;&#245;es, h&#225; uma valios&#237;ssima experi&#234;ncia acumulada pelos companheiros de Panrico: &#233; preciso concentrar e organizar a for&#231;a dos trabalhadores de Panrico para derrotar a burocracia sindical como parte da luta contra as demiss&#245;es, e conquistar uma comiss&#227;o interna &#227; altura do hero&#237;smo que demonstraram.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meio &#227; crise econ&#244;mica e &#227; crise pol&#237;tica no pa&#237;s ap&#243;s a abdica&#231;&#227;o do Rei Juan Carlos I, Panrico e Coca Cola j&#225; mostraram qual &#233; o caminho para enfrentar a Reforma Trabalhista deste podre regime com ares medievais e seus partidos patronais: a greve, o boicote, a soberania das assembleias, a coordena&#231;&#227;o desde as bases e a democracia oper&#225;ria contra a burocracia sindical. Este &#233; o caminho para superar as travas burocr&#225;ticas do PSOE (que dirige a UGT) e do Partido Comunista Espanhol (PCE, que dirige a CCOO), que cont&#234;m as bases e permitem os ataques patronais &#225;s conquistas oper&#225;rias. Estas greves revigoram o potencial transformador da classe oper&#225;ria e seus m&#233;todos de luta.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb4-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 4-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Pacotes de reestrutura&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o e flexibiliza&#231;&#227;o trabalhista decididos pelas empresas, que tornam mais f&#225;ceis e baratas as demiss&#245;es, diminuem os sal&#225;rios, terceirizam os novos contratos, chegando mesmo a definir o fechamento de plantas para viabilizar sua transfer&#234;ncia a outros lugares, etc.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>



</channel>

</rss>
