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	<title> Fracci&#243;n Trotskista Cuarta Internacional </title>
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		<title>Demagogia e submiss&#227;o para salvar o capitalismo de sua decad&#234;ncia</title>
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		<dc:date>2008-11-19T12:19:20Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Econom&#237;a</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

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&lt;p&gt;Nos dias 8 e 9 de novembro reuniram-se os ministros da economia e chefe dos bancos centrais das 20 principais economias do mundo. Essa foi uma reuni&#227;o preparat&#243;ria para a reuni&#227;o dos chefes de Estado destes pa&#237;ses que ocorrer&#225; nos EUA no pr&#243;ximo dia 15 para &#034;discutir&#034; a crise que abala o capitalismo mundial. &lt;br class='autobr' /&gt;
Nas crises que atingiram o capitalismo nas &#250;ltimas d&#233;cadas, este tipo de reuni&#245;es restringia-se ao chamado G-7, que inclu&#237;am os principais pa&#237;ses imperialistas, ou o G-8, ao qual era (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Economia" rel="tag"&gt;Econom&#237;a&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://estrategiainternacional.org/local/cache-vignettes/L150xH114/arton1560-8f271.jpg?1695059083' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='114' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Nos dias 8 e 9 de novembro reuniram-se os ministros da economia e chefe dos bancos centrais das 20 principais economias do mundo. Essa foi uma reuni&#227;o preparat&#243;ria para a reuni&#227;o dos chefes de Estado destes pa&#237;ses que ocorrer&#225; nos EUA no pr&#243;ximo dia 15 para &#034;discutir&#034; a crise que abala o capitalismo mundial.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas crises que atingiram o capitalismo nas &#250;ltimas d&#233;cadas, este tipo de reuni&#245;es restringia-se ao chamado G-7, que inclu&#237;am os principais pa&#237;ses imperialistas, ou o G-8, ao qual era incorporada a R&#250;ssia. O pr&#243;prio fato de que desta vez foram incorporados os principais pa&#237;ses dependentes do capital imperialista &#233; uma mostra de como as supostas &#034;solu&#231;&#245;es&#034; encontradas nas crises anteriores n&#227;o passavam de medidas que &#034;empurravam para adiante&#034; as contradi&#231;&#245;es mais estruturais do capitalismo; ao mesmo tempo em que acumulavam contradi&#231;&#245;es ainda mais profundas que, mais cedo ou mais tarde explodiriam em uma crise de maiores propor&#231;&#245;es. &#201; um sintoma de que a magnitude hist&#243;rica da crise atual - cujos paralelos remontam &#227; crise de 1929 - est&#225; intimamente ligada ao decl&#237;nio hist&#243;rico da capacidade dos EUA de lidar com as contradi&#231;&#245;es pol&#237;ticas e econ&#244;micas mundiais. Entretanto, ao contr&#225;rio das ilus&#245;es difundidas n&#227;o s&#243; por presidentes de pa&#237;ses dependentes como o Brasil, mas tamb&#233;m por presidentes de pa&#237;ses imperialistas como a Fran&#231;a, esta reuni&#227;o do G-20 n&#227;o est&#225; a servi&#231;o de &#034;democratizar&#034; o poder mundial e muito menos planificar qualquer tipo de &#034;governan&#231;a&#034; global alternativa ao neoliberalismo. Muito pelo contr&#225;rio, o documento resultante da reuni&#227;o de S&#227;o Paulo demonstra como os governos destes pa&#237;ses, apesar dos distintos tipos de demagogias contras as &#034;mazelas&#034; provocadas pela sede de lucro das &#034;finan&#231;as&#034;, est&#227;o muito conscientes de que conter ou minimizar a decad&#234;ncia do capitalismo &#233; imposs&#237;vel sem salvar o capital financeiro imperialista; ou seja, s&#227;o todos conscientes de que &#233; justamente este capital &#034;neoliberal&#034; que tem permitido a sobrevida do capitalismo atrav&#233;s do aumento em extens&#227;o e profundidade da explora&#231;&#227;o da classe trabalhadora em todo o mundo. Isso n&#227;o exclui que a pr&#243;pria reuni&#227;o tenha expressado tamb&#233;m o aumento da competi&#231;&#227;o entre os capitalistas e entre os Estados nacionais que os representam, antecipando uma perspectiva em que, com o aprofundamento da recess&#227;o em n&#237;vel mundial, tende a dar lugar distintos tipos de medidas protecionistas por parte de cada pa&#237;s em rela&#231;&#227;o a suas economias nacionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os fatos por tr&#225;s da demagogia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o por acaso, o documento resultante deste G-20 n&#227;o tr&#225;s qualquer proposta contra as demiss&#245;es em massa que j&#225; est&#227;o ocorrendo em v&#225;rios pa&#237;ses; nem tampouco faz qualquer refer&#234;ncia &#225;s condi&#231;&#245;es de trabalho extremamente prec&#225;rias, &#227; retirada de direitos ou aos baixos sal&#225;rios que foram impostos pela ofensiva neoliberal nas &#250;ltimas d&#233;cadas. Para que o capitalismo se recomponha, estas condi&#231;&#245;es n&#227;o s&#243; v&#227;o ter que ser mantidas, mas aprofundadas, pois s&#227;o a base fundamental de qualquer recupera&#231;&#227;o da taxa de lucro sem a qual n&#227;o sobrevive o sistema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, foram legitimados os distintos tipos &#034;interven&#231;&#227;o estatal&#034; adotados em v&#225;rios pa&#237;ses com o objetivo de salvar as institui&#231;&#245;es financeiras e os grandes monop&#243;lios empresariais em crise, injetando milh&#245;es e milh&#245;es provenientes dos impostos pagos pela popula&#231;&#227;o; dinheiro este que &#233; utilizado &#225;s custas de deteriorar ainda mais as condi&#231;&#245;es de sa&#250;de, educa&#231;&#227;o, previd&#234;ncia etc. Desta forma, colocam em evid&#234;ncia a m&#225;xima marxista de que o poder pol&#237;tico do Estado capitalista nada mais &#233; do que um comit&#234; para administrar os neg&#243;cios comuns de toda sociedade burguesa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No atual momento da crise, os distintos governos concordam em se coordenar para evitar uma quebra banc&#225;ria generalizada ou conter a din&#226;mica recessiva provocada pela falta de cr&#233;dito. Entretanto, por tr&#225;s da discuss&#227;o sobre os distintos tipos de &#034;regula&#231;&#227;o&#034; e &#034;interven&#231;&#227;o estatal&#034;, se escondem os preparativos de cada governo para salvar seus pr&#243;prios monop&#243;lios e posicion&#225;-los para se beneficiarem do inevit&#225;vel processo de concentra&#231;&#227;o de capitais que vai resultar da fal&#234;ncia dos setores mais atingidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crise atual coloca em evid&#234;ncia a ess&#234;ncia an&#225;rquica do capitalismo, em que a competi&#231;&#227;o entre os distintos capitalistas por lucros cada vez maiores leva inevitavelmente &#227; crises desse sistema. Esta competi&#231;&#227;o, que tende a se acentuar na medida em que a crise se agrava, ao contr&#225;rio de levar a uma maior &#034;democratiza&#231;&#227;o&#034; do poder mundial, levar&#225; a maiores disputas inter-estatais, nas quais os pa&#237;ses imperialistas do G-7 n&#227;o far&#227;o outra coisa se n&#227;o, tentar descarregar a crise uns sobre os outros e, sobretudo, descarreg&#225;-la sobre as costas dos pa&#237;ses ditos &#034;emergentes&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A submiss&#227;o por tr&#225;s da demagogia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os discursos aparentemente &#034;bravos&#034; de Lula contra os &#034;excessos&#034; do capitalismo financeiro nos pa&#237;ses centrais n&#227;o passam de demagogia para esconder a submiss&#227;o do governo petista a este mesmo capital. Em sua recente viagem &#227; It&#225;lia, Lula expressou de forma exemplar sua clareza em rela&#231;&#227;o &#225;s quest&#245;es fundamentais. Discursando para uma plat&#233;ia de empres&#225;rios, pronunciou-se c&#233;tico em rela&#231;&#227;o &#227; reuni&#227;o do G-20 e tratou de tentar convenc&#234;-los de que &#034;o &#250;nico risco que corre o capital italiano em investir no Brasil &#233; ganharem lucros maiores do que se investissem na It&#225;lia&#034; (sic). Os trabalhadores prec&#225;rios e flexibilizados que sendo super-explorados garantem os enormes lucros da Fiat no Brasil &#034;agradecem&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda que Lula hoje queira colocar-se na cabe&#231;a da resposta &#227; crise na Am&#233;rica do Sul, recentemente vieram &#227; tona acontecimentos exemplares que revelam que o ex-oper&#225;rio atua em defesa dos interesses da patronal brasileira. &#201; isso que evidenciamos em casos concretos como a discuss&#227;o com o Equador sobre os contratos petroleiros, assim como nas fraudes operadas pela Odebrecht neste pa&#237;s. O mesmo vemos na atitude do governo brasileiro no Paraguai, onde se localizou claramente ao lado da burguesia produtora de soja, chegando inclusive a realizar exerc&#237;cios militares na fronteira com este pa&#237;s; os quais inclu&#237;ram um simulacro de ocupa&#231;&#227;o da represa de Itaip&#250;, num momento em que Lugo pretende renegociar as tarifas el&#233;tricas com Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas a demagogia de Lula revela-se ainda mais no fato de que, enquanto seus discursos defendem uma maior &#034;regula&#231;&#227;o&#034; do capital financeiro, aqui no Brasil este capital continua &#034;gozando&#034; de toda a liberdade que precisa para expropriar a riqueza produzida pelos trabalhadores no pa&#237;s, n&#227;o s&#243; diretamente atrav&#233;s de suas multinacionais, mas tamb&#233;m indiretamente atrav&#233;s dos milh&#245;es e milh&#245;es de juros da d&#237;vida p&#250;blica que s&#227;o pagos com os impostos extra&#237;dos da popula&#231;&#227;o. Em fun&#231;&#227;o de todas as leis de &#034;desregulamenta&#231;&#227;o&#034; que foram implementadas desde a d&#233;cada de 90 (algumas delas no pr&#243;prio governo Lula) para favorecer a &#034;liberdade&#034; do capital imperialista no pa&#237;s, atualmente mais de 500 bilh&#245;es de d&#243;lares que circulam internamente podem a qualquer momento sair abruptamente do pa&#237;s por distintas vias de curto prazo como, por exemplo, atrav&#233;s de remessas de juros, royalties e lucros para o exterior&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver artigo &#034;US$ 553,5 bilh&#245;es atam o Brasil &#227; ciranda mundial&#034; em (&#8230;)&#034; id=&#034;nh1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Este dado &#233; a maior demonstra&#231;&#227;o de que os t&#227;o alardeados 200 bilh&#245;es de d&#243;lares em reservas nas m&#227;os do governo seria completamente insuficiente se a crise se agrava e se desenvolve uma fuga mais acentuada de capitais do pa&#237;s. Ainda mais quando verificamos que alguns bilh&#245;es destas reservas j&#225; tiveram que ser &#034;queimados&#034; para evitar a hiper-valoriza&#231;&#227;o do d&#243;lar nas &#250;ltimas semanas, e a situa&#231;&#227;o s&#243; pode ser minimamente &#034;controlada&#034; em fun&#231;&#227;o da &#034;gentil&#034; atitude do Banco Central norte-americano em &#034;ceder&#034; 30 bilh&#245;es de d&#243;lares ao Brasil. Ou seja, o Brasil mant&#233;m as taxas de juros internas mais altas do mundo n&#227;o s&#243; para &#034;conter a infla&#231;&#227;o&#034;, como alega Henrique Meirelles (presidente do Banco Central do Brasil), mas tamb&#233;m para garantir uma rentabilidade &#034;atrativa&#034; ao capital estrangeiro. Aqui, mais uma vez, quem &#034;paga a conta&#034; s&#227;o os trabalhadores atrav&#233;s dos impostos.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver artigo &#034;US$ 553,5 bilh&#245;es atam o Brasil &#227; ciranda mundial&#034; em &lt;a href=&#034;https://www.cartamaior.com.br&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;www.cartamaior.com.br&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="es">
		<title>Una cr&#237;tica al Manifiesto del Frente de Izquierda</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Una-critica-al-Manifiesto-del-Frente-de-Izquierda</link>
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		<dc:date>2006-08-27T00:00:00Z</dc:date>
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		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos, Thiago Flam&#233;</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#233;mica</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

		<description>
&lt;p&gt;El 25 de julio el Frente de Izquierda formado entre el PSOL, el PSTU y el PCB publicaron un manifiesto llamado &#8220;Por una alternativa para Brasil&#8221;, en el cual exponen las bases del acuerdo que posibilit&#243; el bloque electoral entre estos tres partidos. &lt;br class='autobr' /&gt;
El Manifiesto del Frente de Izquierda contiene algunos puntos que ser&#237;an una base para la conformaci&#243;n de un frente electoral en el que se expresara m&#237;nimamente los intereses de los trabajadores, como la reestatizaci&#243;n de las empresas (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;El 25 de julio el Frente de Izquierda formado entre el PSOL, el PSTU y el PCB publicaron un manifiesto llamado &#8220;Por una alternativa para Brasil&#8221;, en el cual exponen las bases del acuerdo que posibilit&#243; el bloque electoral entre estos tres partidos.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El Manifiesto del Frente de Izquierda contiene algunos puntos que ser&#237;an una base para la conformaci&#243;n de un frente electoral en el que se expresara m&#237;nimamente los intereses de los trabajadores, como la reestatizaci&#243;n de las empresas privatizadas, la lucha contra las reformas del gobierno Lula, el retiro inmediato de las tropas brasileras de Haiti, apoyo a la nacionalizaci&#243;n del g&#225;s en Bolivia (con el problema que no dice que debe ser bajo el control de los trabajadores). Sin embargo, una cosa es un bloque electoral o un frente &#250;nico con organizaciones peque&#241;oburguesas alrededor de cuestiones puntuales y otra cosa muy distinta es firmar un documento program&#225;tico con organizaciones de estas caracteristicas. O sea, a&#250;n con un acuerdo puntual progresivo no podr&#237;amos dejar de luchar por la hegemon&#237;a del programa clasista sobre el programa de conciliaci&#243;n de clases al interior del Frente de Izquierda, lo que ser&#237;a imposible sin criticar abiertamente las direcciones peque&#241;oburguesas del PSOL y del PCB.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En adelante damos continuidad al debate que abrimos en el &#250;ltimo peri&#243;dico Palavra Oper&#225;ria, en el cual hacemos un llamado al PSTU a que luchemos juntos por la conformaci&#243;n de un ala clasista en el Frente de Izquierda: &#8220;El PSTU deber&#237;a exigir del conjunto del Frente de Izquierda, en especial de Helo&#237;sa Helena, que &#233;sta use su candidatura al servicio de la lucha contra los despidos; y exigir del frente que ponga todo su peso electoral al servicio de la formaci&#243;n de comit&#233;s del Frente de Izquierda, en los que tendr&#237;amos un espacio priviligiado para impulsar un ala clasista. Si el PSOL se niega a formar estos comit&#233;s, es una obligaci&#243;n del PSTU concretarlos donde sea posible e intentar atraer a los militantes del PSOL. Esos comit&#233;s deben servir no solamente para organizar la campa&#241;a electoral, sino para organizar una gran lucha en defensa de los trabajadores de la Volkswagen y de la General Motors, luchar contra el super-simples (flexibilizaci&#243;n de las obligaciones de las empresas respecto a los derechos laborales de los trabajadores), organizar la campa&#241;a contra la masacre de Israel al pueblo &#225;rabe y agitar un programa obrero independiente que responda a las demandas m&#225;s sentidas del conjunto de la poblaci&#243;n explotada y oprimida&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;&#8220;Llamado al PSTU para conformar un &#8220;ala clasista&#8221; en el Frente de (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Solo la clase trabajadora puede conquistar una verdadera soberan&#237;a nacional&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En el art&#237;culo escrito por Eduardo Almeida, &#8220;El debate program&#225;tico en el frente: una pol&#233;mica necesaria&#8221;, el dirigente nacional del PSTU, en pol&#233;mica con C&#233;sar Benjamin, vice de Helo&#237;sa Helena, afirma que &#8220;no estamos [PSTU] apuntando a un desarrollo capitalista sustentado, en alianza con alg&#250;n sector de la burgues&#237;a. Defendemos la ruptura con el imperialismo y el capitalismo, y un nuevo poder de los trabajadores&#8221;. Helo&#237;sa Helena, a su vez, as&#237; como C&#233;sar Benjamin, ya dio muestras suficientes de que apuesta a conquistar una &#8220;soberan&#237;a nacional&#8221; en alianza con sectores burgueses descontentos con el neoliberalismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#191;Qu&#233; es el &#8220;nuevo proyecto alternativo econ&#243;mico y social&#8221; que el Manifiesto del Frente de Izquierda propone como soluci&#243;n para &#8220;conquistar la verdadera soberan&#237;a e independencia nacional, rompiendo con el imperialismo y el capital financiero&#8221;? Para Helo&#237;sa Helena el proyecto es: reducir las tasas de interes, hacer una reforma tributaria que deje exentos &#8220;los menos favorecidos&#8221; (estre ellos el &#8220;sector productivo&#8221;, es decir, &#161;&#161;&#161;la burgues&#237;a industrial!!!) y renegociar la deuda p&#250;blica para que Brasil pueda crecer al mismo ritmo que Argentina o China. Lo que ella no nos cuenta es que para que Argentina pudiese crecer un 9% al a&#241;o fue necesaria una reducci&#243;n de 40% promedio en el sueldo de los trabajadores y que en China existen los menores sueldos y las mayores jornadas de trabajo del mundo. Ese es el costo del desarrollo econ&#243;mico en los marcos del capitalismo, que al aumentar la producci&#243;n reduciendo el nivel de vida de los trabajadores prepara crisis econ&#243;micas cada vez mayores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El Manifiesto, al no definir claramente que la emancipaci&#243;n del pa&#237;s en relaci&#243;n a la opresi&#243;n imperialista solo puede ser conquistada por una alianza con los campesinos y el pueblo pobre bajo la direcci&#243;n de la clase trabajadora, a trav&#233;s de los m&#233;todos de la lucha de clases, al ponerse en una perspectiva que deja la puerta abierta para una alianza con sectores de la burgues&#237;a descontentos con el neoliberalismo, adopta un programa pseudonacionalista. La lucha antiimperialista no es una lucha entre pa&#237;ses, sino una expresi&#243;n de la lucha de clases que se da tambi&#233;n en el terreno nacional, pues todos los sectores de la burgues&#237;a brasilera, descontentos o no con el neoliberalismo, dependen del imperialismo para sostener su explotaci&#243;n sobre la clase obrera. Por eso es imposible luchar contra el imperialismo sin combatir todos los sectores de la burgues&#237;a brasilera. Por eso cualquier militante que se reivindique revolucionario no podr&#237;a firmar un Manifiesto como este.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Un silencio criminal ante la ofensiva militar de Israel y Bush&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Es imposible hoy levantar una pol&#237;tica consecuentemente antiimperialista sin luchar por la derrota de la ocupaci&#243;n militar del imperialismo en Irak y en Afganist&#225;n y sin luchar contra la ofensiva militar del Estado de Israel contra el pueblo &#225;rabe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consideramos un verdadero crimen pol&#237;tico que el Manifiesto que establece la base del programa del Frente de Izquierda no cite una palabra siquiera sobre la masacre que Israel descarga sobre el pueblo liban&#233;s y palestino, y los EEUU contra el pueblo iraqu&#237; y afgano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Un acuerdo electoral que contiene la estrategia de poder del PSOL&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El Manifiesto defiende la necesidad de &#8220;democratizar radicalmente el poder, alterando su contenido de clase&#8221;. Esa estrategia genera la ilusi&#243;n de que a trav&#233;s de medidas de control democr&#225;tico ser&#225; posible alterar el contenido de clase del estado burgu&#233;s. Es una estrategia reformista y se asemeja a las posiciones del ala derecha de la socialdemocracia de princ&#237;pios del siglo XX, de que el estado democr&#225;tico ser&#237;a un cascar&#243;n vac&#237;o que podr&#237;a ser llenado con una pol&#237;tica socialista. Lo que significar&#237;a que es posible para los trabajadores tomar el poder actuando por adentro de las instituciones del r&#233;gimen democr&#225;tico burgu&#233;s&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Esas elaboraciones significan un giro pronunciado en direcci&#243;n al reformismo (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas formulaciones expresadas en el Manifiesto del Frente de Izquierda son la concreci&#243;n en Brasil de las posiciones defendidas por la corriente internacional (SU - Secretariado Unificado) del cual es parte Helo&#237;sa Helena y su organizaci&#243;n &#8220;Enlace&#8221;. Para el SU la revoluci&#243;n es una &#8220;lucha por la democracia hasta el final&#8221;. Esa estrategia significa una forma de adaptaci&#243;n a la democracia burguesa de detrimiento de la lucha por una rep&#250;blica obrera basada en la democracia de los consejos obreros y populares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Electoralismo o actuaci&#243;n revolucionaria en las elecciones&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La patronal se aprovecha del hecho de que toda la atenci&#243;n est&#225; dirigida hacia las candidaturas y la discusi&#243;n electoral para avanzar en ataques enormes contra el empleo y el salario de los trabajadores. Levantar una pol&#237;tica clasista significa utilizar la cobertura mediatica sobre las elecciones para impulsar la lucha de los trabajadores contra los ataques de la patronal. En el Manifiesto no encontramos ni una palabra sobre los despidos en Volkswagen y en General Motors y ni una palabra sobre la &#8220;reestructuraci&#243;n&#8221; de Varig que significa el despido de m&#225;s de 5 mil trabajadores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La &#8220;tribuna electoral&#8221; deber&#237;a servir para impulsar una verdadera guerra contra la patronal de la Volks, GM, Varig y de todas las empresas que despidan. Helo&#237;sa Helena y los dem&#225;s candidatos deber&#237;an poner en el centro de su propaganda electoral la lucha contra los despidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Otra prueba vergonzosa del electoralismo expresado en el Manifiesto es que se apoya demag&#243;gicamente en el Quilombo dos Palmares, y se inspira &#8220;en la fuerza de la lucha Zumbi&#8221; para callarse completamente en relaci&#243;n a las demandas del pueblo negro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por un ala clasista en el Frente de Izquierda&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El mismo Eduardo Almeida admite en el art&#237;culo ya citado que el documento no tiene nada de clasismo: &#8220;El manifiesto del Frente de Izquierda, por tratarse de una postura conjunta, no agota el conjunto de discusiones y pol&#233;micas entre los tres partidos. (...) Como todos saben, el PSTU defend&#237;a un frente clasista, y este car&#225;cter termin&#243; no siendo aceptado por PSOL y PCB&#8221;. Entretanto, el reci&#233;n publicado Manifiesto del Frente de Izquierda, lejos de constituir un bloque progresivo para unificar a la izquierda alrededor de acuerdos puntuales para combatir a la burgues&#237;a, subordina a la izquierda al programa reformista y peque&#241;oburgu&#233;s del PSOL y del PCB.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No podemos repetir como farsa la tragedia que signific&#243; la experiencia con el PT. En la trayectoria del PT, la llamada &#8220;izquierda petista&#8221; reivindica como una &#8220;conquista&#8221; los programas electorales votados en las convenciones partidarias, en los cuales algunas reivindicaciones justas de las masas eran distorcionadas como &#8220;cerezas de torta&#8221; insetas en un programa que de conjunto defend&#237;a la conciliaci&#243;n con la burgues&#237;a; y para mantener la &#8220;unidad&#8221; dentro del PT aceptaban la censura previa que la direcci&#243;n del partido les impon&#237;a. Mientras tanto, Lula se proyectaba como gran l&#237;der ante las masas. No podemos contribuir para el fortalecimiento de Helo&#237;sa Helena y del PSOl repitiendo los mismos errores que fueron cometidos en relaci&#243;n a Lula y al PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rehacemos nuestro llamado a que el PSTU revea su actual pol&#237;tica e impulse un ala clasista al interior del Frente de Izquierda, que tenga un perfil propio ante la vanguardia y las masas, abriendo el camino para que se exprese una pol&#237;tica de independiencia de clase en estas eleccionesl El PSTU debe criticar no solo a C&#233;sar Benjamim, sino principalmente Helo&#237;sa Helena, que es quien determina el car&#225;cter del Frente ante las masas. Eso significa buscar por todos los medios posibles, incluso notas pagadas en los diarios de gran circulaci&#243;n, difundiendo para el mayor n&#250;mero de trabajadores una pol&#237;tica de independencia de clase.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb2-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&#8220;Llamado al PSTU para conformar un &#8220;ala clasista&#8221; en el Frente de Izquierda&#8221;, Peri&#243;dico Palavra Oper&#225;ria 23, &lt;a href=&#034;http://www.ler-qi.org&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.ler-qi.org&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Esas elaboraciones significan un giro pronunciado en direcci&#243;n al reformismo del SU, corriente que fue construida por Ernest Mandel y que era combatida por Nahuel Moreno por su extrema adaptaci&#243;n a los aparatos reformistas y burocr&#225;ticos. Para ver m&#225;s sobre nuestra posici&#243;n sobre esas elaboraciones de la LCR leer en el site &lt;a href=&#034;http://www.ft-ci.org&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.ft-ci.org&lt;/a&gt; el art&#237;culo &#8220;Trotsky y la democracia sovi&#233;tica: m&#225;s all&#225; de la democracia liberal y del totalitarismo&#8221; de Claudia Cinatti y Emilio Albamonte en la revista Estrategia Internacional n&#176; 21.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>La experiencia con Lula y el proceso de reorganizaci&#243;n de la vanguardia</title>
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		<dc:date>2006-04-22T14:44:32Z</dc:date>
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		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Movimiento Obrero</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

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&lt;p&gt;Los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n que subsumen a Brasil desde mediados de 2005 a&#250;n no salieron de escena. Sin embargo, el punto m&#225;s &#225;lgido de la &#8220;crisis del mensal&#224;o&#8221;(pago de coimas mensuales, NdT) qued&#243; atr&#225;s. Hoy, el escenario pol&#237;tico es dominado por la anticipaci&#243;n de las disputas hacia las elecciones presidenciales, marcadas para octubre del 2006. Palocci, el ministro de econom&#237;a que fue uno de los principales pilares del gobierno Lula, cay&#243; recientemente por estar involucrado en actos de (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil" rel="directory"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n que subsumen a Brasil desde mediados de 2005 a&#250;n no salieron de escena. Sin embargo, el punto m&#225;s &#225;lgido de la &#8220;crisis del mensal&#224;o&#8221;(pago de coimas mensuales, NdT) qued&#243; atr&#225;s. Hoy, el escenario pol&#237;tico es dominado por la anticipaci&#243;n de las disputas hacia las elecciones presidenciales, marcadas para octubre del 2006. Palocci, el ministro de econom&#237;a que fue uno de los principales pilares del gobierno Lula, cay&#243; recientemente por estar involucrado en actos de corrupci&#243;n. Al mismo tiempo, el actual ciclo de recuperaci&#243;n econ&#243;mica se mantiene estable, y Lula se recupera de los golpes sufridos durante la crisis, proyect&#225;ndose como favorito en las encuestas. Por otro lado, se desarrolla un proceso importante para la vanguardia de la clase trabajadora. Los sindicatos, oposiciones sindicales y entidades populares que rompieron con el gobierno Lula y el PT se preparan para realizar un Congreso Nacional en el mes de mayo. Este Congreso ofrece la posibilidad de unificar a la vanguardia con una pol&#237;tica independiente del gobierno y de los patrones para fortalecer un polo alternativo de direcci&#243;n independiente capaz de disputar la influencia de Lula, el PT y de los dirigentes sindicales traidores de la CUT sobre el movimiento de masas.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Los ritmos del proceso de experiencia de las masas con Lula y el PT&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muchos pensaron que la &#8220;crisis del mensal&#224;o&#8221; iba a dar un &#8220;golpe de muerte&#8221; a Lula y al PT. De hecho, esa crisis asest&#243; un golpe importante en el &#8220;aura &#233;tica y moral&#8221; de este partido, que ven&#237;a siendo uno de sus principales pilares de sustentaci&#243;n. Sin embargo, el otro pilar estructural del PT, que es su influencia sobre el movimiento de masas por la v&#237;a del control de las direcciones de las principales organizaciones sindicales y populares del pa&#237;s, se mantuvo fuerte, aunque haya sufrido desgastes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fueron las direcciones oficialistas de la Central &#218;nica de Trabajadores (CUT), del Movimiento de Sin-Tierras (MST), de la Uni&#243;n Nacional de Estudiantes (UNE) y de la Central de los Movimientos Populares (CMP) las que garantizaron la contenci&#243;n del descontento de las masas en relaci&#243;n a los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n, e impidieron que este descontento se transforme en acciones directas e independientes en las calles. Los trabajadores fueron enga&#241;ados con el discurso de que hab&#237;a un &#8220;golpe de derecha&#8221; siendo preparado para derribar al gobierno Lula (ver balance m&#225;s completo de la &#8220;crisis del mensal&#224;o) en el sitio &lt;a href=&#034;http://www.ler-qi.org&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.ler-qi.org&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Actualmente, es una combinaci&#243;n de tres elementos lo que garantiza la recuperaci&#243;n del prestigio de Lula. En primer lugar, se mantiene - por lo menos en el 2006 - el ciclo precario de recuperaci&#243;n de la econom&#237;a que se desarrolla desde el 2004. Aunque Brasil est&#233; en la retaguardia del ciclo de crecimiento que abarca a la mayor&#237;a de los pa&#237;ses latinoamericanos, los actuales &#237;ndices de crecimiento le han otorgado autoridad a Lula y le permite algunos m&#225;rgenes de maniobra. Obviamente, estas perspectivas est&#225;n subordinadas a posibles cambios en el escenario econ&#243;mico mundial. En segundo lugar, las crisis internas del PSDB, partido de Fernando Henrique Cardoso que re&#250;ne a los principales competidores de Lula-PT, al dificultar la definici&#243;n de un candidato que combine la aceptaci&#243;n interna del partido y el prestigio entre las masas para competir con Lula, abre espacios para el fortalecimiento de este &#250;ltimo. En la disputa interna entre Serra y Alckmin, los principales candidatos del PSDB, Alckmin sali&#243; victorioso, pero no consigue despegar en las encuestas, dejando margen para que Lula gane en el primer turno. En tercer lugar, y como elemento determinante, se encuentran las direcciones de las principales organizaciones del movimiento de masas, que aunque criticando el &#8220;neoliberalismo exacerbado&#8221; de Lula, ya declararon el apoyo a su reelecci&#243;n y ya iniciaron un abierto per&#237;odo de campa&#241;a. Fue eso lo que qued&#243; evidenciado en la asamblea que en abril reuni&#243; m&#225;s de 2 mil obreros metal&#250;rgicos en el ABC paulista, en la cual fue aprobado por unanimidad el apoyo a la reelecci&#243;n de Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pero si bien el gobierno consigui&#243; hacer refluir la &#8220;crisis del mensal&#224;o&#8221;, eso no significa la salida de escena de las contradicciones estructurales que dieron fundamento a esa crisis; ni tampoco significa la inexistencia de consecuencias para el r&#233;gimen de dominio; sin mencionar que no podemos excluir la posibilidad de que salga a la superficie algun esc&#225;ndalo de corrupci&#243;n que alcance m&#225;s directamente a Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Las contradicciones m&#225;s estructurales en la econom&#237;a y en el r&#233;gimen se expresaron centralmente en el hecho de que Brasil, entre los pa&#237;ses de Am&#233;rica Latina, a pesar de ser junto con M&#233;jico el econ&#243;micamente m&#225;s poderoso, est&#225; entre los que menos aprovecharon el actual ciclo de crecimiento de la regi&#243;n, asemej&#225;ndose en este aspecto nada m&#225;s ni nada menos que a Hait&#237;. Eso acent&#250;a las contradicciones al interior de la burgues&#237;a, pues a los empresarios brasile&#241;os les gustar&#237;a lucrar como los argentinos actualmente. Fortalece la visi&#243;n burguesa de que ser&#237;a necesario articular un nuevo pacto con el imperialismo, en el cual los sectores m&#225;s directamente ligados a los bancos y a las finanzas internacionales ceder&#237;an un poco a los sectores m&#225;s directamente ligados a la industria y al mercado interno en las decisiones sobre la pol&#237;tica econ&#243;mica. Entretanto, lo que unifica a todos los sectores de la burgues&#237;a y los principales partidos pol&#237;ticos del pa&#237;s (PT, PSDB, PFL y PMDB) es que, sea con m&#225;s neoliberalismo lulista o con algun cambio en el sentido de un pretendido &#8220;neodesarrollismo tipo Kirchner&#8221;, tendr&#225;n que ser realizados algunos ataques fundamentales a la clase trabajadora brasile&#241;a que ya fueron realizados en otros pa&#237;ses y en Brasil no fueron hasta el final; so pena de que Brasil pierda espacios en la competencia en el mercado internacional. Un importante ejemplo de esto que la burgues&#237;a insiste en recordar es que tanto FHC como Lula no consiguieron implementar las reformas laborales y previsionales que Menem y De la Rua lograron en Argentina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La burgues&#237;a en su conjunto insiste en la necesidad de una reforma pol&#237;tica que recupere el prestigio de las instituciones del r&#233;gimen, en gran medida desgastadas por los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n, y que dif&#237;cilmente podr&#225;n ser recompuestas solo con las elecciones, principalmente si tenemos en cuenta que ser&#225;n elecciones llenas de denuncias de corrupci&#243;n.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aunque amplios sectores de las clases medias que migraron del PSDB hacia el PT en el 2002 vuelvan a apoyar el PSDB en funci&#243;n de los esc&#225;ndalos del &#8220;mensal&#224;o&#8221;, la mayor&#237;a de la clase trabajadora y del pueblo pobre organizado alrededor de los sindicatos y de los movimientos sociales a&#250;n apuesta a Lula; e incluso los sectores de vanguardia m&#225;s concientes como los que se encontraron en la base de los sindicatos de Conlutas votar&#225;n por Lula como m&#237;nimo como un &#8220;mal menor&#8221; frente al PSDB. Los planes asistenciales de Lula como la &#8220;bolsa familiar&#8221; (que alcanza a cerca de 11 millones de familias), el aumento del salario m&#237;nimo a R$ 350,00 y la creaci&#243;n de puestos de trabajo precarios en los &#250;ltimos a&#241;os son migajas miserables completamente insignificantes frente a las gigantescas ganancias que tuvieron los bancos y los grandes empresarios en el gobierno Lula; sin mencionar la continuidad del desempleo estructural de millones de trabajadores y del hambre en el campo. Sin embargo, con la ayuda de las direcciones del movimiento de masas, Lula ha logrado transformar estas migajas en puntos a su favor. Esa situaci&#243;n pone al par PSDB-PFL en una ofensiva para intentar desgastar a Lula con nuevos esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n. La ca&#237;da de Palocci demuestra la posibilidad real de que la crisis vuelva o gane nuevos contornos. Como m&#237;nimo, debemos prever elecciones turbulentas, que podr&#225;n dejar las entra&#241;as podridas del r&#233;gimen democr&#225;tico burgu&#233;s a&#250;n m&#225;s expuestas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Es en este marco que se inscribe la importancia del Congreso Nacional de Trabajadores (CONAT) que se realizar&#225; en mayo en una ciudad cercana a S&#227;o Paulo. Este encuentro es organizado por Conlutas, una organizaci&#243;n que reune la mayor parte de los sindicatos, oposiciones sindicales y entidades populares que rompieron con el gobierno Lula y el PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;El CONAT y el proceso de reorganizaci&#243;n de la vanguardia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El CONAT puede transformarse en un importante marco en el proceso de reorganizaci&#243;n de la clase trabajadora brasile&#241;a. Son centenares de sindicatos, oposiciones sindicales y entidades estudiantiles y populares que en los &#250;ltimos dos a&#241;os han estado en la primera l&#237;nea de la campa&#241;a de resistencia a las reformas neoliberales del gobierno Lula. Son parte de Conlutas importantes sindicatos del pa&#237;s como el de los metal&#250;rgicos de S&#227;o Jos&#233; dos Campos, que re&#250;ne 35 mil obreros en su base; y el de los trabajadores de la Universidad de S&#227;o Paulo (Sintusp), que representa a 15 mil trabajadores. Conlutas ya realiz&#243; tres manifestaciones en Brasilia reuniendo a miles de trabajadores, estudiantes y sin-tierra en protesta contra los ataques del gobierno Lula y los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n; y recibi&#243; cerca de 30 a 40% de los votos en las elecciones para algunos de los principales sindicatos del pa&#237;s en el 2005. CONAT puede, a partir de un balance de lo que signific&#243; la experiencia hist&#243;rica con la CUT, sacar conclusiones que armen a la actual vanguardia antigubernamental para comenzar a presentarse como una nueva alternativa de direcci&#243;n para la mayor&#237;a de la clase trabajadora que a&#250;n vive bajo la influencia de los bur&#243;cratas traidores de la CUT y de las dem&#225;s organizaciones de masas en el pa&#237;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sin embargo, infelizmente, los partidos y corrientes pol&#237;ticas de la izquierda que hoy dirigen Conlutas - PSTU y algunas corrientes pol&#237;ticas internas del PSOL&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;El Partido Socialista de los Trabajadores Unificado (PSTU) es la (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; -se niegan a hacer un balance consecuente de la CUT; y buscan refrendar en el CONAT una pol&#237;tica que en poco se diferencia de la actuaci&#243;n hist&#243;rica de la izquierda de capitulaci&#243;n a la burocracia sindical y al reformismo dentro de esa central.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conlutas ha tenido como uno de sus ejes pol&#237;ticos centrales, aprobado como consigna m&#225;xima en los encuentros que realiz&#243;, la &#8220;derrota de la pol&#237;tica econ&#243;mica neoliberal&#8221;. Esa es una pol&#237;tica que coloca a los trabajadores como &#8220;ala izquierda&#8221; en el proyecto neodesarrollista que pretende cambiar la pol&#237;tica econ&#243;mica neoliberal de Lula hacia una cercana a la que aplica Kirchner en la Argentina. No es muy distinto a lo que proponen los mismos bur&#243;cratas dirigentes de la CUT, que defendieron la reducci&#243;n de las tasas de inter&#233;s, la reducci&#243;n del superavit primario y la devaluaci&#243;n del real ante el dolar para estimular el crecimiento de la econom&#237;a nacional y favorecer a los patrones, como si eso fuese a resolver el problema de la desocupaci&#243;n y de los salarios miserables.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conlutas ha impulsado tres campa&#241;as centrales. La &#8220;campa&#241;a por la revaluaci&#243;n del sueldo m&#237;nimo a R$ 550,00 y un plan para llegar al sueldo del Dieese&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;El Dieese es un instituto de estad&#237;sticas hist&#243;ricamente financiado por los (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; en 4 a&#241;os&#8221;, que no contempla las necesidades inmediatas m&#225;s sentidas por los trabajadores. La &#8220;campa&#241;a por la auditor&#237;a de la deuda externa e interna&#8221;, que abandona la reivindicaci&#243;n del &#8220;no pago&#8221; y abre la posibilidad de que alguna parte de ella pueda ser pagada o negociada. Y la &#8220;campa&#241;a por la anulaci&#243;n de la reforma previsional&#8221;, que teniendo como centro un petitorio dirigido a la Procuradur&#237;a General de la Rep&#250;blica no le dice a los trabajadores que esa reivindicaci&#243;n solo podr&#225; ser conquistada a trav&#233;s de huelgas, piquetes y manifestaciones de calle, alimentando la ilusi&#243;n de los trabajadores en el &#8220;Congreso del mensal&#224;o&#8221; y en la justicia de los patrones.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para culminar, el PSTU, a trav&#233;s de su influencia sobre el sindicato de metal&#250;rgicos de S&#227;o Jos&#233; dos Campos, hace la vergonzosa propuesta de que Conlutas tenga como &#8220;modelo&#8221; a la CTA argentina, que no solo se puso al lado de De la Rua en las jornadas revolucionarias de diciembre de 2001, sino que hoy es una de las importantes bases de sustentaci&#243;n de Kirchner. Seg&#250;n las resoluciones del 8&#176; Congreso de los Metal&#250;rgicos de S&#227;o Jos&#233; dos Campos que trata el tema de Conlutas, &#8220;&lt;i&gt;(...) la &#8220;Central&#8221; que queremos construir guarda similitudes con la CTA (Central de Trabajadores Argentinos) construida a mediados de la d&#233;cada pasada&#8221;&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O sea, el PSTU y el PSOL, a pesar de defender en los discursos y en el papel la independencia en relaci&#243;n a los patrones y el socialismo, en las mociones de orden y en las campa&#241;as que proponen para Conlutas, llevan adelante una pol&#237;tica adaptada al reformismo y a la burocracia sindical, hecha a medida para ser asimilada por gobiernos reformistas de conciliaci&#243;n de clases. Infelizmente, el PSTU hoy pone a Conlutas a participar de la campa&#241;a de Jubileo junto con la iglesia y los oficialistas sin hacer ninguna cr&#237;tica a la defensa de una &#8220;auditoria de la deuda p&#250;blica&#8221;. En el balance de la &#8220;Asamblea Popular&#8221;, organizada por la iglesia y oficialistas de todo tipo, que defini&#243; la orientaci&#243;n para la campa&#241;a del Jubileo en el 2006, Z&#233; Maria, Presidente del PSTU, lleg&#243; a defender la campa&#241;a por la auditor&#237;a de la deuda p&#250;blica: &#8220;&lt;i&gt;Valoro particularmente la Jornada de Lucha por la Soberan&#237;a y Contra el Pago de las Deudas Externa e Interna propuestas para la semana de la patria de 2006. Esa cuesti&#243;n tiene gran relevancia para el pa&#237;s y para la clase trabajadora&lt;/i&gt;&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Diario Opini&#227;o Socialista, noviembre de 2005.&#034; id=&#034;nh3-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De esa forma, el PSTU y el PSOL reproducen la misma estrategia que paut&#243; la trayectoria de toda la CUT. Proponen para Conlutas un &#8220;programa m&#225;ximo&#8221; con independencia de clase para los discursos inflamados y un &#8220;programa m&#237;nimo&#8221; reformista para las alianzas con los sindicalistas y peque&#241;oburgueses de todo tipo; poniendo a Conlutas a la cola de distintos proyectos de conciliaci&#243;n de clase.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;La actuaci&#243;n de LER-QI ante el CONAT&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde la &lt;strong&gt;Liga Estrategia Revolucionaria - Quarta Internacional&lt;/strong&gt;, hemos criticado a la direcci&#243;n del PSTU en Conlutas, constituy&#233;ndonos como una fracci&#243;n que busca contribuir para que &#233;sta adquiera un curso revolucionario (ver en &lt;a href=&#034;http://www.ler-qi.org&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.ler-qi.org&lt;/a&gt;). En el 4&#176; Congreso de trabajadores de la Universidad de S&#227;o Paulo, concluido en marzo, los militantes de LER-QI que son trabajadores de esta categor&#237;a convencieron al congreso de que el Sintusp deber&#237;a hacer una cr&#237;tica al car&#225;cter reformista de la orientaci&#243;n pol&#237;tica actualmente implementada por Conlutas y proponer una nueva orientaci&#243;n independiente de los patrones, sus gobiernos y de los sindicalistas traidores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Los militantes de LER-QI, junto con una bancada de 36 delegados de base del Sintusp mandatados por su Congreso, lucharemos en el CONAT para que Conlutas abandone la separaci&#243;n entre un &#8220;programa m&#225;ximo&#8221; independiente de los patrones y un &#8220;programa m&#237;nimo&#8221; conciliador y pase a luchar:&lt;br class='autobr' /&gt;
&#8220;&lt;i&gt;(...) por el salario m&#237;nimo del Dieese (alrededor de R$ 1.551,00); luchar por reajuste mensual autom&#225;tico de salarios de acuerdo con el aumento del costo de vida; (...) luchar por el seguro desempleo sin cualquier restricci&#243;n y hasta conseguir nuevo empleo; luchar por la reducci&#243;n de la jornada laboral para garantizar empleo para todos; luchar para ocupar y poner a producir bajo control obrero las f&#225;bricas y empresas que quiebren o amenacen quiebra; luchar por la expropiaci&#243;n de los grandes latifundios y divisi&#243;n de las tierras entre los campesinos pobres con cr&#233;dito barato para que puedan plantar; luchar por la reestatizaci&#243;n de las empresas privatizadas; luchar por un plan de obras p&#250;blicas; luchar contra las reformas neoliberales; luchar para esas reivindicaciones sean viabilizadas a trav&#233;s del ataque a las ganancias de los patrones, del no pago de las deudas interna y externa y de impuestos progresivos a las grandes fortunas; luchar por la unificaci&#243;n de las campa&#241;as salariales de distintas categor&#237;as para luchar por esas reivindicaciones; luchar para que esas reivindicaciones sean impuestas por la fuerza de nuestra movilizaci&#243;n a trav&#233;s de huelgas, piquetes y ocupaciones de f&#225;brica (...)&lt;/i&gt;&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Resoluci&#243;n aprobada en el 4&#176; Congreso de Trabajadores de la USP.&#034; id=&#034;nh3-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta resoluci&#243;n del IV Congreso de la USP es un paso extremadamente importante, pues arma a los 36 delegados del Sintusp para luchar en el CONAT por un conjunto de reivindicaciones que parten de las reivindicaciones m&#225;s urgentes de la clase trabajadora y ponen en el temario la necesidad de la confrontaci&#243;n con la burgues&#237;a. Pero para nosotros, militantes de LER-QI, esas reivindicaciones no podr&#225;n ser satisfechas con la simple &#8220;derrota de la pol&#237;tica econ&#243;mica neoliberal&#8221;. No podemos tener como estrategia &#8220;&lt;i&gt;(...) crear masa cr&#237;tica, opini&#243;n p&#250;blica favorable, que viabilice este proyecto de movilizaci&#243;n que obligue a los gobernantes a cambiar su postura (...)&lt;/i&gt;&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Informe de la reuni&#243;n de la Coorinaci&#243;n Nacional de Conlutas realizada el 13 (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, como ha defendido la Coordinaci&#243;n Nacional de Conlutas. Necesitamos luchar por el desarrollo de organizaciones de democracia directa de las masas que sean capaces de constituirse como una alternativa de poder a las instituciones de la podrida &#8220;democracia del mensal&#224;o&#8221;. Y necesitamos luchar por un gobierno de los trabajadores, de los campesinos y del pueblo pobre basado en esas organizaciones, opuesto por el v&#233;rtice a los gobiernos de conciliaci&#243;n de clases como el de Lula y de Luis Marinho (ex presidente de la CUT y actual ministro del Trabajo) junto con burgueses como Jos&#233; Sarney, Alencar y Furlan.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para luchar en defensa de este programa y de esta estrategia, no ser&#225; suficiente transformar Conlutas en una organizaci&#243;n de masas que sea una referencia para la mayor&#237;a de los principales sindicatos del pa&#237;s. Como en todas las organizaciones de frente &#250;nico de masas, los agentes de los patrones dentro del movimiento obrero estar&#225;n presentes para defender la conciliaci&#243;n de clases con la burgues&#237;a, como hicieron hist&#243;ricamente las direcciones traidoras del PT y de la CUT. Por eso necesitamos construir un partido de la vanguardia de la clase obrera que sea capaz de influenciar a la mayor&#237;a de los trabajadores con un programa y una estrategia revolucionarios, que lleve la lucha contra la burgues&#237;a hasta el final.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb3-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;El Partido Socialista de los Trabajadores Unificado (PSTU) es la organizaci&#243;n brasile&#241;a de la Liga Internacional de Trabajadores (LIT). El Partido del Socialismo y Libertad (PSOL) es la organizaci&#243;n pol&#237;tica que surgi&#243; como subproducto de la ruptura de un sector de la izquierda del PT en el 2003. Teniendo como principal figura p&#250;blica a la senadora y candidata a presidente Helo&#237;sa Helena, el PSOL reune varias corrientes pol&#237;ticas. La Corriente Socialista de los Trabajadores (CST, ligada al MST en Argentina) del diputado Bab&#225;; el Movimiento de Izquierda Socialista (MES) de la diputada Luciana Genro; y el Movimiento Tierra y Libertad son, entre otras, las principales corrientes internas del PSOL que participan activamente de Conlutas. Las corrientes internas llamadas &#8220;Enlace&#8221;, de Helo&#237;sa Helena; la Acci&#243;n Popular Socialista (APS) de Ivan Valente y Pl&#237;nio Arruda Sampaio, entre otras, se ubican ambiguamente en relaci&#243;n a Conlutas, siendo que APS se ubica directamente contra Conlutas.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;El Dieese es un instituto de estad&#237;sticas hist&#243;ricamente financiado por los sindicatos de trabajadores.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Diario Opini&#227;o Socialista, noviembre de 2005.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Resoluci&#243;n aprobada en el 4&#176; Congreso de Trabajadores de la USP.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Informe de la reuni&#243;n de la Coorinaci&#243;n Nacional de Conlutas realizada el 13 de diciembre de 2005.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="es">
		<title>Un primer balance de la crisis pol&#237;tica y las perspectivas para los trabajadores y la izquierda</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Un-primer-balance-de-la-crisis-politica-y-las-perspectivas-para-los-trabajadores-y-la-izquierda</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Un-primer-balance-de-la-crisis-politica-y-las-perspectivas-para-los-trabajadores-y-la-izquierda</guid>
		<dc:date>2005-11-08T00:00:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Palavra Oper&#225;ria n&#250;mero 19 - Novembro/2005&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-castellano" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en castellano&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;La crisis pol&#237;tica vivi&#243; su momento m&#225;s &#225;lgido cuando el marketinero Duda Mendon&#231;a revel&#243; la existencia de la &#8220;caja 2&#8221; (fondos de campa&#241;a no declarados - NdT) en la campa&#241;a electoral que puso a Lula en la presidencia. En este momento, el PSDB y el PFL evaluar&#237;an la posibilidad de abrir un proceso de impeachment. Aunque el car&#225;cter de la denuncia no fuese suficiente para revocar de hecho el mandato del presidente, los tucanos y pefelistas rabiosos buscaban por lo menos reducir la relativa separaci&#243;n que Lula logr&#243; generar entre su figura y la &#8220;crisis del mensal&#224;o&#8221; (coimas mensuales - NdT) y la crisis de su partido, el PT. Con eso, podr&#237;an conquistar su sue&#241;o de sacar a Lula del centro de la disputa electoral del 2006.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La decisi&#243;n de los presidenciables del PSDB (Serra, FHC y Alckmin) de articular &#8220;en los bastidores&#8221; un &#8220;blindaje&#8221; del presidente, expresa el poder de control del capital financiero sobre los dos principales partidos pol&#237;ticos del pa&#237;s y el recelo del imperialismo de que la crisis contamine la econom&#237;a o contribuya al impulso de nuevos fen&#243;menos de lucha de clases como podr&#237;a ser si la CUT y el MST perdiesen el control de los llamados que hac&#237;an para la &#8220;defensa de Lula contra el intento de golpe de la derecha&#8221;, como dec&#237;an.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde entonces la crisis pas&#243; a una nueva fase, de reflujo, en la cual lo que predominaba no era ya el alto grado de pron&#243;sticos inciertos y desestabilizantes que se hac&#237;an de la crisis, y s&#237; el control de los acontecimientos, aunque los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n siguieran ocupando las p&#225;ginas centrales de los diarios y permaneciese el desgaste de los partidos dominantes y de las instituciones involucradas con el &#8220;mensal&#224;o&#8221;, principalmente el Congreso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La elecci&#243;n de Aldo Rebelo del PcdoB para Presidente de la C&#225;mara de diputados, aunque haya sido atravesada por los mismos m&#233;todos de corrupci&#243;n que fueron motores en la crisis actual, fue un triunfo del gobierno que marc&#243; una nueva inflexi&#243;n en la crisis. Adem&#225;s del hecho de que el presidente de la C&#225;mara cumple un papel clave frente a una posible amenaza de impeachment, la elecci&#243;n de Aldo dio inicio a una din&#225;mica de estabilizaci&#243;n, que culmin&#243; con el gobierno retomando la iniciativa a partir de la aprobaci&#243;n de la &#8220;MP del Bien&#8221; (medida provisoria que ofrece incentivos fiscales a la producci&#243;n).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sin embargo, en los &#250;ltimos d&#237;as, la crisis amenaza nuevamente volver a la superficie con las embestidas de tucanos y pefelistas para investigar el financiamiento de la campa&#241;a electoral de los petistas en el 2002, alentadas por el surgimiento de denuncias de que Cuba habr&#237;a ayudado al PT con dinero para la elecci&#243;n de Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;La relaci&#243;n entre el grado de intensidad de la crisis y la &#8220;elegibilidad&#8221; de Lula&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Los tucanos y pefelistas retomaron una nueva ofensiva contra el gobierno y el PT, trabajando para reabrir la crisis de manera tal de provocar un desgaste mayor en Lula, justamente porque percibieron que la crisis empezaba a salir de la escena al mismo tiempo que Lula manten&#237;a todav&#237;a una alta aprobaci&#243;n popular y una fuerte probabilidad de ser reelecto en el 2006.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De hecho, las encuestas estad&#237;sticas han mostrado que el gobierno, aunque haya perdido masivamente el apoyo entre las clases medias en funci&#243;n de la corrosi&#243;n del pilar &#8220;&#233;tico&#8221; del PT, mantiene un fuerte apoyo de los sectores m&#225;s pobres de la poblaci&#243;n, principalmente en el interior del pa&#237;s, cumpliendo para eso un papel clave el asistencialismo promocionado por el estado a trav&#233;s de la Bolsa Familia, que dicen, alcanza a 8 millones de familias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dentro de la clase trabajadora, a&#250;n est&#225; indefinido el nivel de desgaste que Lula sufri&#243;. Aunque la continuidad de la pol&#237;tica neoliberal de FHC combinada con los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n contribuya para transformar las ilusiones y esperanzas en desilusi&#243;n y descontento de amplios sectores, est&#225; abierta la posibilidad de que la burocracia sindical consiga convencer a sus bases de que Lula es v&#237;ctima de una &#8220;conspiraci&#243;n de fuerzas de la dereha&#8221; y de que ser&#225; necesario un nuevo mandato para que comiencen a ser sentidos los prometidos &#8220;cambios&#8221;. Demuestra esa indefinici&#243;n por ejemplo el hecho de que a la vez que el plebiscito contra la comercializaci&#243;n de armas mostr&#243; el desgaste del gobierno, la participaci&#243;n r&#233;cord de 300 mil personas en las elecciones internas del PT (PED) muestran que este partido no est&#225; muerto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pero lo que por sobre todo demuestra la fuerza que a&#250;n tiene el gobierno y el PT es el hecho de que, frente a toda la crisis que se desarroll&#243; en las alturas en los &#250;ltimos meses, frente al desgaste y al descontento con los partidos dominantes que ocurri&#243; en ese per&#237;odo, ning&#250;n sector de las masas se radicaliz&#243; pol&#237;ticamente para dar alg&#250;n tipo de respuesta independiente de la burgues&#237;a a la crisis. Eso demuestra el poder de contenci&#243;n y amortiguaci&#243;n de la lucha de clases que a&#250;n detiene no solo la burocracia cutista, sino tambi&#233;n las direcciones petistas y oficialistas del MST y de la UNE.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para evaluar la capacidad que tendr&#225; o no el gobierno de retomar la iniciativa pol&#237;tica, y en ese marco el grado de &#8220;elegibilidad&#8221; que Lula tendr&#225; en el pr&#243;ximo a&#241;o, es necesario considerar tambi&#233;n los distintos escenarios posibles para la din&#225;mica de la econom&#237;a. En caso de que se mantengan en el 2006 las condiciones internacionales favorables (bajas tasas de intereses y alto consumo en los EEUU combinados con inversiones chinas) que han prevalecido desde el 2003, es probable que la econom&#237;a brasile&#241;a mantenga su crecimiento alrededor de 4%. Por otro lado, de deteriorarse las condiciones internacionales (como parecen amenazar las recientes declaraciones de las autoridades econ&#243;micas norteamericanas), es m&#225;s probable que Brasil crezca menos, pero a&#250;n fuera de los marcos de una crisis recesiva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Es en ese marco que tucanos y pefelistas temen la posibilidad de que, terminando la crisis, el gobierno Lula consiga recuperarse al punto de que Lula vuelva a ser el candidato preferido en el 2006. Por eso, es muy dif&#237;cil que la crisis se vuelva una cosa del pasado antes de concluidas las pr&#243;ximas elecciones. El PSDB y el PFL van a seguir &#8220;apretando la herida&#8221; del PT de manera de &#8220;desangrar&#8221; la candidatura de Lula lo m&#225;ximo que puedan.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Est&#225; por verse si lo que va a suceder son crisis recurrentes de baja intensidad hasta las elecciones, lo que har&#225; que la corrupci&#243;n permanezca como un elemento importante de la pol&#237;tica nacional, aunque no sea el elemento central como fue en los primeros cuatro meses de crisis; o si surgir&#225; alguna denuncia m&#225;s sostenible capaz de abrir un proceso de impeachment.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lo que va a determinar la posibilidad o no de que se abra este &#250;ltimo escenario ser&#225; no solo la existencia o no de una denuncia m&#225;s s&#243;lida para hacer contra Lula sino tambi&#233;n los c&#225;lculos que el PSDB y el PFL har&#225;n de la posibilidad de que un nuevo pico agudo de la crisis contamine la econom&#237;a o la lucha de clases.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&#191;Pero la crisis se reduce a una disputa electoral?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;M&#225;s all&#225; de la disputa electoral del 2006, esta crisis puso en el tapete un problema central tanto para la dominaci&#243;n burguesa en el pa&#237;s como para las tortuosas v&#237;as de emancipaci&#243;n de la clase trabajadora: la experiencia del movimiento de masas con el PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por m&#225;s que la burgues&#237;a se recuse a aceptarlo, la transformaci&#243;n del PT de &#8220;pata izquierda&#8221; del r&#233;gimen de dominio en principal implementador de la ofensiva neoliberal es un subproducto de la crisis de esa misma ofensiva, que al final del gobierno de FHC tom&#243; forma a partir de una divisi&#243;n entre el bloque del PSDB-PFL-PMDB y de una insatisfacci&#243;n de masas en relaci&#243;n al continuismo neoliberal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La burgues&#237;a solo ha podido discutir todas sus podredumbres con el nivel de apertura con que lo ha hecho - utilizando denuncias de corrupci&#243;n para su disputa de poder - porque no tiene el &#8220;aliento&#8221; del movimiento de masas detr&#225;s suyo. Sin embargo, el ciclo de crecimiento econ&#243;mico que vive no solo Brasil sino el conjunto de los pa&#237;ses Latinoamericanos ha sido un componente clave para permitirle ese &#8220;lujo&#8221;. En la medida que ese ciclo se agote o muestre sus l&#237;mites, el descontento de masas en relaci&#243;n a sus condiciones de vida ahora combinados con los desgastes provocados por los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n van a cobrar su precio; y los conflictos entre las clases dominantes alrededor de la pol&#237;tica econ&#243;mica van a adquirir nuevamente un tinte dram&#225;tico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Es en ese marco que los sectores m&#225;s concentrados de la burgues&#237;a brasile&#241;a revelan sus preocupaciones m&#225;s estrat&#233;gicas. Algunos barajan la posibilidad de fortalecimiento de un populismo de derecha &#8220;a la Garotinho&#8221;. Otros se preguntan si la violencia urbana en el pa&#237;s - una de las m&#225;s graves del mundo - no puede venir a asumir contornos de lucha de clases, como en los &#250;ltimos d&#237;as han anticipado las batallas campales en los barrios perif&#233;ricos de Par&#237;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lo que de hecho est&#225; en cuesti&#243;n en esas &#8220;reflexiones&#8221; es en qu&#233; se transformar&#225; el pa&#237;s con el debilitamiento del PT como instrumento de contenci&#243;n y amortiguaci&#243;n de la lucha de clases.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Decanta un sector de masas a la izquierda del gobierno Lula y del PT&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pesar de que el PSDB ha sido el principal beneficiado con la crisis a partir del fortalecimiento de la candidatura de sus presidenciables, a tres a&#241;os del gobierno Lula se ha desarrollado un a&#250;n peque&#241;o, pero importante sector de las masas que pasan a cuestionar el gobierno Lula y el PT pero no necesariamente ven como alternativa confiar en el bloque PSDB-PFL.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ese sector de masas se expresa en los 5 a 6% (millones) que barajan votar a Helo&#237;sa Helena en el 2006, en los 30 a 40% de trabajadores que han votado a Conlutas en las elecciones sindicales que ocurrieron en las principales categor&#237;as del pa&#237;s este a&#241;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El hecho de que ese sector de masas exista no significa en si mismo que el proceso hist&#243;rico de rupturas con el gobierno Lula y el PT se va a trasformar en un nuevo proceso de militancia org&#225;nica de la clase trabajadora con un programa independiente de la burgues&#237;a. Para eso, es necesario que los sectores m&#225;s concientes de la clase trabajadora levanten pol&#237;ticas capaces de canalizar las energ&#237;as de las masas en ese sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;El papel de la consigna de Asamblea Constituyente Libre y Soberana&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Es necesario levantar una pol&#237;tica capaz de transformar el descontento y la indignaci&#243;n pol&#237;tica de amplios sectores de las masas con la podredumbre de los partidos y de las instituciones dominantes, en una militancia org&#225;nica de la clase trabajadora para imponer una salida independiente de la burgues&#237;a para la crisis provocada por los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n, ligando esa corrupci&#243;n de los de arriba a los problemas m&#225;s sentidos por las masas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La lucha para que las organizaciones de masas de los explotados y oprimidos - los sindicatos, la CUT, el MST, la UNE etc. - rompan con el gobierno e impongan por la fuerza una Asamblea Constituyente Libre y Soberana, abrir&#237;a la posibilidad de un amplio debate entre las masas sobre el car&#225;cter falsamente democr&#225;tico de las instituciones como el Congreso y la Presidencia de la Rep&#250;blica; de la necesidad de atacar la ganancia de los capitalistas y de romper con el imperialismo para garantizar empleo para todos y un salario capaz de satisfacer las necesidades de cada familia, de atacar el gran latifundio para terminar con la miseria en el campo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En la medida que la burocracia sindical o las direcciones de los movimientos populares se nieguen a movilizar sus bases para imponer por la fuerza una Asamblea Consitiuyente, estar&#237;a abierta una posibilidad para que los trabajadores comprueben en la pr&#225;ctica que el discurso de que el gobierno es v&#237;ctima de un &#8220;golpe de la derecha&#8221; es una falacia y que en realidad el apoyo de las organizaciones de masas al gobierno es antag&#243;nico a los reales intereses de la mayor&#237;a de la poblaci&#243;n, alentando la masificaci&#243;n de un proceso de expulsi&#243;n de las direcciones oficialistas y burocr&#225;ticas y de surgimiento de nuevas direcciones combativas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En el curso de esa lucha, ante los enfrentamientos con la bugues&#237;a y en la medida en que &#233;sta utilice su poder econ&#243;mico y militar para impedir la realizaci&#243;n de cualquiera de las reivindicaciones que los explotados y oprimidos, estar&#237;an dadas las condiciones favorables para que los trabajadores y campesinos pobres noten la necesidad de construir otro tipo de poder, sovi&#233;tico, a trav&#233;s del cual las masas, organizando sus propias milicias, tomen las riendas del pa&#237;s organizando a toda la producci&#243;n al servicio de los intereses de la mayor&#237;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Infelizmente, el PSTU, ante la crisis, se limit&#243; a hacer lo que ellos mismos llamaron &#8220;ultrapropaganda&#8221; como el &#8220;que se vayan todos&#8221;, &#8220;huelga general&#8221; y &#8220;por un gobierno socialista de trabajadores&#034;. No negamos la importancia de propagandizar esos objetivos comunes de los marxistas revolucionarios. Pero la tarea de una organizaci&#243;n que pretende orientar a las masas hacia la revoluci&#243;n en Brasil no puede restringirse a hacer propaganda de los objetivos m&#225;ximos de la revoluci&#243;n. Es necesario levantar pol&#237;ticas que les permitan a las masas avanzar de su nivel de conciencia atrasado hacia un nivel de conciencia revolucionario, proporcionando experiencias concretas que las ayude a liberarse de la influencia de la burocracia y del reformismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El PSOL, a su vez, con su pol&#237;tica de &#8220;plebiscito&#8221; y &#8220;elecciones generales&#8221;, no podr&#237;a m&#225;s que ayudar al r&#233;gimen de dominio de la burgues&#237;a a recomponerse y recuperar su prestigio entre las masas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;El papel de un Encuentro Unificado de los trabajadores y la izquierda combativa&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A lo largo de toda la crisis, el Psol y el PSTU se negaron a organizar un encuentro que buscara unificar al conjunto de los trabajadores que hoy cuestionan al gobierno Lula y el PT, trayendo no solo a la periferia que cada uno influencia, sino tambi&#233;n sirviendo como est&#237;mulo para atraer a aquellos que a&#250;n no se ubican en una perspectiva militante. Realizaron encuentros nacionales separados, en el de Conlutas el d&#237;a 18 de agosto, el PSTU se neg&#243; a poner en debate la pol&#237;tica con la cual Conlutas deber&#237;a luchar para responder a la crisis nacional, as&#237; como el PSOL se neg&#243; a hacerlo en el encuentro de la Asamblea Popular.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entretanto, por incre&#237;ble que pueda parecer, tanto el PSTU como el PSOL, cuando proponen el programa por el cual Conlutas o la Asamblea Constituyente debe luchar, a&#250;n por separado, llegan al corolario m&#225;ximo com&#250;n del ataque a la pol&#237;tica econ&#243;mica del gobierno. Algunos dicen &#8220;abajo&#8221;, otros dicen &#8220;cambio&#8221;, en el fondo, unos con una verborragia m&#225;s de izquierda y otros m&#225;s de derecha, ambos tienen acuerdo en ponerle a los trabajadores, sindicatos y movimientos sociales m&#225;s avanzados la tarea &#8220;m&#225;xima&#8221; de adaptarse al &#8220;neodesarrollismo de izquierda&#8221;. El PSTU, para no perjudicar la relaci&#243;n con sus aliados reformistas que les permiten sobrevivir dentro del r&#233;gimen con relativo peso en el movimiento sindical. PSOL, para no alejar a los petistas y ex-petistas que les permiten sobrevivir en el r&#233;gimen con relativo peso electoral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La Liga Estrategia Revolucionaria, con sus peque&#241;as fuerzas, luch&#243; en el Encuentro Nacional de Conlutas y en la Asamblea Nacional Popular y de Izquierda por un Encuentro Unificado de los trabajadores y de la izquierda combativa para armar a los sectores que empiezan a romper con el gobierno Lula y el PT con una pol&#237;tica capaz de ligarlos a las masas en la lucha por imponer una salida clasista a la crisis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A&#250;n con el reflujo de la crisis, un encuentro de este tipo sigue siendo una necesidad para que la vanguardia pueda unirse alrededor de un polo con una pol&#237;tica clasista para combatir al gobierno, al PT y a la burocracia sindical. Es necesario abrir el debate sobre un primer balance de la crisis y de la actuaci&#243;n de la izquierda en ella, de forma de sacar las conclusiones necesarias para intervenir con precisi&#243;n en las brechas en las alturas que no terminaron de cerrar y que pueden volver a abrirse a&#250;n m&#225;s.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Crise no &#8220;neoliberalismo lulista&#8221;</title>
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		<dc:date>2005-09-21T17:58:46Z</dc:date>
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		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

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&lt;p&gt;Em menos de um m&#234;s ca&#237;ram no Brasil alguns dos principais ministros de Lula - entre os quais est&#225; seu hist&#243;rico bra&#231;o direito Jos&#233; Dirceu - foram destitu&#237;dos de seus cargos os principais dirigentes da c&#250;pula do PT e o Presidente da CUT assumiu o cargo de Ministro de Trabalho. Renunciou a seu cargo o parlamentar Valdemar Costa Neto, o presidente do Partido Liberal de Jos&#233; Alencar, vice de Lula, e o todo-poderoso Palocci tamb&#233;m se v&#234; envolvido em esquemas de corrup&#231;&#227;o. At&#233; agora ningu&#233;m pode (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Em menos de um m&#234;s ca&#237;ram no Brasil alguns dos principais ministros de Lula - entre os quais est&#225; seu hist&#243;rico bra&#231;o direito Jos&#233; Dirceu - foram destitu&#237;dos de seus cargos os principais dirigentes da c&#250;pula do PT e o Presidente da CUT assumiu o cargo de Ministro de Trabalho. Renunciou a seu cargo o parlamentar Valdemar Costa Neto, o presidente do Partido Liberal de Jos&#233; Alencar, vice de Lula, e o todo-poderoso Palocci tamb&#233;m se v&#234; envolvido em esquemas de corrup&#231;&#227;o. At&#233; agora ningu&#233;m pode prever as conseq&#252;&#234;ncias da crise, uma vez que Lula j&#225; come&#231;ou a cair nas pesquisas me meio a amea&#231;as de um julgamento pol&#237;tico por parte dos setores dos partidos burgueses de oposi&#231;&#227;o. Ao mesmo tempo, Lula e o governo seguem com uma alta aprova&#231;&#227;o popular e predomina a passividade entre a classe trabalhadora e o povo pobre da cidade e do campo, ainda que estejam se desenvolvendo importantes fen&#244;menos de vanguarda &#227; esquerda de Lula, do PT e da burocracia sindical.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para analisar a complexidade da crise que est&#225; em curso no Brasil, &#233; necess&#225;rio buscar o que h&#225; detr&#225;s dos esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o, ainda que estes sejam os principais detonadores e catalisadores do processo e estejam permanentemente lhe atribuindo uma din&#226;mica indefinida. &lt;br class='autobr' /&gt;
A import&#226;ncia desta crise tem a ver com o fato do PT n&#227;o ser um partido org&#226;nico da burguesia, sendo o principal instrumento amortizador da luta de classes no Brasil nos &#250;ltimos 25 anos. As condi&#231;&#245;es especiais que levaram a um partido de origem oper&#225;ria ao governo central de um pa&#237;s historicamente olig&#225;rquico como o Brasil s&#227;o parte dos fundamentos da crise e do baque hist&#243;rico que o PT est&#225; sofrendo, colocando contradi&#231;&#245;es estrat&#233;gicas para o regime de dom&#237;nio no pa&#237;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que fez com que Lula chegasse ao poder foi uma combina&#231;&#227;o entre o risco de default que amea&#231;ava a economia, a desagrega&#231;&#227;o do bloco que governou junto a Fernando Henrique Cardoso e um giro &#227; esquerda na psicologia das massas em rela&#231;&#227;o &#227; ofensiva neoliberal dos anos 90, assentando as bases para um governo de frente-popular preventiva que buscava evitar o desenvolvimento de um cen&#225;rio como o da Argentina de 2001. O desenvolvimento destes elementos sob o governo de Lula &#233; chave para compreendermos o car&#225;ter e a din&#226;mica da atual crise pol&#237;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Uma express&#227;o da crise na hegemonia neoliberal na Am&#233;rica Latina&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) v&#225;rias vezes estalaram esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o, como por exemplo ao redor dos benef&#237;cios il&#237;citos surgidos das privatiza&#231;&#245;es ou na vota&#231;&#227;o da lei que permitiu a reelei&#231;&#227;o para presidente em 1998. Mas neste momento a alian&#231;a dos partidos que compunham o governo (PSDB-PFL-PMDB) se sustentava sobre o mini-boom da economia norte-americana em meados da d&#233;cada de 90, e nos &#234;xitos dos primeiros anos de Plano Real, que conseguiram conter a hiperinfla&#231;&#227;o dos anos 80 e reverter por alguns anos as tend&#234;ncias recessivas da economia. Isto garantiu ao capital financeiro internacional o controle dos conflitos entre as distintas fra&#231;&#245;es da burguesia brasileira, uma ampla base de sustenta&#231;&#227;o no Congresso e uma importante base de apoio nas classes m&#233;dias. Entretanto, com as crises econ&#244;micas dos pa&#237;ses asi&#225;ticos a partir de 1997, o default russo e a recess&#227;o de 2000/2002 nos EUA, voltaram as fortes instabilidades da economia brasileira, agora mais agravada pelas privatiza&#231;&#245;es e o brutal aumento da d&#237;vida p&#250;blica, desarticulando a hegemonia que girava em torno de FHC. A primeira demonstra&#231;&#227;o mais evidente desta desarticula&#231;&#227;o se deu quando o bloco que sustentou FHC n&#227;o foi capaz de conseguir uma candidatura comum para a sucess&#227;o presidencial de 2002.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As crises de hegemonia neoliberal t&#234;m sido um aspecto comum nos distintos pa&#237;ses da regi&#227;o, como pudemos observar na Argentina de 2001, quando o vice-presidente Chacho &#225;lvarez renunciou por esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o relacionados com a implementa&#231;&#227;o da reforma trabalhista neste pa&#237;s, e quando as se agudizaram disputas entre as distintas fra&#231;&#245;es burguesas ao redor de uma sa&#237;da para a depress&#227;o econ&#244;mica. No Brasil estas crises se expressaram por uma via distorcida, primeiro pelo ascenso de um ex-oper&#225;rio metal&#250;rgico &#227; Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica pela primeira vez na hist&#243;ria do pa&#237;s, e depois nas contradi&#231;&#245;es e dificuldades que Lula tem tido para governar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;FHC tamb&#233;m esteve envolvido em v&#225;rios esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o, como por exemplo nas den&#250;ncias de irregularidades nas privatiza&#231;&#245;es e na compra de votos para a vota&#231;&#227;o da lei que permitiria a abertura de uma Comiss&#227;o Parlamentar de Investiga&#231;&#227;o (CPI) pela esmagadora maioria de sua base no Congresso. J&#225; no governo Lula desde 2003 para aprovar a reforma da previd&#234;ncia, e as posteriores medidas importantes que enviou ao Congresso, teve que contar com uma parte importante dos votos dos partidos burgueses da oposi&#231;&#227;o (PSDB-PFL). O fato de que a base parlamentar de Lula foi e seja muito menor com a qual contava FHC &#233; parte fundamental das dificuldades que o governo tem para controlar a crise atual, e fundamenta a necessidade do governo petista de montar um esquema de corrup&#231;&#227;o muito mais estrutural e estendido que o de FHC para conseguir uma base de sustenta&#231;&#227;o m&#237;nima no Congresso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fato de que o PT n&#227;o seja um partido org&#226;nico da burguesia fez e faz com que, para atrair o capital financeiro internacional, o governo Lula tenha que implementar um neoliberalismo em v&#225;rios aspectos ainda mais brutal que o de FHC, realizando pesados ajustes fiscais, monet&#225;rios e reformas constitucionais extremamente anti-populares. Ao manter as mais altas taxas de lucro do mundo, ao cortar cada vez mais o investimento em infra-estrutura e gastos sociais como educa&#231;&#227;o, sa&#250;de e reforma agr&#225;ria, ao implementar ataques como as reformas da previd&#234;ncia ou a trabalhista, Lula n&#227;o s&#243; gera conflitos com setores importantes da burguesia, como tamb&#233;m com o pr&#243;prio PT, dificultando a administra&#231;&#227;o da crise que se d&#225; &#8220;nas alturas&#8221;, e acelerando o desgaste com a base social que o elegeu com ilus&#245;es no discurso anti-neoliberal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As contradi&#231;&#245;es do transformismo petista&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O transformismo &#233; um conceito que o marxismo utiliza para explicar o processo de assimila&#231;&#227;o de dire&#231;&#245;es das classes subalternas pelas classes dominantes. O PT, na medida em que surgiu do ascenso de greves dos anos 80 - o principal de toda a hist&#243;ria da classe trabalhadora brasileira - &#233; uma importante express&#227;o deste fen&#244;meno. Desde que Lula assumiu o governo em 2002, o PT passou de ala esquerda do regime a ser o principal aplicador e garantidor dos planos neoliberais. Mas a participa&#231;&#227;o expl&#237;cita do PT em milion&#225;rios esquemas de corrup&#231;&#227;o significou uma sacudida hist&#243;rica na rela&#231;&#227;o deste partido com as massas, pois caiu a m&#225;scara de &#8220;&#233;tica e moral&#8221; que era uma de suas principais bandeiras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre os pilares de sustenta&#231;&#227;o do PT o que se mant&#233;m forte &#233; o poder de conten&#231;&#227;o da luta de classes, que exerce atrav&#233;s da rela&#231;&#227;o org&#226;nica que tem com as dire&#231;&#245;es das principais organiza&#231;&#245;es do movimento de massas. As dire&#231;&#245;es da CUT, o MST e a UNE, com sua pol&#237;tica de &#8220;pressionar o governo para que v&#225; a esquerda&#8221; tem impedido um ascenso de massas contra os ataques neoliberais e a corrup&#231;&#227;o do governo Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto isso, a gravidade da atual crise pol&#237;tica combinada com caracter&#237;sticas cada vez mais direitistas do governo, tem colocado novas e fortes contradi&#231;&#245;es para estas dire&#231;&#245;es, agravadas pela integra&#231;&#227;o do presidente da CUT, Luis Marinho, ao Minist&#233;rio do Trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A elei&#231;&#227;o de Lula em 2002 expressou um giro a esquerda das massas em rela&#231;&#227;o &#227; ofensiva neoliberal da d&#233;cada de 90. Desde ent&#227;o, esse giro n&#227;o se reverteu, mas est&#225; contido pelas ilus&#245;es e expectativas depositadas em Lula. Para defender o governo, as dire&#231;&#245;es petistas s&#227;o obrigadas a levar em conta em seu discurso esta psicologia das massas. Por isso inventaram a conspira&#231;&#227;o de um golpe de direita contra o governo, e exigem que Lula deixe de ser neoliberal. Esta pol&#237;tica tem se mostrado eficaz no imediato, mas estrategicamente apresenta fortes contradi&#231;&#245;es, pois cria um clima de enfrentamento de classes antag&#244;nico &#227; estrat&#233;gia historicamente conciliadora do PT. Entra em contradi&#231;&#227;o tamb&#233;m com o giro a direita que Lula est&#225; dando para responder &#227; crise, acelerando a experi&#234;ncia das massas com suas dire&#231;&#245;es. &lt;br class='autobr' /&gt;
Os processos de reorganiza&#231;&#227;o pol&#237;tica e sindical que v&#234;m se desenvolvendo desde que Lula e o PT se fizeram neoliberais podem dar um novo salto no pr&#243;ximo per&#237;odo, com uma nova onda de rupturas com o PT que poderia se dar ap&#243;s as elei&#231;&#245;es internas para os cargos no aparato deste partido em 18 de setembro, al&#233;m de uma grande discuss&#227;o que atravessa a CUT e que abre a possibilidade de ruptura de um novo setor da ala esquerda desta Central.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;El ciclo precario de crecimiento econ&#243;mico&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aparentemente, no existe una relaci&#243;n m&#225;s directa entre la actual crisis pol&#237;tica y la econom&#237;a, pues esta &#250;ltima no sufri&#243; cambios abruptos con los recientes acontecimientos. Por el contrario, mientras la crisis se agrava, la econom&#237;a contin&#250;a expresando varios indicadores positivos, aunque la venida del Secretario del Tesoro norteamericano John Snow a Brasil y los recientes an&#225;lisis de los organismos financieros internacionales en el medio de la crisis demuestre la preocupaci&#243;n del imperialismo con relaci&#243;n a las perspectivas futuras y puede adelantar un declive del flujo de capitales internacionales para el pa&#237;s a mediano y largo plazo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El mantenimiento de los indicadores econ&#243;micos positivos coyunturalmente ha ayudado al gobierno a administrar los conflictos con los sectores descontentos de la burgues&#237;a y alimentar las ilusiones de cambios en las clases subalternas. Mientras tanto, el escenario internacional que fue la base para el ciclo de recuperaci&#243;n actual empieza a mostrar se&#241;ales de cambio. Los EE.UU. aumentaron sus tasas de inter&#233;s para contener su inflaci&#243;n, lo que tiende a disminuir el flujo de capitales internacionales para el pa&#237;s. La forzada valorizaci&#243;n del real con relaci&#243;n al d&#243;lar, el aumento de los costos de los insumos y pesticidas agr&#237;colas y las sequ&#237;as en las regiones sur y centro oeste del pa&#237;s, que alcanza los principales productos de la pauta de exportaciones, tienden a cambiar la din&#225;mica de las exportaciones.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En el marco de este ciclo precario de recuperaci&#243;n econ&#243;mica vivido desde 2004, el gobierno brasile&#241;o no logr&#243; disminuir nada la deuda p&#250;blica del pa&#237;s. Por el contrario, esta deuda viene creciendo a pesar de los sucesivos pagos de intereses y amortizaciones. Este factor plantea concretamente la posibilidad de que, en la medida en que se reviertan las condiciones econ&#243;micas internacionales que hoy sustentan el ciclo de crecimiento, se plantee de nuevo el escenario de crisis como la que tom&#243; cuenta la econom&#237;a en 2002 y 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Car&#225;cter de la crisis y situaci&#243;n de la lucha de clases&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Son contradicciones de car&#225;cter m&#225;s estructural, en varios aspectos semejantes a las que se desarrollan en Brasil, los que hicieron estallar una crisis org&#225;nica en Argentina en 2001, o tambi&#233;n en otros pa&#237;ses de la regi&#243;n, como Bolivia o Ecuador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Crisis org&#225;nica es un concepto utilizado por los marxistas para expresar la existencia de una desigualdad entre la din&#225;mica de crisis entre las fracciones burguesas y el funcionamiento de las instituciones del r&#233;gimen de dominio por un lado y, por otro lado, la din&#225;mica de la lucha de clases, el grado de organizaci&#243;n y la subjetividad de las clases subalternas. Es decir, que existe una crisis de hegemon&#237;a en las clases dominantes, motorizada por las contradicciones m&#225;s estructurales tanto en el &#225;mbito de la econom&#237;a como en el &#225;mbito de la pol&#237;tica y en la psicolog&#237;a de las masas, pero no existe una situaci&#243;n revolucionaria motorizada por la radicalizaci&#243;n pol&#237;tica del movimiento de masas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pero en Brasil a&#250;n no se desarrolla una crisis org&#225;nica abierta como en Argentina, Bolivia o Ecuador, y ni tampoco hay en Brasil situaciones revolucionarias como las que estos pa&#237;ses vivieron en los &#250;ltimos a&#241;os. Lo que ha impedido que estalle en Brasil una crisis de este tipo es el transformismo petista, que otorga al PT un rol de contenci&#243;n y administraci&#243;n de las contradicciones m&#225;s estructurales del desgaste de la ofensiva neoliberal. Mientras tanto, el PT est&#225; siendo brutalmente corro&#237;do por la ejecuci&#243;n de este papel. Este acelerado desgaste del PT es lo que plantea un puente de ligaz&#243;n entre la crisis en &#8220;las alturas&#8221; y la pasividad de &#8220;los de abajo&#8221;, pues mientras en lo inmediato define una situaci&#243;n no revolucionaria, estrat&#233;gicamente apunta a nuevos fen&#243;menos superiores de la lucha de clases, aunque los indicadores que tenemos hasta ahora no permitan identificar los ritmos en que se dar&#225; este proceso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En esto sentido, la crisis de hegemon&#237;a en Brasil a&#250;n no es abierta, expl&#237;cita, en pleno desarrollo y s&#237;, est&#225; contenida, sofocada por el gobierno petista, expres&#225;ndose de forma distorsionada en la ca&#237;da de algunos de los ministros m&#225;s pr&#243;ximos de Lula y de la c&#250;pula del PT al mismo tiempo en que el gobierno y principalmente Lula mantienen una alta popularidad y la econom&#237;a expresa importantes indicadores positivos. Esto es lo que explica c&#243;mo una crisis de la magnitud de la que est&#225; en curso en Brasil se desarrolle sin radicalizaci&#243;n pol&#237;tica o acciones independientes del movimiento de masas, aunque no se puedan prever los efectos en la lucha de clases de esta sacudida hist&#243;rica del PT a mediano plazo. Es decir, es una crisis org&#225;nica latente combinada con una situaci&#243;n no revolucionaria, lo cual est&#225; completamente en abierto sobre c&#243;mo terminar&#225;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Luchemos para que las masas oprimidas impongan una salida independiente de la burgues&#237;a para la crisis&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La pol&#237;tica del gobierno y del ala derecha del PT para responder a la crisis es rifar la cabeza de algunos sectores importantes de sus cuadros a cambio de estabilizar la situaci&#243;n y retomar la ofensiva. La burocracia de la CUT y la direcci&#243;n del MST, junto con la izquierda petista, en la medida que se reh&#250;san a romper con el gobierno y el PT, terminan sosteniendo por &#8220;izquierda&#8221; la pol&#237;tica de Lula y las alas neoliberales del petismo. La pol&#237;tica de la oposici&#243;n burguesa del PSDB y el PFL es desangrar al PT para retomar el control central del Estado en 2006, pero sin rifar a Lula, lo que tendr&#237;a consecuencias imprevisibles. Mientras tanto, gana cada vez mayor peso dentro del PSDB y del PFL la propuesta de enfrentar los riesgos que implicar&#237;a cortar la cabeza de Lula con un juicio pol&#237;tico, como pudimos ver recientemente cuando Valdemar Costa Neto (Presidente del Partido Liberal de Jos&#233; Alencar) y Duda Mendon&#231;a (publicista de Lula) hicieron denuncias que golpean m&#225;s directamente a Lula, lo que podr&#237;a cambiar dr&#225;sticamente todo el escenario pol&#237;tico. Y el hecho de que para sostener su imagen el gobierno tenga que rifar piezas que hasta entonces ven&#237;an cumpliendo un rol clave en el juego pol&#237;tico, como por ejemplo Marcos Val&#233;rio (empresario que administraba el esquema de coimas), atribuyen un potencial explosivo a la situaci&#243;n.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En la medida en que la clase trabajadora no se moviliza e impone con su propia fuerza una salida independiente de la burgues&#237;a, del gobierno y del PT para la crisis, lo m&#225;s probable es que impere la impunidad y contin&#250;e siendo aplastada con m&#225;s neoliberalismo, sea petista o tucano [2]. Frente a este escenario, es necesario levantar una pol&#237;tica capaz de apoyarse en la bronca de las masas con relaci&#243;n a la corrupci&#243;n y los ataques neoliberales para movilizar a la clase trabajadora alrededor de una salida para la crisis basada en su propia fuerza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En agosto y septiembre, los sectores minoritarios de la izquierda que hoy se ponen contra el gobierno, el PT y la burocracia sindical organizan actividades nacionales contra la corrupci&#243;n y los ataques neoliberales del gobierno. En Brasilia, el d&#237;a 17 de octubre, la Conlutas, el PSTU y el PSOL realizaron un acto con cerca de 10 mil personas. Los d&#237;as 24 y 25 de septiembre, el PSOL y la &#8220;izquierda de la CUT&#8221; realizar&#225;n un Encuentro en San Pablo convocado con el nombre de &#8220;Asamblea Nacional Popular y de Izquierda&#8221;. Estos son importantes hechos que permiten medir la fuerza de los sectores frente a la crisis, que hasta ahora no lograron ninguna acci&#243;n que influencie en la correlaci&#243;n de fuerzas pol&#237;ticas nacionalmente, a pesar de que aparecieran m&#225;s en los medios de comunicaci&#243;n. Hasta ahora, el acto del d&#237;a 17 confirma que el terremoto pol&#237;tico por arriba a&#250;n no consigue movilizar sectores de masas contra la podredumbre en el gobierno y el r&#233;gimen y los activistas antigubernamentales y antiburocr&#225;ticos son un sector de vanguardia extremadamente minoritario.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El PSTU, que re&#250;ne gran parte de los sindicatos antigubernamentales y antiburocr&#225;ticos en la Conlutas, en las v&#237;speras de la marcha del d&#237;a 17 pas&#243; en forma totalmente abrupta y sin hacerse ninguna autocr&#237;tica de una posici&#243;n absolutamente reformista a una totalmente abstracta y ultra izquierdista. Hasta el d&#237;a 15 de agosto, el PSTU exig&#237;a que Lula deponga en el Congreso, llegando incluso al rid&#237;culo de publicar en su p&#225;gina de Internet el n&#250;mero del expediente del tr&#225;mite que hicieran en Brasilia y hasta llamar al PPS y al PDT para hacer un frente &#250;nico en la lucha contra la corrupci&#243;n (pol&#237;tica derrotada dentro de la Conlutas SP y ABC). Despu&#233;s del d&#237;a 15 de agosto, el PSTU pas&#243; a una pol&#237;tica abstracta, de ultra izquierdismo antiparlamentario, dando un ultim&#225;tum a la clase trabajadora para que prepare una huelga general y haga una revoluci&#243;n obrera y socialista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El PSOL, que canaliza el espacio electoral de descontento con el gobierno de Lula a trav&#233;s de la figura de la senadora Helo&#237;sa Helena, defiende que el Congreso convoque un plebiscito para revocar el mandato de Lula y enseguida realizar nuevas elecciones generales. Esta pol&#237;tica no s&#243;lo pone al PSOL como parte integrante del r&#233;gimen de dominio que vivimos hoy, alentando la confianza en las instituciones podridas que est&#225;n ah&#237;, sino que asimila trazos bonapartistas tratando a la clase trabajadora como base de maniobra incapaz de decir m&#225;s que &#8220;Lula s&#237;&#8221; o &#8220;Lula no&#8221;, y evidenciando el objetivo de fondo de la direcci&#243;n de este partido que es ganar algunos votos o cargos parlamentarios apoy&#225;ndose en la corrosi&#243;n del PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Los marxistas revolucionarios luchamos por acabar definitivamente el sistema capitalista de explotaci&#243;n del hombre por el hombre e instaurar un gobierno de los trabajadores, de los campesinos y del pueblo pobre, basado en un Consejo Nacional de diputados revocables electos por unidad de trabajo, donde los explotadores no tengan derecho a voto. Pero comprendemos que la mayor&#237;a de la poblaci&#243;n y ni siquiera la mayor&#237;a de la clase obrera compartan hoy esta perspectiva revolucionaria. Sin embargo, grandes sectores de la poblaci&#243;n est&#225;n indignados con la corrupci&#243;n y los ataques a los trabajadores y al pueblo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contra las salidas reaccionarias que los partidos dominantes quieren imponer, de impunidad y de m&#225;s neoliberalismo, sin tener que esconder las divergencias que existen entre ellos, el PSOL y el PSTU deben poner el peso sindical de la Conlutas y el peso parlamentario de Helo&#237;sa Helena al servicio de la construcci&#243;n de un Polo que exija que los sindicatos, la CUT y el MST (que dirige el movimiento campesino) rompan con el gobierno y luchen por una Asamblea Constituyente Libre y Soberana, que no s&#243;lo garantice la investigaci&#243;n y el castigo de los corruptos, sino que comience a discutir el hambre, el desempleo, el salario, la tierra y la entrega, es decir, los grandes problemas estructurales del pa&#237;s. Una Asamblea con miles de diputados electos proporcionalmente a la poblaci&#243;n de cada lugar del pa&#237;s, que garantice que las masas oprimidas impongan su fuerza y decidan las medidas necesarias para salir de la crisis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta seria la &#250;nica forma de que las masas hagan una experiencia con los l&#237;mites de la democracia burguesa en su m&#225;xima expresi&#243;n como es en una Constituyente Libre y Soberana, y se convenzan de que es necesario luchar por otro poder, revolucionario, basado en las f&#225;bricas, en el campo, las minas, y en la base del ej&#233;rcito, o sea, la base de un gobierno de los trabajadores, los campesinos y el pueblo pobre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[1] Central &#218;nica de Trabajadores, Movimiento Sin-Tierra, Uni&#243;n Nacional de los Estudiantes&lt;br class='autobr' /&gt;
[2] Tucano es el animal s&#237;mbolo del PSDB&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Crisis en el &#8220;neoliberalismo lulista&#8221;</title>
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		<dc:date>2005-08-28T16:44:27Z</dc:date>
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		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

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&lt;p&gt;En menos de un mes en Brasil, cayeron algunos de los principales ministros de Lula - entre los cuales est&#225; su hist&#243;rico brazo derecho Jos&#233; Dirceu, fueron destituidos de sus cargos los principales dirigentes de la c&#250;pula del PT y el Presidente de la CUT asumi&#243; el cargo de Ministro de Trabajo. Renunci&#243; a su cargo en el parlamento Valdemar Costa Neto, el Presidente del Partido Liberal de Jos&#233; Alencar, vice de Lula, y el todo-poderoso Palocci tambi&#233;n se ve involucrado en esquemas de corrupci&#243;n. (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil,28" rel="directory"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

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&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;En menos de un mes en Brasil, cayeron algunos de los principales ministros de Lula - entre los cuales est&#225; su hist&#243;rico brazo derecho Jos&#233; Dirceu, fueron destituidos de sus cargos los principales dirigentes de la c&#250;pula del PT y el Presidente de la CUT asumi&#243; el cargo de Ministro de Trabajo. Renunci&#243; a su cargo en el parlamento Valdemar Costa Neto, el Presidente del Partido Liberal de Jos&#233; Alencar, vice de Lula, y el todo-poderoso Palocci tambi&#233;n se ve involucrado en esquemas de corrupci&#243;n. Hasta ahora nadie puede prever las consecuencias de la crisis, a la vez que Lula ya empez&#243; a caer en las encuestas en medio de amenazas de un juicio pol&#237;tico por parte de sectores de los partidos burgueses de oposici&#243;n. Al mismo tiempo, Lula y el gobierno siguen con una alta aprobaci&#243;n popular y predomina la pasividad entre la clase trabajadora y el pueblo pobre de la ciudad y del campo, aunque se est&#225;n desarrollando importantes fen&#243;menos de vanguardia a la izquierda de Lula, del PT y de la burocracia sindical.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para analizar la complejidad de la crisis que est&#225; en curso en Brasil, es necesario buscar lo que hay detr&#225;s de los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n, aunque estos sean los principales detonadores y catalizadores del proceso y est&#233;n permanentemente atribuy&#233;ndole una din&#225;mica indefinida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La importancia de esta crisis tiene que ver con el hecho de que el PT no es un partido org&#225;nico de la burgues&#237;a y son el principal instrumento amortiguador de la lucha de clases en Brasil en los &#250;ltimos 25 a&#241;os. Las condiciones especiales que llevaron a un partido de origen obrero al gobierno central de un pa&#237;s hist&#243;ricamente olig&#225;rquico como Brasil son parte de los fundamentos de la crisis y la sacudida hist&#243;rica que est&#225; sufriendo el PT plantea contradicciones estrat&#233;gicas para el r&#233;gimen de dominio en el pa&#237;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lo que hizo con que Lula llegara al poder fue una combinaci&#243;n entre un riesgo de default que amenazaba la econom&#237;a, la disgregaci&#243;n del bloque que gobern&#243; junto a Fernando Henrique Cardoso y un giro a la izquierda en la psicolog&#237;a de las masas en relaci&#243;n a la ofensiva neoliberal de los &#8216;90, asentando las bases para un gobierno de frente popular preventivo que buscaba evitar el desarrollo de un escenario como el de Argentina de 2001. El desarrollo de estos elementos bajo el gobierno de Lula es clave para comprendernos el car&#225;cter y la din&#225;mica de la actual crisis pol&#237;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Una expresi&#243;n de las crisis en la hegemon&#237;a neoliberal en Latinoam&#233;rica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante los ocho a&#241;os del gobierno de Fernando Hernrique Cardoso (FHC), varias veces estallaron esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n, como por ejemplo alrededor de los beneficios il&#237;citos surgidos de las privatizaciones o en la votaci&#243;n de la ley que permiti&#243; la reelecci&#243;n para presidente en 1998. Pero en ese entonces la alianza de partidos que compon&#237;a el gobierno (PSDB-PFL-PMDB) estaba asentada sobre el mini-boom de la econom&#237;a norteamericana de mediados de la d&#233;cada de los &#8216;90 y en los &#233;xitos de los primeros a&#241;os del Plan Real, que lograron contener la hiperinflaci&#243;n de los &#8216;80 y revertir por algunos a&#241;os las tendencias recesivas en la econom&#237;a. Esto garantiz&#243; al capital financiero internacional el control de los conflictos entre las distintas fracciones de la burgues&#237;a brasile&#241;a y una amplia base de sustento en el Congreso y una importante base de apoyo en las clases medias.&lt;br class='autobr' /&gt;
Entretanto, con las crisis econ&#243;micas de los pa&#237;ses asi&#225;ticos a partir de 1997, el default ruso y la recesi&#243;n en EEUU de 2000-2002, volvieron las fuertes inestabilidades de la econom&#237;a brasile&#241;a - ahora m&#225;s agravada por las privatizaciones y el brutal aumento de la deuda p&#250;blica - se desarticul&#243; la hegemon&#237;a que giraba en torno a FHC. La primera demostraci&#243;n m&#225;s evidente de esta desarticulaci&#243;n se dio cuando el bloque que sustent&#243; a FHC no fue capaz de lograr una candidatura com&#250;n para la sucesi&#243;n presidencial de 2002.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Las crisis en la hegemon&#237;a neoliberal han sido un aspecto com&#250;n en los distintos pa&#237;ses de la regi&#243;n, como pudimos observar en Argentina de 2001, cuando el vicepresidente Chacho &#225;lvarez renunci&#243; por esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n relacionados con la implementaci&#243;n de la reforma laboral en ese pa&#237;s y cuando las disputas entre las distintas fracciones burguesas alrededor de una salida para la depresi&#243;n econ&#243;mica se polarizaron.&lt;br class='autobr' /&gt;
En Brasil, estas crisis se expresaron por una v&#237;a distorsionada, primero por la ascenso de un ex obrero metal&#250;rgico a la Presidencia de la Rep&#250;blica por primea vez en la historia del pa&#237;s, y despu&#233;s en las contradicciones y dificultades que Lula ha tenido para gobernar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;FHC tambi&#233;n estuvo involucrado en varios esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n, como por ejemplo en las denuncias de irregularidades en las privatizaciones y en la compra de votos para la votaci&#243;n de la ley que permitir&#237;a la reelecci&#243;n en 1998. Pero siempre pudo controlar esos esc&#225;ndalos, impidiendo la apertura de una Comisi&#243;n Parlamentaria de Investigaci&#243;n (CPI) por la abrumadora mayor&#237;a de su base en el Congreso. Ya el gobierno Lula, desde 2003, para aprobar la reforma de las jubilaciones y las posteriores medidas importantes que envi&#243; al Congreso, tuvo que contar con una parte importante de los votos de los partidos burgueses de oposici&#243;n (PSDB-PFL). El hecho de que la base parlamentaria de Lula fue y es relativamente mucho menor que la que tuvo FHC es parte fundamental de las dificultades que el gobierno tiene para controlar la crisis actual y fundamenta la necesidad del gobierno petista de montar un esquema de corrupci&#243;n mucho m&#225;s estructural y extendido que el de FHC para lograr una base de sustento m&#237;nima en el Congreso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El hecho de que el PT no sea un partido org&#225;nico de la burgues&#237;a hizo y hace que, para atraer el capital financiero internacional, el gobierno de Lula tenga que implementar un neoliberalismo en varios aspectos a&#250;n m&#225;s brutal que el de FHC, realizando brutales ajustes fiscales, ajustes monetarios y reformas constitucionales extremadamente antipopulares. Al mantener las m&#225;s altas tasas de inter&#233;s del mundo, al cortar cada vez m&#225;s los presupuestos para infraestructura y gastos sociales como educaci&#243;n, salud y reforma agraria, al implementar ataques como las reformas de las jubilaciones o la laboral, Lula no s&#243;lo genera conflictos con sectores importantes de la burgues&#237;a sino tambi&#233;n con el propio PT, dificultando la administraci&#243;n de la crisis que se desarrolla en &#8220;las alturas&#8221; y acelerando el desgaste con la base social que lo eligi&#243; con ilusiones en el discurso antineoliberal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Las contradicciones del transformismo petista&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El transformismo es un concepto que el marxismo utiliza para explicar el proceso de asimilaci&#243;n de direcciones de las clases subalternas por las clases dominantes. El PT, en la medida que surgi&#243; del ascenso de huelgas de los &#8216;80 - el principal de toda la historia de la clase trabajadora brasile&#241;a, es una importante expresi&#243;n de este fen&#243;meno.&lt;br class='autobr' /&gt;
Desde que Lula asumi&#243; el gobierno en 2002, el PT pas&#243; de ala izquierda del r&#233;gimen a ser el principal aplicador y garantizador de los planes neoliberales. Pero la participaci&#243;n expl&#237;cita del PT en millonarios esquemas de corrupci&#243;n ha significado una sacudida hist&#243;rica en la relaci&#243;n de este partido con las masas, pues cay&#243; la m&#225;scara de &#8220;&#233;tica y moral&#8221; que era una de sus principales banderas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre los pilares de sustento del PT, el que se mantiene fuerte es el poder de contenci&#243;n de la lucha de clases que ejerce a trav&#233;s de la relaci&#243;n org&#225;nica que tiene con las direcciones de las principales organizaciones del movimiento de masas. Las direcciones de la CUT, el MST y la UNE&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Central &#218;nica de Trabajadores, Movimiento Sin-Tierra, Uni&#243;n Nacional de los (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, con su pol&#237;tica de &#8220;presionar al gobierno para que vaya a la izquierda&#8221;, han impedido un ascenso de masas generalizado contra los ataques neoliberales y la corrupci&#243;n del gobierno de Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mientras tanto, la gravedad de la actual crisis pol&#237;tica, combinada con caracter&#237;sticas cada vez m&#225;s derechistas del gobierno, ha planteado nuevas y fuertes contradicciones para estas direcciones, agravadas por la integraci&#243;n del Presidente de la CUT, Luis Marinho, al Ministerio de Trabajo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La elecci&#243;n de Lula en 2002 expres&#243; un giro a la izquierda de las masas en relaci&#243;n a la ofensiva neoliberal de la d&#233;cada de los &#8216;90. Desde entonces, ese giro no se revirti&#243;, pero est&#225; contenido por las ilusiones y expectativas depositadas en Lula. Para defender el gobierno, las direcciones petistas son obligadas a tomar en cuenta esa psicolog&#237;a de las masas en su discurso. Por esto inventaron la conspiraci&#243;n de uno golpe de derecha contra el gobierno, y exigen que Lula deje de ser neoliberal. Esta pol&#237;tica se ha mostrado eficaz en lo inmediato, pero estrat&#233;gicamente presenta fuertes contradicciones, pues crea un clima de enfrentamiento de clases antag&#243;nico a la estrategia hist&#243;ricamente conciliadora del PT. Entra en contradicci&#243;n tambi&#233;n con el giro a la derecha que Lula est&#225; dando para responder a la crisis, acelerando la experiencia de las masas con sus direcciones.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Los procesos de reorganizaci&#243;n pol&#237;tica y sindical que se ven&#237;an desarrollando desde que Lula y el PT se hicieron neoliberales pueden dar un nuevo salto en el pr&#243;ximo per&#237;odo, con una nueva oleada de rupturas con el PT que podr&#237;a darse luego de las elecciones internas para los cargos en el aparato de este partido el 18 de septiembre, adem&#225;s de una gran discusi&#243;n que atraviesa la Central &#218;nica de Trabajadores (CUT) y que abre la posibilidad de ruptura de un nuevo sector del ala izquierda de esa Central.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;El ciclo precario de crecimiento econ&#243;mico&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aparentemente, no existe una relaci&#243;n m&#225;s directa entre la actual crisis pol&#237;tica y la econom&#237;a, pues esta &#250;ltima no sufri&#243; cambios abruptos con los recientes acontecimientos. Por el contrario, mientras la crisis se agrava, la econom&#237;a contin&#250;a expresando varios indicadores positivos, aunque la venida del Secretario del Tesoro norteamericano John Snow a Brasil y los recientes an&#225;lisis de los organismos financieros internacionales en el medio de la crisis demuestre la preocupaci&#243;n del imperialismo con relaci&#243;n a las perspectivas futuras y puede adelantar un declive del flujo de capitales internacionales para el pa&#237;s a mediano y largo plazo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El mantenimiento de los indicadores econ&#243;micos positivos coyunturalmente ha ayudado al gobierno a administrar los conflictos con los sectores descontentos de la burgues&#237;a y alimentar las ilusiones de cambios en las clases subalternas. Mientras tanto, el escenario internacional que fue la base para el ciclo de recuperaci&#243;n actual empieza a mostrar se&#241;ales de cambio. Los EE.UU. aumentaron sus tasas de inter&#233;s para contener su inflaci&#243;n, lo que tiende a disminuir el flujo de capitales internacionales para el pa&#237;s. La forzada valorizaci&#243;n del real con relaci&#243;n al d&#243;lar, el aumento de los costos de los insumos y pesticidas agr&#237;colas y las sequ&#237;as en las regiones sur y centro oeste del pa&#237;s, que alcanza los principales productos de la pauta de exportaciones, tienden a cambiar la din&#225;mica de las exportaciones.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; En el marco de este ciclo precario de recuperaci&#243;n econ&#243;mica vivido desde 2004, el gobierno brasile&#241;o no logr&#243; disminuir nada la deuda p&#250;blica del pa&#237;s. Por el contrario, esta deuda viene creciendo a pesar de los sucesivos pagos de intereses y amortizaciones. Este factor plantea concretamente la posibilidad de que, en la medida en que se reviertan las condiciones econ&#243;micas internacionales que hoy sustentan el ciclo de crecimiento, se plantee de nuevo el escenario de crisis como la que tom&#243; cuenta la econom&#237;a en 2002 y 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Car&#225;cter de la crisis y situaci&#243;n de la lucha de clases&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Son contradicciones de car&#225;cter m&#225;s estructural, en varios aspectos semejantes a las que se desarrollan en Brasil, los que hicieron estallar una crisis org&#225;nica en Argentina en 2001, o tambi&#233;n en otros pa&#237;ses de la regi&#243;n, como Bolivia o Ecuador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Crisis org&#225;nica es un concepto utilizado por los marxistas para expresar la existencia de una desigualdad entre la din&#225;mica de crisis entre las fracciones burguesas y el funcionamiento de las instituciones del r&#233;gimen de dominio por un lado y, por otro lado, la din&#225;mica de la lucha de clases, el grado de organizaci&#243;n y la subjetividad de las clases subalternas. Es decir, que existe una crisis de hegemon&#237;a en las clases dominantes, motorizada por las contradicciones m&#225;s estructurales tanto en el &#225;mbito de la econom&#237;a como en el &#225;mbito de la pol&#237;tica y en la psicolog&#237;a de las masas, pero no existe una situaci&#243;n revolucionaria motorizada por la radicalizaci&#243;n pol&#237;tica del movimiento de masas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pero en Brasil a&#250;n no se desarrolla una crisis org&#225;nica abierta como en Argentina, Bolivia o Ecuador, y ni tampoco hay en Brasil situaciones revolucionarias como las que estos pa&#237;ses vivieron en los &#250;ltimos a&#241;os. Lo que ha impedido que estalle en Brasil una crisis de este tipo es el transformismo petista, que otorga al PT un rol de contenci&#243;n y administraci&#243;n de las contradicciones m&#225;s estructurales del desgaste de la ofensiva neoliberal. &lt;br class='autobr' /&gt;
Mientras tanto, el PT est&#225; siendo brutalmente corro&#237;do por la ejecuci&#243;n de este papel. Este acelerado desgaste del PT es lo que plantea un puente de ligaz&#243;n entre la crisis en &#8220;las alturas&#8221; y la pasividad de &#8220;los de abajo&#8221;, pues mientras en lo inmediato define una situaci&#243;n no revolucionaria, estrat&#233;gicamente apunta a nuevos fen&#243;menos superiores de la lucha de clases, aunque los indicadores que tenemos hasta ahora no permitan identificar los ritmos en que se dar&#225; este proceso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En esto sentido, la crisis de hegemon&#237;a en Brasil a&#250;n no es abierta, expl&#237;cita, en pleno desarrollo y s&#237;, est&#225; contenida, sofocada por el gobierno petista, expres&#225;ndose de forma distorsionada en la ca&#237;da de algunos de los ministros m&#225;s pr&#243;ximos de Lula y de la c&#250;pula del PT al mismo tiempo en que el gobierno y principalmente Lula mantienen una alta popularidad y la econom&#237;a expresa importantes indicadores positivos. Esto es lo que explica c&#243;mo una crisis de la magnitud de la que est&#225; en curso en Brasil se desarrolle sin radicalizaci&#243;n pol&#237;tica o acciones independientes del movimiento de masas, aunque no se puedan prever los efectos en la lucha de clases de esta sacudida hist&#243;rica del PT a mediano plazo. Es decir, es una crisis org&#225;nica latente combinada con una situaci&#243;n no revolucionaria, lo cual est&#225; completamente en abierto sobre c&#243;mo terminar&#225;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Luchemos para que las masas oprimidas impongan una salida independiente de la burgues&#237;a para la crisis&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La pol&#237;tica del gobierno y del ala derecha del PT para responder a la crisis es rifar la cabeza de algunos sectores importantes de sus cuadros a cambio de estabilizar la situaci&#243;n y retomar la ofensiva. La burocracia de la CUT y la direcci&#243;n del MST, junto con la izquierda petista, en la medida que se reh&#250;san a romper con el gobierno y el PT, terminan sosteniendo por &#8220;izquierda&#8221; la pol&#237;tica de Lula y las alas neoliberales del petismo. La pol&#237;tica de la oposici&#243;n burguesa del PSDB y el PFL es desangrar al PT para retomar el control central del Estado en 2006, pero sin rifar a Lula, lo que tendr&#237;a consecuencias imprevisibles. Mientras tanto, gana cada vez mayor peso dentro del PSDB y del PFL la propuesta de enfrentar los riesgos que implicar&#237;a cortar la cabeza de Lula con un juicio pol&#237;tico, como pudimos ver recientemente cuando Valdemar Costa Neto (Presidente del Partido Liberal de Jos&#233; Alencar) y Duda Mendon&#231;a (publicista de Lula) hicieron denuncias que golpean m&#225;s directamente a Lula, lo que podr&#237;a cambiar dr&#225;sticamente todo el escenario pol&#237;tico. Y el hecho de que para sostener su imagen el gobierno tenga que rifar piezas que hasta entonces ven&#237;an cumpliendo un rol clave en el juego pol&#237;tico, como por ejemplo Marcos Val&#233;rio (empresario que administraba el esquema de coimas), atribuyen un potencial explosivo a la situaci&#243;n.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En la medida en que la clase trabajadora no se moviliza e impone con su propia fuerza una salida independiente de la burgues&#237;a, del gobierno y del PT para la crisis, lo m&#225;s probable es que impere la impunidad y contin&#250;e siendo aplastada con m&#225;s neoliberalismo, sea petista o tucano&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Tucano es el animal s&#237;mbolo del PSDB&#034; id=&#034;nh4-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;br class='autobr' /&gt;
Frente a este escenario, es necesario levantar una pol&#237;tica capaz de apoyarse en la bronca de las masas con relaci&#243;n a la corrupci&#243;n y los ataques neoliberales para movilizar a la clase trabajadora alrededor de una salida para la crisis basada en su propia fuerza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En agosto y septiembre, los sectores minoritarios de la izquierda que hoy se ponen contra el gobierno, el PT y la burocracia sindical organizan actividades nacionales contra la corrupci&#243;n y los ataques neoliberales del gobierno. En Brasilia, el d&#237;a 17 de octubre, la Conlutas, el PSTU y el PSOL realizaron un acto con cerca de 10 mil personas. Los d&#237;as 24 y 25 de septiembre, el PSOL y la &#8220;izquierda de la CUT&#8221; realizar&#225;n un Encuentro en San Pablo convocado con el nombre de &#8220;Asamblea Nacional Popular y de Izquierda&#8221;. Estos son importantes hechos que permiten medir la fuerza de los sectores frente a la crisis, que hasta ahora no lograron ninguna acci&#243;n que influencie en la correlaci&#243;n de fuerzas pol&#237;ticas nacionalmente, a pesar de que aparecieran m&#225;s en los medios de comunicaci&#243;n. Hasta ahora, el acto del d&#237;a 17 confirma que el terremoto pol&#237;tico por arriba a&#250;n no consigue movilizar sectores de masas contra la podredumbre en el gobierno y el r&#233;gimen y los activistas antigubernamentales y antiburocr&#225;ticos son un sector de vanguardia extremadamente minoritario.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El PSTU, que re&#250;ne gran parte de los sindicatos antigubernamentales y antiburocr&#225;ticos en la Conlutas, en las v&#237;speras de la marcha del d&#237;a 17 pas&#243; en forma totalmente abrupta y sin hacerse ninguna autocr&#237;tica de una posici&#243;n absolutamente reformista a una totalmente abstracta y ultra izquierdista. Hasta el d&#237;a 15 de agosto, el PSTU exig&#237;a que Lula deponga en el Congreso, llegando incluso al rid&#237;culo de publicar en su p&#225;gina de Internet el n&#250;mero del expediente del tr&#225;mite que hicieran en Brasilia y hasta llamar al PPS y al PDT para hacer un frente &#250;nico en la lucha contra la corrupci&#243;n (pol&#237;tica derrotada dentro de la Conlutas SP y ABC). Despu&#233;s del d&#237;a 15 de agosto, el PSTU pas&#243; a una pol&#237;tica abstracta, de ultra izquierdismo antiparlamentario, dando un ultim&#225;tum a la clase trabajadora para que prepare una huelga general y haga una revoluci&#243;n obrera y socialista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El PSOL, que canaliza el espacio electoral de descontento con el gobierno de Lula a trav&#233;s de la figura de la senadora Helo&#237;sa Helena, defiende que el Congreso convoque un plebiscito para revocar el mandato de Lula y enseguida realizar nuevas elecciones generales. Esta pol&#237;tica no s&#243;lo pone al PSOL como parte integrante del r&#233;gimen de dominio que vivimos hoy, alentando la confianza en las instituciones podridas que est&#225;n ah&#237;, sino que asimila trazos bonapartistas tratando a la clase trabajadora como base de maniobra incapaz de decir m&#225;s que &#8220;Lula s&#237;&#8221; o &#8220;Lula no&#8221;, y evidenciando el objetivo de fondo de la direcci&#243;n de este partido que es ganar algunos votos o cargos parlamentarios apoy&#225;ndose en la corrosi&#243;n del PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Los marxistas revolucionarios luchamos por acabar definitivamente el sistema capitalista de explotaci&#243;n del hombre por el hombre e instaurar un gobierno de los trabajadores, de los campesinos y del pueblo pobre, basado en un Consejo Nacional de diputados revocables electos por unidad de trabajo, donde los explotadores no tengan derecho a voto. Pero comprendemos que la mayor&#237;a de la poblaci&#243;n y ni siquiera la mayor&#237;a de la clase obrera compartan hoy esta perspectiva revolucionaria. Sin embargo, grandes sectores de la poblaci&#243;n est&#225;n indignados con la corrupci&#243;n y los ataques a los trabajadores y al pueblo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contra las salidas reaccionarias que los partidos dominantes quieren imponer, de impunidad y de m&#225;s neoliberalismo, sin tener que esconder las divergencias que existen entre ellos, el PSOL y el PSTU deben poner el peso sindical de la Conlutas y el peso parlamentario de Helo&#237;sa Helena al servicio de la construcci&#243;n de un Polo que exija que los sindicatos, la CUT y el MST (que dirige el movimiento campesino) rompan con el gobierno y luchen por una Asamblea Constituyente Libre y Soberana, que no s&#243;lo garantice la investigaci&#243;n y el castigo de los corruptos, sino que comience a discutir el hambre, el desempleo, el salario, la tierra y la entrega, es decir, los grandes problemas estructurales del pa&#237;s. Una Asamblea con miles de diputados electos proporcionalmente a la poblaci&#243;n de cada lugar del pa&#237;s, que garantice que las masas oprimidas impongan su fuerza y decidan las medidas necesarias para salir de la crisis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta seria la &#250;nica forma de que las masas hagan una experiencia con los l&#237;mites de la democracia burguesa en su m&#225;xima expresi&#243;n como es en una Constituyente Libre y Soberana, y se convenzan de que es necesario luchar por otro poder, revolucionario, basado en las f&#225;bricas, en el campo, las minas, y en la base del ej&#233;rcito, o sea, la base de un gobierno de los trabajadores, los campesinos y el pueblo pobre.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb4-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Central &#218;nica de Trabajadores, Movimiento Sin-Tierra, Uni&#243;n Nacional de los Estudiantes&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Tucano es el animal s&#237;mbolo del PSDB&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="es">
		<title>Sigue la tormenta pol&#237;tica</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Sigue-la-tormenta-politica</link>
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		<dc:date>2005-08-12T00:00:00Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>es</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

		<description>
&lt;p&gt;Mucho se ha discutido hasta d&#243;nde Lula va a poder mantenerse al margen de los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n que vienen afectando a todo el r&#233;gimen pol&#237;tico (ver LVO 166). La declaraci&#243;n de Dirceu (ex jefe de ministros y mano derecha de Lula) frente al Congreso la semana pasada resguard&#243; deliberadamente a la figura presidencial. Sin embargo, la crisis pol&#237;tica en el gobierno tiene un significado m&#225;s profundo que los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n o la disputa para las elecciones presidenciales de 2006. (&#8230;)&lt;/p&gt;


-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Articulos-en-castellano" rel="directory"&gt;Art&#237;culos en castellano&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Mucho se ha discutido hasta d&#243;nde Lula va a poder mantenerse al margen de los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n que vienen afectando a todo el r&#233;gimen pol&#237;tico (ver LVO 166).&lt;br class='autobr' /&gt;
La declaraci&#243;n de Dirceu (ex jefe de ministros y mano derecha de Lula) frente al Congreso la semana pasada resguard&#243; deliberadamente a la figura presidencial. Sin embargo, la crisis pol&#237;tica en el gobierno tiene un significado m&#225;s profundo que los esc&#225;ndalos de corrupci&#243;n o la disputa para las elecciones presidenciales de 2006.&lt;br class='autobr' /&gt;
El PT, que fue el principal amortiguador de la lucha de clases en Brasil en los &#250;ltimos 25 a&#241;os, al asumir el gobierno se transform&#243; en uno de los m&#225;s neoliberales de Am&#233;rica Latina, y para aplicar sus leyes anti-populares se involucr&#243; cada vez m&#225;s en el esquema de corrupci&#243;n mafiosa que hace funcionar el r&#233;gimen pol&#237;tico brasilero. Esto produjo un brutal desgaste y corrosi&#243;n de este partido, que est&#225; sufriendo una sacudida hist&#243;rica en su relaci&#243;n con las masas, pues ha ca&#237;do la m&#225;scara de &#8220;&#233;tica y moral&#8221; que era su principal bandera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sin embargo, por su estrecha relaci&#243;n con las direcciones de las principales organizaciones del movimiento de masas, el PT a&#250;n logra impedir un ascenso generalizado contra los ataques neoliberales y la corrupci&#243;n del gobierno Lula.&lt;br class='autobr' /&gt;
Los procesos de reorganizaci&#243;n pol&#237;tica y sindical que se ven&#237;an desarrollando desde que Lula y el PT se hicieran neoliberales pueden pegar un nuevo salto en el pr&#243;ximo per&#237;odo, con una nueva oleadas de rupturas con el PT, que podr&#237;a tener lugar luego de las elecciones internas del 18 de septiembre para los cargos en el aparato de este partido, adem&#225;s de una gran discusi&#243;n que atraviesa la Central &#218;nica de Trabajadores (CUT) y que abre la posibilidad de ruptura de un nuevo sector del ala izquierda de esa Central.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;La izquierda sindical organizada en Conlutas realizar&#225; un acto en Brasilia el d&#237;a 17 de agosto y el PSOL, partido que agrupa a varias fuerzas pol&#237;ticas a izquierda del PT, convoca a un Encuentro Nacional los d&#237;a 24 y 25 de septiembre. Estos hechos ser&#225;n importantes para medir la fuerza de los sectores anti-gubernamentales y anti-burocr&#225;ticos, que hasta ahora no tienen una influencia decisiva en el escenario pol&#237;tico nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contra las salidas reaccionarias que los partidos dominantes quieren imponer, de impunidad y de m&#225;s neoliberalismo, es clave exigir que los sindicatos, especialmente la CUT, y el MST (que dirige el movimiento campesino) rompan con el gobierno y luchen por una Asamblea Constituyente Libre y Soberana, que no s&#243;lo garantice la investigaci&#243;n y el castigo de los corruptos, sino que comience a discutir el hambre, el desempleo, el salario, la tierra y la entrega, es decir, los grandes problemas del pa&#237;s.&lt;/p&gt;
&lt;hr class=&#034;spip&#034; /&gt;
&lt;p&gt;* Paulo Matos es dirigente de LER-QI de Brasil&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>Origens, fundamentos e contradi&#231;&#245;es do neoliberalismo petista</title>
		<link>https://estrategiainternacional.org/Origens-fundamentos-e-contradicoes-do-neoliberalismo-petista</link>
		<guid isPermaLink="true">https://estrategiainternacional.org/Origens-fundamentos-e-contradicoes-do-neoliberalismo-petista</guid>
		<dc:date>2004-09-01T00:00:00Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Paulo Matos</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

		<description>
&lt;p&gt;Introdu&#231;&#227;o &lt;br class='autobr' /&gt;
Apesar de sua pol&#237;tica impressionantemente direitista, que chegou ao c&#250;mulo inclusive de defender os generais que torturaram e assassinaram na ditadura militar1, o governo Lula tem conseguido &#8220;administrar&#8221; as profundas contradi&#231;&#245;es que se abriram com sua pr&#243;pria elei&#231;&#227;o. As caracter&#237;sticas estruturais da crise econ&#244;mica, pol&#237;tica e social que percorre o pa&#237;s ainda n&#227;o conseguiram desdobrar-se em fen&#244;menos da luta de classes de grande magnitude que mudassem a correla&#231;&#227;o de for&#231;as (&#8230;)&lt;/p&gt;


-
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Revista-Estrategia-Internacional-1" rel="directory"&gt;Revista Estrat&#233;gia Internacional 1&lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/America-Latina" rel="tag"&gt;Am&#233;rica Latina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Introdu&#231;&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de sua pol&#237;tica impressionantemente direitista, que chegou ao c&#250;mulo inclusive de defender os generais que torturaram e assassinaram na ditadura militar1, o governo Lula tem conseguido &#8220;administrar&#8221; as profundas contradi&#231;&#245;es que se abriram com sua pr&#243;pria elei&#231;&#227;o. As caracter&#237;sticas estruturais da crise econ&#244;mica, pol&#237;tica e social que percorre o pa&#237;s ainda n&#227;o conseguiram desdobrar-se em fen&#244;menos da luta de classes de grande magnitude que mudassem a correla&#231;&#227;o de for&#231;as sociais no pa&#237;s. No entanto, essas contradi&#231;&#245;es continuam se desenvolvendo de forma sub-terr&#226;nea e constantemente amea&#231;am vir &#227; tona, como evidenciam tanto as &#250;ltimas elei&#231;&#245;es municipais, como a incipiente onda de greves que percorreu o pa&#237;s nos &#250;lti-mos meses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A vit&#243;ria eleitoral do PSDB fortalece, pelo menos em curto prazo, o regime de dom&#237;nio que sustenta a ofensiva neoliberal desde o in&#237;cio da d&#233;cada de 90. Por outro lado, o contradit&#243;rio resultado eleitoral do PT - que apesar de ter sido quantitativa-mente vitorioso, sob v&#225;rios pontos de vista acabou sendo derrotado nos principais centros urbanos - mostra que o atual ciclo de recupera&#231;&#227;o econ&#244;mica, ainda que te-nha reduzido a din&#226;mica de desgaste da popularidade do governo que se mostrava desde o in&#237;cio do ano, n&#227;o tem sido suficiente para impedir que os brutais ataques &#225;s condi&#231;&#245;es de vida do movimento de massas, assim como a oposi&#231;&#227;o de setores da burguesia &#227; pol&#237;tica econ&#244;mica em curso, e os esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o que atingem o Planalto, desgastem as ilus&#245;es depositadas em Lula e no PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A incipiente onda de greves e mobiliza&#231;&#245;es, por mais que estas tenham tido como eixo central reivindica&#231;&#245;es de cunho econ&#244;mico, proporcionou novos e impor-tantes enfrentamentos com o governo Lula, o PT e a burocracia sindical - cuja ex-press&#227;o m&#225;xima foi a dura greve nacional de 30 dias protagonizada pelos banc&#225;rios - e tem dado origem a importantes fen&#244;menos de radicaliza&#231;&#227;o em amplos setores de vanguarda. Essas lutas, combinadas com a resist&#234;ncia &#225;s reacion&#225;rias reformas cons-titucionais em curso, t&#234;m motorizado um processo de reorganiza&#231;&#227;o pol&#237;tico-partid&#225;ria, dando origem a um processo de rupturas com o PT do qual o PSOL &#233; uma das primei-ras express&#245;es, e dando origem &#227; Conlutas como subproduto da articula&#231;&#227;o de im-portantes sindicatos que come&#231;aram a romper com a burocracia cutista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A elei&#231;&#227;o de Lula no atual marco de crises em que o capitalismo brasileiro se in-sere hoje, na medida em que coloca a perspectiva de um in&#233;dito enfrentamento de amplos setores do movimento de massas com as dire&#231;&#245;es pol&#237;ticas que se constitu&#237;ram no &#250;ltimo ascenso oper&#225;rio e popular da d&#233;cada de 80, e desde ent&#227;o se transformaram no principal instrumento amortecedor da luta de classes no pa&#237;s, coloca em cena o desenvolvimento de elementos de uma nova correla&#231;&#227;o de for&#231;as, na qual a&#231;&#245;es in-dependentes do proletariado brasileiro podem passar a cumprir um papel central nas respostas aos grandes problemas nacionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim como os quadros da burguesia se preparam para essa nova fase - seja atrav&#233;s da utiliza&#231;&#227;o de recursos como o governo de Lula ou atrav&#233;s de sa&#237;das mais duras e repressivas que poder&#227;o vir pela frente -, tamb&#233;m todos aqueles que lutamos pelos interesses da classe trabalhadora temos que afiar nossas t&#225;ticas e nossa estra-t&#233;gia para a fase hist&#243;rica que nasce junto com o neoliberalismo petista.&lt;/p&gt;
&lt;strong&gt;
&lt;h2 class=&#034;spip&#034;&gt;CAP&#205;TULO I&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As bases da ofensiva neoliberal no Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As elei&#231;&#245;es municipais de outubro consolidaram o PT e o PSDB como os princi-pais partidos nacionais, ao redor dos quais giram os demais partidos-sat&#233;lites. As se-melhan&#231;as e diferen&#231;as entre o programa e as an&#225;lises do PSDB e do PT ontem e hoje expressam uma contradi&#231;&#227;o aparentemente esquizofr&#234;nica, mas que na ess&#234;ncia revelam um componente essencial da realidade brasileira. Ontem, o PSDB era o grande defensor da ofensiva neoliberal e o PT buscava-se projetar com um discurso anti-neoliberal (apesar de que nas cidades e estados em que passava a governar aplicava rigorosamente os ditames do FMI). Hoje, o PT &#233; o paladino do neoliberalismo e &#233; o PSDB que lan&#231;a um discurso com tra&#231;os neodesenvolvimentistas (apesar de que em nada aplica este discurso nas cidades e estados onde governa). O que se esconde por tr&#225;s dessa aparente contradi&#231;&#227;o &#233; uma s&#243; e &#250;nica verdade que os reformistas de toda a estirpe insistem em n&#227;o querer enxergar: a ofensiva neoliberal que vivemos desde o in&#237;cio da d&#233;cada de 90 foi (e ainda &#233;) a &#250;nica sa&#237;da da burguesia para perpetuar seu dom&#237;nio frente &#227; decad&#234;ncia hist&#243;rica do capitalismo brasileiro; qualquer sa&#237;da de tipo reformista n&#227;o pode ser mais que ut&#243;pica e reacion&#225;ria; e a &#250;nica real sa&#237;da para o pa&#237;s s&#243; pode vir pelas m&#227;os da classe trabalhadora empunhando uma revolu&#231;&#227;o que exproprie a propriedade burguesa e reorganize toda a sociedade em fun&#231;&#227;o dos interesses da maioria esmagadora da popula&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Origens da decad&#234;ncia neoliberal&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Intelectuais burgueses e pequeno-burgueses, petistas e n&#227;o petistas, t&#234;m cres-centemente reivindicado o &#8220;desenvolvimentismo varguista&#8221; contra o neoliberalismo petista, como se fosse poss&#237;vel voltar a roda da hist&#243;ria:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos quase vinte anos em que governou o Brasil, Get&#250;lio cometeu erros, o principal dos quais foi ter assumido poderes ditatoriais entre 1937 e 1945, mas isso n&#227;o o impediu de ser o grande estadista brasileiro do s&#233;culo 20. Entre 1930 e 1960, o Brasil se transformou: logrou completar sua revolu&#231;&#227;o capitalista e avan&#231;ou a passos largos em sua revolu&#231;&#227;o nacional. (...) Essa extraordin&#225;ria transforma&#231;&#227;o teve em Get&#250;lio Vargas seu l&#237;der. Um l&#237;der mo-derno, embora origin&#225;rio da oligarquia de senhores de terra; um l&#237;der popular, mas consciente de pertencer &#227; elite; um l&#237;der t&#227;o carism&#225;tico quanto racional. Enfim, um pol&#237;tico que trazia dentro de si todas as contradi&#231;&#245;es da pr&#243;pria sociedade brasileira, mas era capaz de conviver com elas e as resolver tendo em vista o interesse nacional. (...) Get&#250;lio Vargas foi um l&#237;der populista, por-que foi capaz de estabelecer uma rela&#231;&#227;o direta com o povo, especificamente com os trabalhadores urbanos. Nessa qualidade ele logrou faz&#234;-los partici-par do processo pol&#237;tico, em conjunto com os empres&#225;rios, os pol&#237;ticos e t&#233;cnicos do governo. Seu pacto pol&#237;tico, portanto, era popular, nacional e desenvolvimentista. (...) Depois da era Vargas o Brasil continuou a se desen-volver, entre 1964 e 1980, mas sob um regime militar autorit&#225;rio, do qual os trabalhadores foram exclu&#237;dos, e os intelectuais de esquerda se colocaram em conflito com os empres&#225;rios. A partir de 1980 esse regime entrou em cri-se econ&#244;mica, da qual n&#227;o saiu at&#233; hoje. Em 1985 alcan&#231;amos a democracia, mas a forma&#231;&#227;o e a consolida&#231;&#227;o do Estado nacional brasileiro se interrom-peram, na medida em que o nacional-desenvolvimentismo de Vargas era atacado. Atacado pela ideologia neoliberal, que pretendeu substituir o Es-tado pelo mercado, em vez de compreender que um mercado forte s&#243; se lo-gra com um Estado igualmente forte. Atacado pelo globalismo, que decretou o fim do Estado nacional, ou seja, da pr&#243;pria na&#231;&#227;o. Essas duas ideologias, por&#233;m, pouco mais ofereceram ao pa&#237;s do que o desemprego, a pobreza e a interrup&#231;&#227;o da revolu&#231;&#227;o nacional. (...) Hoje, a id&#233;ia do desenvolvimento nacional est&#225; sendo retomada. Apoiada no avan&#231;o da democracia brasileira, existe atualmente uma crescente indigna&#231;&#227;o contra os 25 anos de quase estagna&#231;&#227;o. E, nesse novo quadro, a figura de Get&#250;lio se agiganta. Surge a oportunidade para um novo desenvolvimentismo. Novo desenvolvimen-tismo que ter&#225; de contar mais com o mercado, porque o Brasil possui hoje uma economia mais complexa do que aquela que Get&#250;lio conheceu. Mas um desenvolvimentismo que voltar&#225; a tornar claro que o desenvolvimento &#233; sempre o resultado de uma estrat&#233;gia nacional e que, nessa estrat&#233;gia, os empres&#225;rios e os trabalhadores de alguma forma associados s&#227;o os agentes desse desenvolvimento, e o Estado &#233; o instrumento da a&#231;&#227;o coletiva que viabiliza essa estrat&#233;gia.2&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De fato, a chamada &#8220;era Vargas&#8221;, que alguns chegam a estender at&#233; a d&#233;cada de 80, guarda enormes diferen&#231;as com o Brasil das &#250;ltimas duas d&#233;cadas. Aquele foi um per&#237;odo em que a taxa de produ&#231;&#227;o industrial cresceu numa m&#233;dia anual de 7,2% en-tre 1939 e 1949, de 8,5% entre 1949 e 1959, e de 9,7% entre 1959 e 19643; ritmo este que se estendeu ao longo da maior parte da ditadura militar, quando o PIB cresceu numa m&#233;dia anual de 8,49% de 1966 a 1980. Contrapondo-se a estes indicadores, o PIB brasileiro cresceu em m&#233;dia m&#237;seros 1,44% anuais de 1981 a 1992, com uma pequena recupera&#231;&#227;o na m&#233;dia de 1993 a 2003, mas que n&#227;o conseguiu ultrapassar os 2,65% ao ano (ver Tabela na p&#225;gina seguinte).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seja por ignor&#226;ncia ou pelo interesse de classe, o que os &#8220;novos desenvolvi-mentistas&#8221; se negam a enxergar &#233; que o pr&#243;prio desenvolvimento das condi&#231;&#245;es que possibilitaram o desenvolvimentismo varguista &#233; que leva a burguesia brasileira a n&#227;o ter outra sa&#237;da, que n&#227;o seja aceitar as condi&#231;&#245;es impostas pelo imperialismo aos pa&#237;ses semicoloniais a partir da crise mundial de 1973-75.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais, a burguesia brasileira conseguiu desenvolver parcialmente as for&#231;as produtivas apoiando-se nas disputas interim-perialistas e impondo uma ditadura &#227; nascente classe oper&#225;ria do pa&#237;s. No p&#243;s-Se-gunda Guerra Mundial, apoiou-se no boom econ&#244;mico que atingiu os pa&#237;ses centrais e na onda de realocamento do parque produtivo das empresas imperialistas para a periferia do sistema. J&#225; o chamado &#8220;milagre brasileiro&#8221; da d&#233;cada de 70 emerge em primeiro lugar sob uma brutal repress&#227;o &#227; classe trabalhadora, e em segundo lugar com o enorme endividamento externo constitutivo do primeiro atrelamento da eco-nomia brasileira &#227; onda de financeiriza&#231;&#227;o da economia mundial, que tem in&#237;cio a par-tir da crise de 1973-75. Durante essas fases de desenvolvimento, que ficaram conhe-cidas pelo termo cepalino (n&#227;o &#227; toa sem qualquer corte de classe) &#8220;substitui&#231;&#227;o de importa&#231;&#245;es&#8221;, os pilares comuns a todas elas s&#227;o - n&#227;o por acaso - o aumento da su-bordina&#231;&#227;o ao capital imperialista e da explora&#231;&#227;o e opress&#227;o da classe trabalhadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando acaba o &#8220;milagre&#8221;, o Brasil entra na d&#233;cada de 80 em uma forte crise econ&#244;mica. A partir de 1978 tem origem o maior ascenso grev&#237;stico da hist&#243;ria do pa&#237;s, que com altos e baixos se estendeu at&#233; 1989, no qual a classe trabalhadora re-cuperou substancialmente seu n&#237;vel salarial e conquistou diversos direitos, enquanto a burguesia se afogava em meio a recorrentes crises da d&#237;vida externa e recess&#245;es. A crise do regime da ditadura militar deu lugar a uma forte instabilidade pol&#237;tica e social na qual com uma &#237;ntima liga&#231;&#227;o entre si forjaram-se o PT e o regime democr&#225;tico bur-gu&#234;s, em que vivemos desde 1985.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A sa&#237;da da &#8220;d&#233;cada perdida&#8221; (como ficou conhecida a d&#233;cada de 80), s&#243; foi pos-s&#237;vel a partir de um novo salto de qualidade na subordina&#231;&#227;o da economia brasileira ao capital imperialista, que entrou maci&#231;amente nos pa&#237;ses semicoloniais na d&#233;cada de 90 condicionado a uma s&#233;rie de transforma&#231;&#245;es estruturais, que s&#227;o justamente o conjunto de pol&#237;ticas que preenchem o conte&#250;do da ofensiva neoliberal. Rebaixamento dos sal&#225;rios, flexibiliza&#231;&#227;o dos direitos, aumento do desemprego, privatiza&#231;&#245;es, aber-tura comercial e financeira etc. S&#227;o medidas sem as quais a burguesia brasileira n&#227;o conseguiria financiar o Plano Real (que trouxe consigo o fim da hiperinfla&#231;&#227;o que aterrorizou a maioria da popula&#231;&#227;o por anos a fio) e nem tampouco a alian&#231;a burguesa (PSDB-PMDB-PFL) que sustentou os dois governos FHC.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O papel do PT na ofensiva neoliberal&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os petistas renegados buscam hoje de toda forma fazer uma falsa diferencia&#231;&#227;o entre o PT do governo Lula e toda a trajet&#243;ria deste partido ao longo da d&#233;cada de 80 e 90, como se ao longo de sua hist&#243;ria o PT tivesse se constitu&#237;do de forma polar e an-tag&#244;nica ao neoliberalismo. Muito pelo contr&#225;rio, os fatos hist&#243;ricos demonstram que a atua&#231;&#227;o do PT foi fundamental para garantir o desvio e o refluxo do ascenso oper&#225;rio e popular da d&#233;cada de 80. Desde ent&#227;o o PT foi o principal respons&#225;vel pelo desarme da classe trabalhadora para enfrentar a ofensiva burguesa que se inicia na d&#233;cada de 90.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&#225; em 1980-81, em seu nascimento, o PT mostrava a qu&#234; veio quando se negava a colocar seu aparato a servi&#231;o das her&#243;icas greves protagonizadas pelos oper&#225;rios do ABC, para n&#227;o se contrapor &#227; ditadura e amea&#231;ar seu processo de &#8220;legaliza&#231;&#227;o&#8221;, como demonstram as declara&#231;&#245;es do pr&#243;prio Lula na &#233;poca. Desde o princ&#237;pio o PT sempre se aliou aos setores burgueses que se encontravam no MBD, para impedir que o ascenso grev&#237;stico se chocasse diretamente contra o a ditadura e derrubasse de forma revolucion&#225;ria o j&#225; podre regime de 1964.4 Em 1988, o PT e seus deputados ap&#243;iam a reacion&#225;ria constitui&#231;&#227;o burguesa que defende a propriedade privada, e com isso o regime capitalista de escravid&#227;o da classe trabalhadora. No &#8220;Fora Collor&#8221;, o PT salva a crise aberta no regime de dom&#237;nio canalizando conscientemente todo o descontentamento das massas que se expressava nas ruas para a via institucional, controlada pelo impeachment no Congresso. Ao longo da d&#233;cada de 90, em cada ci-dade ou estado que o PT passava a governar, garantia a aplica&#231;&#227;o de todos os pla-nos neoliberais que FHC aplicava nacionalmente, em alguns casos tendo mais &#234;xito que o governo federal, como quando conseguiu implementar a taxa&#231;&#227;o dos inativos no Rio Grande do Sul ao mesmo tempo em que o Congresso impediu que FHC fizesse o mesmo em &#226;mbito nacional. Em 1995, o PT se colocou contra a greve dos petroleiros que obrigou o governo federal a colocar tanques de guerra e o ex&#233;rcito dentro das re-finarias. Em 1999, o PT conseguiu evitar que a desvaloriza&#231;&#227;o do real no Brasil pro-vocasse uma crise de propor&#231;&#245;es semelhantes &#225;s que se desenvolveram com a des-valoriza&#231;&#227;o do peso na Argentina entre 2001 e 2002.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PT, com sua pol&#237;tica de concilia&#231;&#227;o de classes e a contrapartida necess&#225;ria para essa pol&#237;tica, que &#233; o amortecimento das lutas dos trabalhadores, desde sua origem cumpriu o nefasto papel de atrelar a classe trabalhadora &#225;s supostas &#8220;alas es-querdas&#8221; da burguesia, funcionando como &#8220;pata esquerda&#8221; primeiramente da tran-si&#231;&#227;o pactuada com a ditadura, e posteriormente atuando como tal no regime de do-mina&#231;&#227;o democr&#225;tico burgu&#234;s que se instala a partir de 1985.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A elei&#231;&#227;o de Lula como um ponto de inflex&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de 1997, a crise do capitalismo mundial e do Consenso de Washington, com a clara tend&#234;ncia de decl&#237;nio do fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil, traz &#227; tona as fortes contradi&#231;&#245;es econ&#244;micas, pol&#237;ticas e sociais que se desenvolviam subterraneamente - agora ainda mais agravadas pela aplica&#231;&#227;o dos planos neoliberais ao longo da d&#233;cada de 90 - evidenciando um salto na deteriora&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es de vida da maioria esmagadora da popula&#231;&#227;o e um terr&#237;vel aumento da depend&#234;ncia econ&#244;mica do pa&#237;s em rela&#231;&#227;o ao capital imperialista. O pa&#237;s encontra-se frente a montantes impag&#225;veis de d&#237;vidas p&#250;blicas e privadas, ramos de produ&#231;&#227;o deses-truturados pela competi&#231;&#227;o internacional, defici&#234;ncias infra-estruturais, setores cen-trais da economia em poder do capital imperialista, taxas de desemprego monstruosas, arrochos salariais permanentes e n&#237;veis de consumo e investimento interno em pa-tamares historicamente baixos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fim das condi&#231;&#245;es econ&#244;micas que possibilitaram a relativamente est&#225;vel he-gemonia de uma fra&#231;&#227;o da burguesia sobre as demais, materializada na alian&#231;a PSDB-PMDB-PFL, assenta as bases para o desenvolvimento de uma nova fase superior de crises no interior das classes dominantes. Essa nova fase torna-se vis&#237;vel j&#225; na divi-s&#227;o da base governista de FHC, nas elei&#231;&#245;es para a Presid&#234;ncia das duas Casas do Congresso em 2001. Desde ent&#227;o, se agudizaram os conflitos entre os distintos seto-res da burguesia em torno das poss&#237;veis sa&#237;das para um novo padr&#227;o de acumula&#231;&#227;o capitalista no Brasil, que necessariamente tem que privilegiar alguns setores em de-trimento de outros. Esses conflitos t&#234;m seu desdobramento mais n&#237;tido nas diferen&#231;as em torno a uma nova candidatura presidencial em 2002, e hoje se desenvolvem em torno das disputas com rela&#231;&#227;o &#227; condu&#231;&#227;o da pol&#237;tica econ&#244;mica do governo Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A exist&#234;ncia do PT &#233; a base fundamental da diferen&#231;a entre a sa&#237;da que a burguesia brasileira tem encontrado para a crise capitalista, que se alastra nos diversos pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina, e a sa&#237;da encontrada pela burguesia dos demais pa&#237;ses do sub-continente. Ao contr&#225;rio de pa&#237;ses como Argentina, Bol&#237;via e Venezuela, nos quais a falta de alternativas do regime de dom&#237;nio deu lugar a grandes fen&#244;menos da luta de classes - que inclu&#237;ram a&#231;&#245;es independentes do movimento de massas e abriram si-tua&#231;&#245;es pr&#233;-revolucion&#225;rias ou diretamente revolucion&#225;rias como em dezembro de 2001 na Argentina e em outubro de 2003 na Bol&#237;via - no Brasil a burguesia ainda p&#244;-de lan&#231;ar m&#227;o do PT para conter as contradi&#231;&#245;es de classe, impondo at&#233; agora uma sa&#237;da pac&#237;fica de altern&#226;ncia eleitoral, e conseguido manter a ofensiva neoliberal que vigora desde a d&#233;cada de 90.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A atual crise do capitalismo brasileiro tem obrigado e obrigar&#225; o governo Lula a aplicar duros ataques &#227; classe trabalhadora e ao conjunto da popula&#231;&#227;o oprimida. &#201; nesse cen&#225;rio que o PT abandona sua localiza&#231;&#227;o de &#8220;pata esquerda&#8221; do regime de domina&#231;&#227;o pol&#237;tica - que come&#231;a a se delinear com o fim da ditadura militar e se con-solida com FHC -, e passa a assumir o papel direto de &#8220;partido do governo&#8221;, cumprindo a fun&#231;&#227;o de principal sustent&#225;culo do regime. Nessa nova situa&#231;&#227;o, na qual amplos setores do movimento de massas come&#231;am a fazer uma experi&#234;ncia in&#233;dita com o PT, este partido tende a debilitar sua capacidade de atuar como &#8220;partido de conten&#231;&#227;o&#8221; das massas, como fez nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se por um lado o giro &#227; esquerda do movimento de massas, que se expressou de forma distorcida na elei&#231;&#227;o de Lula, n&#227;o foi suficiente para mudar a correla&#231;&#227;o de for-&#231;as fundamental entre a burguesia e o proletariado que vigora desde o in&#237;cio da ofen-siva neoliberal, por outro lado esse giro &#227; esquerda foi sim suficiente para abrir uma situa&#231;&#227;o de maior aceleramento e recrudescimento dos conflitos econ&#244;micos e pol&#237;ticos que n&#227;o existia at&#233; ent&#227;o. A base fundamental dessa nova situa&#231;&#227;o &#233; a experi&#234;ncia do movimento de massas com o PT no governo federal. Na medida em que essa expe-ri&#234;ncia d&#225; origem a novos fen&#244;menos da luta de classes, prepara-se uma nova cor-rela&#231;&#227;o de for&#231;as, na qual poder&#225; ser a classe trabalhadora a que tomar&#225; uma nova ofensiva contra a burguesia no per&#237;odo hist&#243;rico que se abre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa nova situa&#231;&#227;o pol&#237;tica traz consigo distintas conjunturas, que apontam diferentes din&#226;micas de desenvolvimento dos conflitos que se operam no &#226;mbito da economia, do regime de dom&#237;nio e da luta de classes; assim como distintas rela&#231;&#245;es entre o governo, as massas e sua vanguarda.&lt;/p&gt;
&lt;strong&gt;
&lt;h2 class=&#034;spip&#034;&gt;CAP&#205;TULO II&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os altos e baixos do governo Lula&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A rela&#231;&#227;o do governo com as distintas fra&#231;&#245;es burguesas e com o Congresso tem oscilado tanto em fun&#231;&#227;o da economia como em fun&#231;&#227;o da luta de classes. Num primeiro momento, formou-se uma ampla alian&#231;a burguesa em torno do aumento taxa de juros e do super&#225;vit fiscal para tirar a economia do perigo de default em curto pra-zo que atingia o pa&#237;s em meio &#225;s elei&#231;&#245;es de 2002. A partir de meados de 2003, quando come&#231;ou a se estabelecer uma relativa administra&#231;&#227;o da crise na balan&#231;a de paga-mentos e das press&#245;es inflacion&#225;rias, a recess&#227;o econ&#244;mica que se agravava empurrou diversos setores da patronal a uma disputa pela redu&#231;&#227;o das taxas de juros e contra o aumento dos impostos que se desenhava na reforma tribut&#225;ria. &#201; nesse marco que o PDT constituiu-se no primeiro partido a romper com a base governista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meio &#227; recess&#227;o econ&#244;mica de 2003, as lutas que se desenvolvem passam a proporcionar importantes experi&#234;ncias, sendo que setores de vanguarda da classe trabalhadora iniciam um processo de ruptura com o governo Lula e o PT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O primeiro setor social a sair &#224; luta foi, j&#225; nos primeiros meses do governo Lula, os sem-terras. Enquanto as dire&#231;&#245;es nacionais do MST e da CPT colocavam impor-tantes quadros seus em cargos do governo, como o presidente do Incra, Marcelo Re-sende, ocupa&#231;&#245;es de terra j&#225; come&#231;avam a se desenvolver pelo pa&#237;s &#227; revelia das di-re&#231;&#245;es governistas. As ocupa&#231;&#245;es de terra se enfrentaram n&#227;o s&#243; com as for&#231;as de repress&#227;o do Estado, mas tamb&#233;m com bandos de jagun&#231;os armados pelos fazen-deiros, chegando em determinados momentos a configurar elementos incipientes de guerra civil no campo.5&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A greve nacional dos servidores federais contra a reforma da previd&#234;ncia em 2003 foi o primeiro grande fen&#244;meno da luta de classes sob o novo governo. J&#225; nos seis primeiros meses de governo, Lula se enfrenta com uma das principais bases so-ciais hist&#243;ricas do PT. Foi uma greve que chegou a abarcar 450 mil trabalhadores e durou mais de 30 dias, enfrentando o aberto boicote da dire&#231;&#227;o majorit&#225;ria da CUT e com o governo Lula ainda no pico de sua popularidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m da participa&#231;&#227;o na greve contra a reforma da previd&#234;ncia, a &#8220;Revolta do Buz&#250;&#8221; que ocorreu em agosto de 2003 em Salvador reservou ao movimento estudantil um importante lugar dentre os setores que sa&#237;ram &#224; luta no primeiro ano do governo Lula. Em Salvador, 20 mil estudantes secundaristas das escolas p&#250;blicas da periferia tomaram as ruas da cidade para impedir o aumento da passagem de &#244;nibus, paralisando o tr&#226;nsito por uma semana e conquistando uma importante simpatia da popula&#231;&#227;o. Quando as burocracias da UNE e da UBES tentaram controlar o movimento, foram re-pudiadas pelos estudantes que se organizavam por gr&#234;mios nas escolas e nas ma-nifesta&#231;&#245;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dentre as v&#225;rias empresas que, em meio &#227; recess&#227;o econ&#244;mica, realizaram de-miss&#245;es em massa ou fecharam as portas, pelo menos em seis f&#225;bricas6, os traba-lhadores, para garantir seus empregos e seus sal&#225;rios, ocuparam a empresa e a colo-caram para produzir sem os patr&#245;es, proporcionando uma enorme li&#231;&#227;o para os milh&#245;es de trabalhadores que sofrem com demiss&#245;es em todo o pa&#237;s. Estes s&#227;o os primeiros sinais no Brasil do fen&#244;meno de mais de 200 f&#225;bricas que foram ocupadas na Argen-tina em 2002, que teve como um de seus centros a fant&#225;stica experi&#234;ncia da f&#225;brica de cer&#226;micas Zanon na Argentina, onde os trabalhadores h&#225; tr&#234;s anos controlam a f&#225;-brica sem os patr&#245;es e exigem do Estado que expropriem a empresa e comprem sua produ&#231;&#227;o para coloc&#225;-la a servi&#231;o de um plano de obras p&#250;blicas. A combatividade desses trabalhadores que ocupam suas f&#225;bricas, no Brasil, n&#227;o tem se desenvolvido e influenciado setores mais amplos da classe trabalhadora em fun&#231;&#227;o de que a corrente pol&#237;tica dirigente destes conflitos - O Trabalho (lambertistas), que est&#225; dentro do PT e ap&#243;ia o governo burgu&#234;s de Lula - imp&#245;e uma pol&#237;tica esp&#250;ria de pressionar e negociar migalhas com a patronal e o governo, isolando-os e derrotando-os.7&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meados de 2003, a combina&#231;&#227;o entre a greve dos servidores, as a&#231;&#245;es dos sem-terras no campo, dos sem-tetos nas cidades, as a&#231;&#245;es do movimento estudantil e a resist&#234;ncia aos ataques da patronal em alguns setores oper&#225;rios centrais como os metal&#250;rgicos da GM em S&#227;o Jos&#233; dos Campos e da Volkswagen em S&#227;o Paulo, abriram elementos de uma nova correla&#231;&#227;o de for&#231;as, que logo reflu&#237;ram com a implementa&#231;&#227;o da reforma da previd&#234;ncia e a nova tr&#233;gua da dire&#231;&#227;o do MST.8 A derrota que Lula im-p&#244;s sobre a greve dos servidores e a implementa&#231;&#227;o da reforma da previd&#234;ncia pro-vocou um novo crescimento da autoridade do governo junto aos distintos setores da burguesia, cuja express&#227;o mais evidente foi a aprova&#231;&#227;o - mesmo que parcial - da pol&#234;mica reforma tribut&#225;ria, al&#233;m de lhe garantir maior credibilidade junto ao impe-rialismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A primeira queda de popularidade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de fevereiro de 2004, com os esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o envolvendo im-portantes figuras ligadas a Lula e ao PT e com a primeira forte queda na popularidade do governo, abre-se uma nova fase de crises &#8220;nas alturas&#8221;. Neste ent&#227;o foi a vez do PPS que se dividir publicamente em uma ala oposicionista liderada pelo presidente da sigla e uma ala governista liderada pelo ministro Ciro Gomes. O PSDB e o PFL pas-saram a endurecer sua oposi&#231;&#227;o. A maior mostra disso foi a surreal vota&#231;&#227;o do sal&#225;-rio m&#237;nimo, na qual as alas mais &#227; direita da burguesia defenderam R$ 275,00 contra os R$ 260,00 defendidos pelo PT, que ainda puniu seus pr&#243;prios parlamentares que vo-taram contra ou se abstiveram. No entanto, a oposi&#231;&#227;o burguesa tamb&#233;m passou a impor obst&#225;culos &#227; tramita&#231;&#227;o da chamada &#8220;agenda microecon&#244;mica&#8221; (Lei de Fa-l&#234;ncias, Lei de Parcerias P&#250;blico Privadas etc.), componente fundamental da pol&#237;tica econ&#244;mica do governo assim que foi interrompida a queda das taxas de juros. Isso sem mencionar os enormes estardalha&#231;os que s&#227;o feitos a cada esc&#226;ndalo de corrup-&#231;&#227;o que envolve o Planalto. Mas as principais dificuldades que o governo tem sofrido no Congresso s&#227;o subproduto de sua dificuldade para disciplinar os parlamentares dos partidos que comp&#245;em a base aliada, principalmente o PMDB, um partido de ca-ciques que n&#227;o se contentam com a mera libera&#231;&#227;o de verbas para emendas parla-mentares. A disputa entre o grupo liderado por Renan Calheiros e o grupo liderado por Jos&#233; Sarney para ver que fica com a Presid&#234;ncia do Senado em 2005 abre novas crises na rela&#231;&#227;o do Executivo com o Congresso, como se expressou na derrota que o governo sofreu na vota&#231;&#227;o do sal&#225;rio m&#237;nimo no senado e como se expressa nova-mente ap&#243;s as elei&#231;&#245;es na paralisia do Congresso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meio a esses vais e vens da rela&#231;&#227;o do governo com os distintos setores da burguesia, que a cada tanto se combinam com divis&#245;es dentro da pr&#243;pria bancada do PT, o que tem garantido a iniciativa do governo no Congresso &#233; centralmente a in-flu&#234;ncia que o capital financeiro internacional tem sobre os quadros do PSDB e o do PFL (que t&#234;m sido fundamentais para a aprova&#231;&#227;o dos principais projetos do governo no Congresso) e a corrup&#231;&#227;o da base governista atrav&#233;s da libera&#231;&#227;o de verbas para emendas parlamentares e cargos pol&#237;ticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O contradit&#243;rio fortalecimento conjuntural do governo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de junho de 2004, a consolida&#231;&#227;o do ciclo prec&#225;rio de recupera&#231;&#227;o do crescimento econ&#244;mico, combinada com a atua&#231;&#227;o traidora das dire&#231;&#245;es do mo-vimento de massas ligadas ao PT, conseguiu assentar as bases para o contradit&#243;rio fortalecimento do governo que se expressou nos &#250;ltimos meses, evidenciado na in-vers&#227;o da din&#226;mica das pesquisas de popularidade, que passaram novamente a apontar a melhora da imagem de Lula e sua equipe; mas em grande medida questionado pela combina&#231;&#227;o entre a incipiente onda de greves que percorreu o pa&#237;s nos &#250;ltimos meses e o resultado eleitoral de outubro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Distintos fatores t&#234;m possibilitado o atual ciclo de recupera&#231;&#227;o prec&#225;ria da eco-nomia. A base fundamental desse ciclo &#233; a recupera&#231;&#227;o da economia mundial em cur-so desde fins de 2001, que segundo as otimistas estimativas do FMI ir&#225; crescer em torno de 5% este ano. Especificamente para os pa&#237;ses semicoloniais, tem cumprido um papel central a combina&#231;&#227;o entre o aumento das importa&#231;&#245;es da China9 e a &#8220;bo-lha&#8221; de capitais especulativos dirigidos aos pa&#237;ses semicoloniais em fun&#231;&#227;o das his-toricamente in&#233;ditas baixas taxas de juros nos Estados Unidos. Essa combina&#231;&#227;o, que tem garantido um saldo positivo para a balan&#231;a comercial do pa&#237;s e tem feito os investidores internacionais procurarem maior rentabilidade para seus capitais nos chamados &#8220;pa&#237;ses emergentes&#8221;, acaba funcionado como um contraponto &#227; aguda tend&#234;ncia de diminui&#231;&#227;o do fluxo de capitais estrangeiros desde 2001, assentando as bases para a redu&#231;&#227;o das taxas de juros internas durante o segundo semestre de 2003 e para a &#8220;rolagem&#8221; da d&#237;vida p&#250;blica. Al&#233;m disso, o aumento das exporta&#231;&#245;es est&#225; as-sentado: a) no aumento da competitividade dos produtos brasileiros em fun&#231;&#227;o da desvaloriza&#231;&#227;o do real; b) na alta cota&#231;&#227;o de commodities exportadas pelo Brasil no mercado internacional; c) no aumento das exporta&#231;&#245;es para a Argentina propor-cionado pelo crescimento econ&#244;mico vivido por esse pa&#237;s nos &#250;ltimos dois anos; e d) na alta competitividade de alguns ramos da economia brasileira, principalmente os ligados ao agrobusiness e &#227; siderurgia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse ciclo de recupera&#231;&#227;o prec&#225;ria do crescimento econ&#244;mico assentou as bases para que o governo conseguisse administrar a crescente oposi&#231;&#227;o de importantes setores da burguesia brasileira ao forte ajuste monet&#225;rio e fiscal em curso, assim co-mo os conflitos que vinham se desenvolvendo dentro de base aliada ao Planalto no Congresso. A express&#227;o mais n&#237;tida desse processo foi um artigo publicado em agosto na Folha de S&#227;o Paulo, no qual Dirceu e Palocci - &#237;cones das diferen&#231;as inter-burguesas no interior do pr&#243;prio &#8220;n&#250;cleo duro&#8221; do governo - aparecem unidos de-fendendo a pol&#237;tica econ&#244;mica em curso.10&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na recente onda de mobiliza&#231;&#245;es da classe trabalhadora por reivindica&#231;&#245;es de cunho econ&#244;mico, motorizada por este ciclo de recupera&#231;&#227;o prec&#225;ria, a burocracia cutista se colocou &#227; frente desses processos para desvi&#225;-los ou diretamente boicot&#225;-los, esfor&#231;ando-se para &#8220;aliviar a tens&#227;o&#8221; que se acumula nas bases sem permitir que &#8220;saiam do controle&#8221;. Foi isso o que observamos de forma mais evidente na campanha salarial dos petroleiros, na qual a burocracia, tirando li&#231;&#245;es da greve dos banc&#225;rios, realizou uma s&#233;rie de paralisa&#231;&#245;es escalonadas para evitar que as bases passassem por cima das dire&#231;&#245;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na rela&#231;&#227;o do governo com o movimento de massas, o elemento central que im-pediu e continua a impedir um desdobramento superior das contradi&#231;&#245;es de classe &#233; a importante ilus&#227;o e esperan&#231;a que ainda existe no governo Lula e no PT, cuja base central &#233; a atua&#231;&#227;o das principais dire&#231;&#245;es do movimento de massas diretamente li-gadas a esse partido11. O fato de que amplos setores da popula&#231;&#227;o ainda tenham ilu-s&#245;es e esperan&#231;as no governo &#233; um enorme obst&#225;culo para que possa vir &#227; tona a po-tencial energia acumulada pelo movimento de massas ao longo de anos a fio de de-teriora&#231;&#227;o das suas condi&#231;&#245;es de vida. &#201; um enorme obst&#225;culo para que essas energias se transformem em luta de classes aberta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As elei&#231;&#245;es colocam em quest&#227;o a atual for&#231;a do Planalto&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As &#250;ltimas elei&#231;&#245;es municipais expressaram um resultado contradit&#243;rio para o governo, no qual as vit&#243;rias num&#233;ricas do PT foram obscurecidas pelas derrotas sofridas nos principais centros urbanos do pa&#237;s, onde o descontentamento com o partido de Lula evidenciou-se nos votos para os demais partidos burgueses, prin-cipalmente o PSDB.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fortalecimento conjuntural do governo se expressou no fato de que o PT se tornou o partido mais votado do pa&#237;s, conquistou mais do que o dobro do n&#250;mero de prefeituras que tinha at&#233; ent&#227;o, aumentou o numero de capitais em que governa e te-ve o maior percentual de prefeitos reeleitos. Entretanto, a debilidade desse fortaleci-mento se expressa no fato de que o PT sofreu not&#225;veis derrotas nos principais cen-tros urbanos do pa&#237;s, concentrando seu avan&#231;o principalmente nas cidades do interior. O contradit&#243;rio resultado eleitoral do PT12 expressa que, pelo menos em rela&#231;&#227;o a im-portantes setores organizados da classe trabalhadora e da classe m&#233;dia, o ciclo de re-cupera&#231;&#227;o do crescimento n&#227;o tem sido suficiente para impedir que os brutais ataques &#225;s condi&#231;&#245;es de vida das massas, a oposi&#231;&#227;o de setores da burguesia &#227; pol&#237;tica eco-n&#244;mica em curso, os esc&#226;ndalos de corrup&#231;&#227;o que atingem o Planalto e as medidas direitistas, como a recente defesa dos torturadores e assassinos da ditadura militar, desgastem as ilus&#245;es depositadas no governo Lula13.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A an&#225;lise do petista Emir Sader expressa claramente os reveses sofridos pelo PT nessas elei&#231;&#245;es:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de quatro tentativas, Lula conseguiu se eleger presidente da rep&#250;-blica e na primeira elei&#231;&#227;o, o PT, pela primeira vez em sua hist&#243;ria, regrediu e sofreu a sua maior derrota. O partido perdeu os governos de S&#227;o Paulo, de Porto Alegre, de Bel&#233;m, de Goi&#226;nia, de Campinas, de Ribeir&#227;o Preto, de Ca-xias do Sul, de Pelotas, entre outras cidades importantes governadas pelo PT. Essas perdas s&#227;o regress&#245;es reais, pelo trabalho que os governos mu-nicipais do partido vinham desenvolvendo - h&#225; 16 anos em Porto Alegre, h&#225; 8 anos em Bel&#233;m, em Caxias do Sul e Ribeir&#227;o Preto. A reelei&#231;&#227;o em Belo Horizonte, em Recife, em Aracaju, em Santo Andr&#233;, em Guarulhos, em Dia-dema, em Niter&#243;i, e as vit&#243;rias em Fortaleza, em Macap&#225;, em Palmas, em Por-to Velho, em Londrina, em Contagem e em Osasco n&#227;o compensam, nem de longe, as derrotas. A disputa em S&#227;o Paulo, capital pol&#237;tica do PT e do PSDB, al&#233;m de ter visto o triunfo do candidato derrotado por Lula em 2002, tem tamb&#233;m um significado pol&#237;tico irrepar&#225;vel para o governo federal. Os candidatos que mais diretamente tiveram o apoio do governo federal - em Salvador, no Rio de Janeiro, em Ribeir&#227;o Preto, em S&#227;o Bernardo, em S&#227;o Paulo - foram todos derrotados, fragorosamente nos tr&#234;s primeiros casos. (...) O governo sai enfraquecido n&#227;o apenas pela perda de prefeituras im-portantes, mas tamb&#233;m porque seu marco de alian&#231;as partid&#225;rias se debilitou. O PMDB, maior aliado da base de apoio do governo, protagonizou aber-tamente a frente opositora, enquanto os outros partidos menores - como o PPS - definiram claramente sua op&#231;&#227;o por essa frente.14&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Inclusive expoentes do pr&#243;prio governo e do PT reconhecem o golpe sofrido. Jos&#233; Geno&#237;no afirmou que &#8220;algumas derrotas s&#227;o muito pesadas para n&#243;s&#8221;15, enquanto para Tarso Genro &#8220;a perda de Porto Alegre, para uma frente liderada pelo PPS, e a per-da de S&#227;o Paulo, para uma frente liderada pelo PSDB, s&#227;o duros golpes na nossa auto-estima&#8221;16. At&#233; mesmo a imprensa imperialista chama aten&#231;&#227;o para os reveses sofridos pelo governo:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As perdas do partido (PT) em S&#227;o Paulo e Porto Alegre ofuscaram seus ga-nhos significativos no primeiro turno das elei&#231;&#245;es em 3 de outubro, quando ele capturou a maioria dos votos em todo o Pa&#237;s e mais do que dobrou o n&#250;-mero de municipalidades que havia vencido em 2000 (...) Embora as cam-panhas eleitorais tenham se concentrado sobre temas dom&#233;sticos, os resul-tados poder&#227;o influenciar a base de apoio de Luiz In&#225;cio Lula da Silva e sua capacidade para obter aprova&#231;&#227;o para reformas no Congresso.17&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto o PT sofreu estes fortes revezes, o PSDB foi sem d&#250;vida o principal vitorioso nessas elei&#231;&#245;es18. Se j&#225; no primeiro turno este havia sido o segundo partido mais votado, logo atr&#225;s do PT, gerando um aparente &#8220;empate&#8221; entre esses dois par-tidos, o resultado do segundo turno indubitavelmente &#8220;desempatou&#8221; essa disputa a favor dos tucanos. O resultado eleitoral expressa, mesmo que de forma distorcida nos votos dirigidos ao PSDB e a outros partidos burgueses, o descontentamento de amplos setores da classe trabalhadora com o governo. Assim, o PSDB, que at&#233; ent&#227;o n&#227;o ia al&#233;m de uma t&#237;mida oposi&#231;&#227;o - tanto em fun&#231;&#227;o de ver seu programa &#8220;roubado&#8221; pelo PT como em fun&#231;&#227;o da derrota que sofreu em 2002 e da enorme popularidade de Lula - emerge dessas elei&#231;&#245;es autorizado a hegemonizar o papel de oposi&#231;&#227;o mais dura e sistem&#225;tica ao governo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PSDB recebeu um mandato renovado e fortalecido para liderar a oposi&#231;&#227;o. Com essas vit&#243;rias - S&#227;o Paulo, Curitiba e Florian&#243;polis - e a vota&#231;&#227;o de conjunto, o PSDB restabelece uma din&#226;mica poss&#237;vel de uma frente de cen-tro-direita que apareceu nitidamente fraca nas &#250;ltimas elei&#231;&#245;es presi-denciais.19&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PMBD, assim como em 2000, foi o terceiro partido mais votado. Apesar de ter decrescido seu n&#250;mero de prefeituras, continua sendo o partido com maior presen&#231;a nos 5.652 munic&#237;pios do pa&#237;s, dado seu dom&#237;nio nas cidades do interior. O PFL, ape-sar de ter ca&#237;do tanto em n&#250;mero de votos como em n&#250;mero de prefeituras, foi o quar-to partido mais votado e ganhou j&#225; no primeiro turno a segunda maior capital e o se-gundo maior col&#233;gio eleitoral do pa&#237;s - o Rio de Janeiro - o que permitiu a C&#233;sar Maia pleitear a candidatura de vice-presidente em uma coliga&#231;&#227;o com o PSDB em 2006.20&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse resultado de conjunto mostra que, apesar de que nas elei&#231;&#245;es presidenciais de 2002 a classe trabalhadora tenha em sua maioria se oposto &#225;s candidaturas que ex-pressavam continuidade em rela&#231;&#227;o ao governo FHC, a transi&#231;&#227;o sem maiores con-flitos entre FHC e Lula garantiu a preserva&#231;&#227;o dos partidos que sustentaram o &#250;ltimo governo. As institui&#231;&#245;es do regime democr&#225;tico burgu&#234;s de conjunto saem forta-lecidas, pois o resultado eleitoral expressa que esses partidos - principalmente o PSDB - ainda est&#227;o aptos a se constitu&#237;rem como potenciais desvios para um futuro processo de desilus&#227;o mais massiva com o PT. &#201; o que atesta o site pessedebista Pri-meira Leitura: &#8220;devemos chamar a aten&#231;&#227;o para um fato &#243;bvio: a democracia saiu, sem d&#250;vida, fortalecida com as vit&#243;rias dos tucanos&#8221;21.&lt;/p&gt;
&lt;strong&gt;
&lt;h2 class=&#034;spip&#034;&gt;CAP&#205;TULO III&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As contradi&#231;&#245;es estruturais da economia e do regime&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de que o governo Lula venha conseguindo afastar o risco de default a curto prazo que atingia a economia em fins de 2002, a primeira revers&#227;o das condi&#231;&#245;es econ&#244;micas mundiais favor&#225;veis ao pa&#237;s tende a colocar o problema do pagamento da d&#237;vida externa e interna p&#250;blica e privada novamente no centro do cen&#225;rio pol&#237;tico nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em sua mais recente edi&#231;&#227;o, a revista The Economist diz que a maioria das pessoas mal consegue se recordar qual foi a &#250;ltima vez que a economia mundial cresceu (ou prometeu crescer) t&#227;o rapidamente, em alus&#227;o ao relat&#243;rio do Fundo Monet&#225;rio Internacional no qual se estima uma expans&#227;o de 5% neste ano e de outros 4,3% no pr&#243;ximo ano. Mas a pr&#243;pria &#8220;b&#237;blia do pen-samento liberal&#8221; fazia quest&#227;o de argumentar que ao menos quatro fatores amea&#231;avam esse mundo r&#243;seo delineado pelo FMI: pela ordem, uma alta nos pre&#231;os do petr&#243;leo, uma queda no n&#237;vel de gastos dos consumidores americanos, o fim da bolha imobili&#225;ria e um pouso &#8220;for&#231;ado&#8221; da economia chinesa. (...) em algum momento, a eleva&#231;&#227;o dos pre&#231;os do petr&#243;leo poder&#225; afetar o ritmo de crescimento da China - as importa&#231;&#245;es chinesas de pe-tr&#243;leo subiram 40% neste ano. Confirmado esse quadro, haveria uma queda na demanda por commodities essenciais na pauta de exporta&#231;&#227;o brasileira (leia-se soja e a&#231;o). (...) O mercado financeiro, que tem se esfor&#231;ado para permanecer &#8220;imune&#8221;, mirando suas expectativas nos lucros das empresas, pode cair em depress&#227;o se aparecerem sinais de desaquecimento na eco-nomia mundial. O desconforto se traduziria em avers&#227;o a risco (e o Brasil n&#227;o escaparia, mesmo tendo feito o dever de casa ditado pelos investidores), menor liquidez para os emergentes e uma forte corre&#231;&#227;o nas Bolsas de Va-lores.22&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da relativa autoridade entre as distintas fra&#231;&#245;es burguesas que o governo conquistou em fun&#231;&#227;o do ciclo de recupera&#231;&#227;o do crescimento, as contradi&#231;&#245;es es-truturas que atravessam a economia, combinadas com as distintas vis&#245;es em rela&#231;&#227;o &#227; correla&#231;&#227;o de for&#231;as, continuam servindo de base para crescentes divis&#245;es no seio das classes dominantes:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ouvir especialistas para entender a economia do pa&#237;s &#233; constatar que o universo brasileiro, em mat&#233;ria de juros, super&#225;vit, d&#237;vida p&#250;blica e acordo com o FMI, divide-se em dois hemisf&#233;rios: 1) para a banda dos economistas umbilicalmente ligados ao mercado financeiro, a reden&#231;&#227;o existe e est&#225; no aumento dos juros (...) e no aumento do super&#225;vit prim&#225;rio como garantias de que a rela&#231;&#227;o d&#237;vida/PIB &#233; o xis de toda e qualquer quest&#227;o em mat&#233;ria de solv&#234;ncia, de crescimento, enfim, de tudo. (...); 2) os economistas ligados &#227; produ&#231;&#227;o e &#227; academia que pensam os rumos da economia falam em &#8220;arma-dilha&#8221;, irritam-se com a postura do PT mais realista que o rei em mat&#233;ria de responsabilidade fiscal (...).23&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;At&#233; quando ir&#225; durar o atual ciclo prec&#225;rio de recupera&#231;&#227;o da economia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As contradi&#231;&#245;es estruturais que atravessam a economia brasileira j&#225; imp&#245;em fortes limites para o atual crescimento econ&#244;mico. Tanto a din&#226;mica exportadora como a &#8220;bolha&#8221; de capitais especulativos j&#225; se v&#234;m amea&#231;adas pelas mudan&#231;as no cen&#225;rio internacional e pelos pr&#243;prios constrangimentos internos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma combina&#231;&#227;o entre a explos&#227;o dos pre&#231;os do petr&#243;leo internacionalmente, a necessidade dos EUA corrigir os d&#233;ficits na sua balan&#231;a comercial e fiscal e de conter suas press&#245;es inflacion&#225;rias internas tem provocado retorno do aumento das taxas de juros nesse pa&#237;s, apontando para uma nova realoca&#231;&#227;o do capital financeiro para as principais economias do mundo e conseq&#252;entemente para o fim da &#8220;bolha&#8221; de capitais dirigida aos pa&#237;ses semicoloniais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &#8220;pouso for&#231;ado&#8221; da China, assim como o retorno dos Estados Unidos como grande exportador de soja no mercado mundial, colocam fortes limites &#225;s perspectivas do agroneg&#243;cio, que tem sido um dos principais motores do atual ciclo, inclusive pe-lo est&#237;mulo que produziu na ind&#250;stria. Atualmente, a produ&#231;&#227;o agr&#237;cola do pa&#237;s v&#234;-se enfrentada a uma cont&#237;nua alta dos custos de produ&#231;&#227;o ao mesmo tempo em que caem os pre&#231;os de venda24. As perspectivas para o crescimento deste setor, que no in&#237;cio de 2004 eram de 4% no ano, hoje j&#225; se encontram no patamar de 3%, e para o ano que vem alguns analistas chagam a prever um cen&#225;rio de crise.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com a revers&#227;o das condi&#231;&#245;es internacionais e dos ritmos das exporta&#231;&#245;es, o componente que poderia segurar as perspectivas de crescimento seria o mercado in-terno. No entanto, neste &#226;mbito &#233; onde as perspectivas encontram-se mais dete-rioradas. A manuten&#231;&#227;o de altos n&#237;veis de desemprego, baixos n&#237;veis de renda e bai-xa qualidade do emprego impedem uma recupera&#231;&#227;o consistente do consumo interno. Al&#233;m dos &#237;ndices de desemprego manterem-se acima de 11% segundo o IBGE e aci-ma de 18% segundo o Dieese, a qualidade do emprego tem piorado ano a ano. No pri-meiro semestre de 2002, &#250;ltimo ano do governo FHC, 68% dos trabalhadores ganhavam at&#233; dois m&#237;nimos. No mesmo per&#237;odo de 2003, primeiro ano do governo Lula, esse per-centual subiu para 71,93%. Neste ano, chegou a 72,13%. O trabalhador demitido foi substitu&#237;do por outro que ganha at&#233; 40% menos no primeiro semestre deste ano, dependendo do setor em que trabalhava.25 Recentemente, o IBGE publicou as esta-t&#237;sticas que informam que a renda dos trabalhadores caiu 7% em 2003, sendo a mais baixa desde 1992.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ajuste fiscal, com o aumento dos impostos decorrentes deste ajuste, tem n&#227;o s&#243; contribu&#237;do para incrementar as press&#245;es inflacion&#225;rias (principalmente em fun&#231;&#227;o da CONFINS) como tamb&#233;m tem amea&#231;ado a consist&#234;ncia da atual situa&#231;&#227;o econ&#244;-mica em fun&#231;&#227;o da deteriora&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es infra-estruturais:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A regi&#227;o sul do pa&#237;s est&#225; &#227; beira de um &#8220;apag&#227;o log&#237;stico'&#8221; que poder&#225; com-prometer a retomada do crescimento, com um colapso nas exporta&#231;&#245;es. A falta de investimentos, pelo governo federal, em infra-estrutura j&#225; dificulta as exporta&#231;&#245;es, quadro que poder&#225; se agravar a partir do pr&#243;ximo ano. O alerta &#233; de empres&#225;rios dos tr&#234;s estados sulistas.26&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa &#233; a base sob a qual, desde o in&#237;cio do ano, para continuar garantindo a en-trada de capitais estrangeiros, a tend&#234;ncia de queda nas taxas de juros em 2003 se re-verteu e nos &#250;ltimos meses deu lugar a uma nova din&#226;mica de aumento. E &#233; tamb&#233;m sob essa base que o governo tem agravado continuamente o ajuste fiscal.27&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &#237;mpeto de crescimento da economia brasileira est&#225; diminuindo. Essa im-press&#227;o, que j&#225; se insinuava havia algumas semanas, viu-se refor&#231;ada com a divulga&#231;&#227;o da pesquisa mensal do IBGE relativa ao comportamento da in-d&#250;stria. De acordo com o levantamento, de agosto para setembro a produ&#231;&#227;o industrial se manteve estagnada, interrompendo uma seq&#252;&#234;ncia de seis al-tas mensais consecutivas. (...) O desempenho das vendas do com&#233;rcio nas maiores regi&#245;es metropolitanas j&#225; havia mostrado arrefecimento em agosto. Tamb&#233;m a expedi&#231;&#227;o de embalagens de papel&#224;o, que &#233; uma esp&#233;cie de ter-m&#244;metro da atividade industrial, revelara perda de f&#244;lego em agosto e nova-mente em setembro. Os mais recentes dados do IBGE, por sua abrang&#234;ncia setorial e geogr&#225;fica, s&#227;o suficientes para eliminar as d&#250;vidas que pudessem restar quanto &#227; desacelera&#231;&#227;o da atividade econ&#244;mica.28&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A perspectiva real de crescimento econ&#244;mico de 4,5% para este ano, funda-mentada na recupera&#231;&#227;o c&#237;clica vivida pela economia mundial deste o final de 2002, n&#227;o pode mais que anteceder crises econ&#244;micas ainda mais fortes nos pr&#243;ximos anos. Dificilmente a burguesia brasileira conseguir&#225; sustentar esse mesmo patamar de crescimento j&#225; em 2005. Para proporcionar uma m&#237;nima sustenta&#231;&#227;o ao crescimento econ&#244;mico, seria necess&#225;rio sustentar patamares superiores de investimentos e de consumo interno. Isso s&#243; seria poss&#237;vel reduzindo substancialmente o atual n&#237;vel de desemprego, aumenta substancialmente o n&#237;vel de renda do trabalhador e aflui uma nova onda de capitais estrangeiros para o pa&#237;s. Por mais que o atual ciclo de cres-cimento econ&#244;mico esteja associado a uma certa recupera&#231;&#227;o dos n&#237;veis de inves-timento e de consumo, &#233; muito pouco prov&#225;vel que esse ciclo se mantenha num pa-tamar sustent&#225;vel por fora de um novo ciclo de crescimento mundial que signifique uma sa&#237;da consistente da crise de acumula&#231;&#227;o capitalista que se abre com o fim do boom p&#243;s-Segunda Guerra Mundial, minimamente igual ou superior ao que propor-cionou o crescimento dos Estados Unidos na d&#233;cada de 90. Com o agravante de que um ciclo mundial como este n&#227;o pode dar-se sem um ainda maior esmagamento das semicol&#244;nias pelas botas do imperialismo, como mostra a ofensiva unilateral e guer-reirista de Washington. Ou seja, seria necess&#225;ria a constitui&#231;&#227;o de um novo padr&#227;o de acumula&#231;&#227;o capitalista mundial baseado num m&#237;nimo equil&#237;brio entre os pa&#237;ses centrais e semicoloniais, o que ap&#243;s o enorme ciclo de endividamento estatal que es-teve associado ao &#8220;neoliberalismo&#8221; demandaria uma importante destrui&#231;&#227;o de for&#231;as produtivas em escala planet&#225;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A dif&#237;cil rela&#231;&#227;o do governo com aliados e opositores&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O aumento do ajuste monet&#225;rio e fiscal implementado pelo governo no &#250;ltimo per&#237;odo mostra como ainda est&#227;o latentes os conflitos internos &#225;s classes dominantes, como demonstram a declara&#231;&#227;o de Ant&#244;nio Erm&#237;rio de Moraes feita logo ap&#243;s o an&#250;ncio das medidas: &#8220;A eleva&#231;&#227;o da taxa b&#225;sica de juros, em si, foi uma ducha de &#225;gua fria para quem estava pensando em tomar dinheiro emprestado para investir. (...) Foi uma senha negativa para os investidores produtivos e um grande presente para os especuladores. Est&#225; na hora de darmos um basta.&#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A disputa entre os pesos pesados da burguesia para definir quais setores da economia ser&#227;o rifados e quais melhor conseguir&#227;o se adequar como s&#243;cios menores do capital imperialista determina uma fase de crises no seio das classes dominantes do pa&#237;s. Por um lado, delineia-se de forma cada vez mais clara um amplo bloco em de-fesa de uma maior margem de manobra com rela&#231;&#227;o ao imperialismo, que permita a uti-liza&#231;&#227;o do poder estatal para minimizar o car&#225;ter estrutural da crise econ&#244;mica que amea&#231;a a exist&#234;ncia de amplos setores da burguesia e que permita conceder algumas migalhas &#227; popula&#231;&#227;o para conter futuras explos&#245;es sociais. S&#227;o os defensores da redu&#231;&#227;o do super&#225;vit fiscal associado &#227; negocia&#231;&#227;o da d&#237;vida para que o estado possa reduzir os impostos sobre a produ&#231;&#227;o e investir em infra-estrutura, da redu&#231;&#227;o da taxa de juros e mais recentemente do controle do fluxo de capitais internacionais. Por outro lado, mant&#233;m-se firme no controle das r&#233;deas do Estado o bloco que, mais diretamente ligado ao capital financeiro internacional, defende uma submiss&#227;o mais rigorosa &#225;s ordens do FMI, estabelecendo uma rela&#231;&#227;o mais pragm&#225;tica na correla&#231;&#227;o de for&#231;as pol&#237;ticas interna, tanto em rela&#231;&#227;o &#227; possibilidade de rifar setores reais da burguesia como em rela&#231;&#227;o &#227; crise social que atinge o pa&#237;s. O fato &#233; que no Brasil a hegemonia do setor burgu&#234;s mais diretamente atrelado &#227; ofensiva neoliberal nunca foi seriamente questionado, tanto durante os dois governos FHC como durante o atual governo Lula, o que explica porque aqui n&#227;o se desenvolveu uma crise de he-gemonia da magnitude da que ocorreu nos demais pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina, como, por exemplo, em dezembro de 2001 na Argentina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ap&#243;s as elei&#231;&#245;es, como subproduto das derrotas sofridas pelo PT, os conflitos interburgueses parecem ganhar uma nova for&#231;a, expressando-se de forma mais evi-dente na crise que atinge a base aliada logo ap&#243;s a conclus&#227;o do pleito, e nas cr&#237;ticas ao planalto que surgem por parte dos pr&#243;prios petistas derrotados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A express&#227;o mais contundente das novas crises que podem envolver a rela&#231;&#227;o do Planalto com sua base de partidos aliados no pr&#243;ximo per&#237;odo prov&#233;m das recentes press&#245;es de importantes setores dentro do PMDB para que o partido renuncie aos seus cargos no governo e some as fileiras oposicionistas.29 A Confer&#234;ncia Nacional do PMDB que ocorreria em 2005 foi adiada para o dia 12 de dezembro, quando o par-tido dever&#225; tomar uma posi&#231;&#227;o definitiva. A declara&#231;&#227;o de Aldo Rabelo, Ministro da Coordena&#231;&#227;o Pol&#237;tica, segundo o qual a alian&#231;a com o PMDB &#233; &#8220;fundamental para a governabilidade do pa&#237;s&#8221;30, expressa os graves riscos que envolvem uma poss&#237;vel ruptura. Mas n&#227;o &#233; s&#243; o PMDB que amea&#231;a deixar a base: o PPS, ap&#243;s sentir-se for-talecido com a vit&#243;ria sobre o PT em Porto alegre, passa a amea&#231;ar publicamente abandonar seus cargos e deixar o governo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meio &#225;s disputas que envolvem tanto a reorganiza&#231;&#227;o de for&#231;as para as elei-&#231;&#245;es de 2006 como a elei&#231;&#227;o para as duas casas do Congresso no in&#237;cio de 2005, a agenda do Congresso encontra-se praticamente paralisada: &#8220;H&#225; uma crise entre Exe-cutivo e Legislativo e o governo tem que assumir isso. H&#225; uma falta de respeito com o Congresso, e n&#227;o estou me referindo a oposi&#231;&#245;es. O governo n&#227;o respeita sua pr&#243;-pria base&#8221;31. e o que se desenvolve &#233; um verdadeiro &#8220;balc&#227;o de neg&#243;cios&#8221;, no qual cada partido busca negociar um melhor espa&#231;o no governo para continuar mantendo seu apoio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m das crises junto &#227; base aliada, ap&#243;s as elei&#231;&#245;es v&#234;m &#227; tona novas resist&#234;ncias provenientes dos pr&#243;prios petistas. No dia 09 de novembro formou-se novamente uma articula&#231;&#227;o de deputados federais ligados &#225;s correntes da esquerda do PT para protestar contra o governo, repetindo um movimento semelhante que ocorreu em meados de 2003. Segundo Chico Alencar (RJ), &#8220;acreditamos que o voto da popula&#231;&#227;o nestas elei&#231;&#245;es foi um voto de descontentamento. N&#227;o estamos fazendo um julga-mento definitivo do governo Lula, mas queremos enfatizar que foi aceso o sinal ver-melho&#8221;32. Segundo o deputado Ivan Valente (SP), &#8220;o partido teve uma derrota pol&#237;tica no segundo turno. A dire&#231;&#227;o nacional quer tapar o sol com a peneira, mas as urnas mostram o desapontamento, a insatisfa&#231;&#227;o, a frustra&#231;&#227;o com as mudan&#231;as que n&#227;o vieram&#8221;. Mas n&#227;o foram apenas os deputados da esquerda que come&#231;aram a disparar:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ministro da Educa&#231;&#227;o, Tarso Genro, a prefeita eleita de Fortaleza, Luizianne Lins, e outras figuras petistas tamb&#233;m manifestaram suas insatisfa&#231;&#245;es com o partido e o governo. (...) As afirma&#231;&#245;es de Luizianne Lins, de que o partido deve &#8220;radicalizar a democracia&#8221; interna e fortalecer a milit&#226;ncia, expressam o descontentamento da ala esquerdista. Em sentido semelhante v&#227;o as cen-suras do ministro da Educa&#231;&#227;o, Tarso Genro, &#227; &#8220;excessiva amplitude&#8221; de al-gumas alian&#231;as. &#201; precipitado prever uma crise nos moldes daquela que provocou o expurgo dos &#8220;radicais&#8221;. &#201; poss&#237;vel, por&#233;m, divisar uma tentativa dos insatisfeitos de conquistar posi&#231;&#245;es ap&#243;s o rev&#233;s eleitoral sofrido pelo Planalto. 33&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O brutal giro &#227; direita do PT nessas elei&#231;&#245;es, somado &#227; derrota em cidades centrais como S&#227;o Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, abalaram a rela&#231;&#227;o do PT tam-b&#233;m com os setores da intelectualidade e profissionais liberais historicamente apoia-dores do &#8220;modo petista de governar&#8221;. Segundo o advogado Jo&#227;o Piza, ex-presidente da OAB-SP, militante petista e representante de v&#225;rios dirigentes do PT na Justi&#231;a:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;seria a total apatia experimentada por setores majorit&#225;rios da milit&#226;ncia inte-lectual do partido na defesa de nossas teses e governo, o que mereceria uma reflex&#227;o mais acurada, pois das duas uma, ou n&#227;o mais nos relacionamos com esse segmento por absoluta incompet&#234;ncia da dire&#231;&#227;o ou o n&#237;vel de decep&#231;&#227;o que causamos chegou ao limite em que a eloq&#252;&#234;ncia do sil&#234;ncio berra por si.34&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como se n&#227;o bastassem as contradi&#231;&#245;es junto aos aliados, o governo Lula ter&#225; que lidar com o fato de que o PSDB n&#227;o conseguir&#225; cumprir na oposi&#231;&#227;o o mesmo papel que o PT cumpriu ao longo da d&#233;cada de 90. Al&#233;m de n&#227;o ter uma liga&#231;&#227;o org&#226;-nica com o movimento de massas como tem o PT, &#233; imposs&#237;vel de apagar da consci&#234;ncia das massas os dois mandatos de FHC. Ou seja, ainda n&#227;o est&#227;o claros os desdo-bramentos que essa nova composi&#231;&#227;o do regime trar&#225; para a consci&#234;ncia da classe trabalhadora, principalmente pelo fato de que se tornou mais evidente nessas elei&#231;&#245;es a inexist&#234;ncia de um partido &#227; esquerda do PSDB e do PT com m&#237;nima influ&#234;ncia de massas.&lt;/p&gt;
&lt;strong&gt;
&lt;h2 class=&#034;spip&#034;&gt;CAP&#205;TULO IV&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A din&#226;mica da luta de classes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa declara&#231;&#227;o de Bol&#237;var Lamounier, um importante quadro da burguesia bra-sileira e intelectual do PSDB, expressa a profundidade das contradi&#231;&#245;es sociais que atravessam o pa&#237;s:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Brasil tem um problema freudiano: alguns gostariam de viver num neg&#243;cio que, para eles, seria capitalista, mas, para outros, sovi&#233;tico. Como o Brasil ainda n&#227;o fez sua psican&#225;lise e n&#227;o resolve que caminho quer seguir ideolo-gicamente, isso resulta em risco alto. (...) o psicanalista &#233; o a&#231;oite da tens&#227;o social. O que nos leva realmente ao auto-exame, ao div&#227;, e eventualmente a medidas corretivas e de reformas, &#233; a convic&#231;&#227;o de que o pa&#237;s, do ponto de vista da exist&#234;ncia individual e familiar, piora cada vez mais. Voc&#234; pode ter um PIB mais alto, mas a vida concreta vivida pelas pessoas piora. E elas pressentem que isso tem a ver com as condi&#231;&#245;es econ&#244;micas e sociais. A quest&#227;o social &#233; o a&#231;oite que faz com que possamos nos concentrar nos temas fundamentais. N&#227;o temos mais o id&#237;lio modernizante que n&#243;s ima-gin&#225;vamos a&#237; pelos anos 50. (...) A popula&#231;&#227;o n&#227;o era t&#227;o grande, n&#227;o era urbana, t&#237;nhamos tempo. (...) Isso foi para o belel&#233;u. O que n&#243;s temos s&#227;o quase 180 milh&#245;es de sujeitos concentrados nas &#225;reas metropolitanas. E sem aquela bobagem que se costuma apontar no Brasil das supostas defe-r&#234;ncia e submiss&#227;o dos pobres com os de cima, os ricos. O sujeito defende a condi&#231;&#227;o dele, at&#233; por uma quest&#227;o de sobreviv&#234;ncia, de maneira aguerrida, utilit&#225;ria e, se necess&#225;rio, violenta. (...) Ent&#227;o, ou n&#243;s concertamos o pa&#237;s para que ele economicamente, institucionalmente na sua estratifica&#231;&#227;o, se adapte a essa sociedade que j&#225; &#233; moderna no seu comportamento ou n&#243;s vamos ver a modernidade nos comer pela perna.35&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ap&#243;s a greve dos servidores p&#250;blicos federais contra a reforma da previd&#234;ncia, o come&#231;o do ano de 2004 foi marcado por uma crescente mobiliza&#231;&#227;o de amplos se-tores da classe trabalhadora por reivindica&#231;&#245;es de cunho econ&#244;mico36, combinada com processos de radicaliza&#231;&#227;o e ruptura com o governo Lula e o PT em setores de vanguarda, dentre os quais os servidores p&#250;blicos vinham cumprindo um papel central. No segundo semestre, a greve dos banc&#225;rios estabelece um salto de qualidade nesse processo, colocando setores concentrados da economia privada no centro do cen&#225;rio pol&#237;tico, dando corpo &#227; incipiente onda de greves que percorreu o pa&#237;s nos &#250;ltimos meses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Greve dos funcion&#225;rios da USP: um exemplo de politiza&#231;&#227;o e radicaliza&#231;&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A greve dos funcion&#225;rios da USP &#233; o fen&#244;meno da classe trabalhadora brasileira que mostra com mais clareza a exist&#234;ncia de elementos de radicaliza&#231;&#227;o no cen&#225;rio pol&#237;tico nacional. Foi uma greve de 65 dias na qual os trabalhadores impuseram parte importante de suas demandas atrav&#233;s do m&#233;todo de piquetes para impedir o fun-cionamento das unidades centrais da universidade e aprovaram em assembl&#233;ia rei-vindica&#231;&#245;es extremamente progressivas como a reposi&#231;&#227;o mensal das perdas sala-riais de acordo com o aumento do custo de vida, a abertura dos livros de contabilidade da institui&#231;&#227;o, a expuls&#227;o da pol&#237;cia do campus universit&#225;rio e a derrubada do reitor, vinculada &#227; implementa&#231;&#227;o imediata de elei&#231;&#245;es diretas nas quais possa se candidatar qualquer funcion&#225;rio, estudante ou professor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um editorial do principal jornal do pa&#237;s mostra a for&#231;a que tiveram esses tra-balhadores:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A viol&#234;ncia se expressou com mais clareza nos piquetes autorit&#225;rios que impediram o ingresso das pessoas na reitoria, no edif&#237;cio da antiga reitoria e na prefeitura do campus da USP em S&#227;o Paulo, num claro desrespeito a princ&#237;pios elementares e universalmente aceitos da democracia. Piquetes igualmente violentos foram usados como forma de intimida&#231;&#227;o nos campi de Piracicaba, S&#227;o Carlos e Ribeir&#227;o Preto. As reitorias da Unicamp e da Unesp foram invadidas e parcialmente depredadas37.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando a reitoria e o governo do estado enviaram a pol&#237;cia para derrubar os piquetes, os trabalhadores, aliados com um setor de estudantes combativos, mos-traram-se dispostos a resistir com barricadas, paus, pedras e roj&#245;es, obrigando a rei-toria e o governo a recuarem para evitar um confronto que teria repercuss&#245;es pol&#237;ticas imprevis&#237;veis. O acordo firmado entre as reitorias das tr&#234;s universidades expressa a diferente correla&#231;&#227;o de for&#231;as que se estabeleceu na USP em fun&#231;&#227;o dos piquetes. Enquanto na Unesp e na Unicamp o acordo permite a puni&#231;&#227;o dos grevistas, na USP o acordo impede a puni&#231;&#227;o e concede um benef&#237;cio adicional atrav&#233;s do aumento do vale-alimenta&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, os grevistas reconhecem que mesmo para conquistar os 4,18% de reajuste salarial os piquetes foram fundamentais para fazer retrocederem os reitores que em seis negocia&#231;&#245;es seguidas propuseram 0% de reajuste.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o s&#243; os trabalhadores da USP reivindicaram a abertura dos livros de conta-bilidade das universidades. Ao final do conflito, j&#225; alguns setores da Unesp e da Uni-camp come&#231;aram a se influenciar por essa consigna. Esse &#233; um elemento extremamente importante, pois a luta pela abertura dos livros de contabilidade significa uma cr&#237;tica &#227; forma como &#233; manipulado o or&#231;amento universit&#225;rio, que enquanto arrocha o sal&#225;rio dos setores mais explorados proporciona enormes ganhos para uma burocracia de acad&#234;micos e t&#233;cnico-administrativos e desvia verbas p&#250;blicas para as funda&#231;&#245;es de direito privado que cada vez mais tomam conta da universidade. Essa cr&#237;tica &#233; um pri-meiro passo para que os trabalhadores possam exigir a abertura dos livros de con-tabilidade de todas as empresas da sociedade, mostrando que ser&#225; imposs&#237;vel acabar com o desemprego sem atacar os lucros extraordin&#225;rios que a burguesia acumula &#227; cus-ta da explora&#231;&#227;o da classe trabalhadora. Nesse sentido, &#233; uma reivindica&#231;&#227;o que ultra-passa os limites das demandas econ&#244;micas por melhores sal&#225;rios e condi&#231;&#245;es de tra-balho e desenvolve a consci&#234;ncia pol&#237;tica dos trabalhadores ao se enfrentar diretamente com o regime universit&#225;rio, que reproduz dentro da universidade a divis&#227;o da sociedade em classes sociais38. S&#227;o reivindica&#231;&#245;es que apontam para a necessidade dos traba-lhadores, professores e estudantes assumirem em suas pr&#243;prias m&#227;os o controle da universidade, lutando pela gest&#227;o tripartite com maioria estudantil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esses fatores mostram que a greve das tr&#234;s universidades tinha for&#231;a para con-quistar os 16% de reajuste salarial que reivindicava inicialmente. O fato de que n&#227;o tenha conquistado mostra o papel nefasto que cumprem as dire&#231;&#245;es pol&#237;ticas dos sindicatos de trabalhadores e funcion&#225;rios da Unesp e da Unicamp e do sindicato de professores da USP, que travaram uma batalha para impedir que a radicaliza&#231;&#227;o dos trabalhadores da USP &#8220;contaminasse&#8221; as demais categorias em greve. Ainda assim, em distintos campi da Unesp os trabalhadores passaram a esperar as assembl&#233;ias do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) para depois realizar suas pr&#243;prias assembl&#233;ias, demonstrando que come&#231;avam a ver no Sintusp uma refer&#234;ncia pol&#237;tica mais importante que seu pr&#243;prio sindicato.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tr&#234;s meses depois de terminada a greve, a vanguarda que protagonizou os piquetes fez votar em uma assembl&#233;ia da categoria que o Sintusp lute pela constru&#231;&#227;o de um p&#243;lo anti-burocr&#225;tico nacional que lute para que a CUT e seus sindicatos rompam com o governo e levantem um programa oper&#225;rio independente de sa&#237;da para a crise a atinge o pa&#237;s.39&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O exemplo de resist&#234;ncia do funcionalismo p&#250;blico&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde o ano passado os servidores p&#250;blicos t&#234;m sido total ou parcialmente derrotados na maioria das greves duras, prolongadas e com importantes elementos de antiburocratismo e radicaliza&#231;&#227;o que t&#234;m protagonizado. No entanto, contra-ditoriamente, at&#233; agora essas derrotas n&#227;o foram suficientes para desmoralizar e frear a mobiliza&#231;&#227;o da categoria, que ainda expressa diversos sinais de que continuar&#225; ocupando um importante lugar nos processos de luta que se desenvolvem no pa&#237;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m da greve da USP, pelo menos tr&#234;s outros processos expressam a disposi&#231;&#227;o de luta dos servidores p&#250;blicos: os servidores p&#250;blicos federais (principalmente nas universidades), os judici&#225;rios de S&#227;o Paulo e os funcion&#225;rios da UERJ.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da derrota da greve contra a reforma da previd&#234;ncia em 2003, os servidores federais entraram novamente em greve duas vezes em 2004 por reajuste salarial: uma no primeiro semestre na qual foram derrotados ao conseguirem apenas miser&#225;veis benef&#237;cios incorporados &#227; folha de pagamento, e outra no segundo semestre para obrigar o governo a cumprir parte do acordo que ainda permanece em aberto. Esta &#250;ltima em algumas universidades chegou a durar mais de 100 dias, com ocupa&#231;&#245;es de pr&#233;dios e duros enfrentamentos com a pol&#237;cia. Ainda que tenham sido novamente derrotados neste ano, os servidores das universidades t&#234;m mostrado importantes sinais de que enfrentar&#227;o a reforma universit&#225;ria que Lula pretende implementar a partir de novembro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A trajet&#243;ria dos funcion&#225;rios da UERJ &#233; emblem&#225;tica: em 2003 entraram em gre-ve junto com outras categorias do funcionalismo estadual e em 2004 protagonizam uma greve de mais de 120 dias com ocupa&#231;&#227;o da universidade e resist&#234;ncia &#227; pol&#237;cia com pedras e &#8220;coquet&#233;is molotov&#8221; nos piquetes:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os recentes epis&#243;dios ocorridos na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Universidade de S&#227;o Paulo (USP), no Conselho Nacional de Educa&#231;&#227;o e, infelizmente, tamb&#233;m na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em que servidores, insatisfeitos com as condi&#231;&#245;es de trabalho, usam a es-trat&#233;gia da ocupa&#231;&#227;o para se manifestar - s&#227;o exemplos de vari&#225;veis normal-mente incontrol&#225;veis, na medida em que o atendimento &#225;s reivindica&#231;&#245;es n&#227;o cabe ao gestor da institui&#231;&#227;o, mas ao Estado.40&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somando-se ao ensino superior, os servidores p&#250;blicos do Poder Judici&#225;rio t&#234;m paralisado suas atividades em diversos estados. No estado de S&#227;o Paulo, cerca de 40 mil judici&#225;rios protagonizaram a maior greve da hist&#243;ria da categoria, paralisando as atividades por 91 dias a ponto de colocar em risco o funcionamento das elei&#231;&#245;es mu-nicipais de outubro passado e provocando a rea&#231;&#227;o da burguesia e seus advogados: &#8220;Em S&#227;o Paulo, h&#225; quase 90 dias, a democracia n&#227;o se realiza, a Rep&#250;blica est&#225; ferida, o Estado est&#225; capenga, o governo est&#225; incompleto. &#201; o caso de interven&#231;&#227;o federal para garantir o livre funcionamento de um dos Poderes&#8221;41. Apesar de derrotada (os judici&#225;rios paulistas conquistaram 14% de aumento ao inv&#233;s dos 37% reivindicados, e foram punidos com o desconto dos dias parados nas f&#233;rias), obser-vamos nessa categoria um fen&#244;meno que pode apontar para algo semelhante ao ocorrido entre os funcion&#225;rios da USP: os trabalhadores n&#227;o saem desmoralizados da greve; pelo contr&#225;rio, setores de vanguarda expressam rep&#250;dio aos burocratas que trabalharam pela derrota do movimento e buscam se organizar para novos pro-cessos de luta, colocando em pauta a possibilidade de retorno &#227; greve para lutar con-tra as puni&#231;&#245;es. Foram deflagradas greves de judici&#225;rios tamb&#233;m na Bahia e em Santa Catarina e a partir delas foi organizado um encontro para coordenar essas lutas. A partir da Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria n&#243;s lutamos para combater a burocracia que traiu a categoria e hoje lutamos para que a vanguarda da greve do judici&#225;rio entre na Conlutas para transform&#225;-la num p&#243;lo antiburocr&#225;tico nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;br class='autobr' /&gt;
A greve nacional dos banc&#225;rios como um ponto de inflex&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde a elei&#231;&#227;o de Lula, as importantes greves no funcionalismo p&#250;blico e as ocupa&#231;&#245;es de terras no campo que dominavam o cen&#225;rio nacional da luta de classes n&#227;o vinham encontrando correspondente mobiliza&#231;&#227;o nos setores privados da eco-nomia, principalmente nas categorias de maior centralidade na produ&#231;&#227;o. A recente greve nacional dos banc&#225;rios, combinada com o desenvolvimento mais amplo de mobiliza&#231;&#245;es da classe trabalhadora por reivindica&#231;&#245;es econ&#244;micas, parece apontar para uma mudan&#231;a na din&#226;mica da luta de classes que vem se expressando at&#233; agora, na qual setores centrais da economia privada nacional tamb&#233;m passam a fazer parte do cen&#225;rio pol&#237;tico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os banc&#225;rios realizaram 30 dias de paralisa&#231;&#227;o: &#233; a maior greve da categoria des-de 1992, estendendo-se por 24 capitais e diversas cidades do interior, mobilizando cerca de 200 mil ativistas. Nessa greve observamos a generaliza&#231;&#227;o, em apenas uma categoria, mas em todo o pa&#237;s, dos elementos avan&#231;ados de radicaliza&#231;&#227;o que at&#233; ent&#227;o v&#237;nhamos observando em setores mais reduzidos da vanguarda, como por exemplo entre os funcion&#225;rios da USP e da UERJ, com o m&#233;todo de piquetes e de en-frentamento com a pol&#237;cia sendo largamente utilizado para impedir o funcionamento das ag&#234;ncias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde o in&#237;cio essa greve foi marcada pelo desenvolvimento de um forte sen-timento antiburocr&#225;tico, com as bases passando por cima de suas dire&#231;&#245;es que ha-viam fechado um acordo com a patronal. Nas assembl&#233;ias da cidade de S&#227;o Paulo, que nas primeiras semanas da greve reuniam diariamente cerca de 2,5 mil trabalhadores, destacou-se o freq&#252;ente rep&#250;dio contra a burocracia cutista da CNB por parte da maioria dos jovens ativistas que compunham o movimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela primeira vez depois de eleito Presidente, Lula foi obrigado a defender o ata-que e a repress&#227;o a um movimento grevista atrav&#233;s do n&#227;o pagamento dos dias pa-rados, se enfrentando diretamente com uma das principais bases sociais hist&#243;ricas do PT. Com esse ataque Lula pretende dar um exemplo &#225;s demais categorias em luta no pa&#237;s, alertando que ir&#225; responder com repress&#227;o a poss&#237;veis radicaliza&#231;&#245;es.42&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Crescente radicaliza&#231;&#227;o e politiza&#231;&#227;o no movimento estudantil&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo de 2004, o movimento estudantil universit&#225;rio tem protagonizado mo-biliza&#231;&#245;es em diversas regi&#245;es do pa&#237;s contra o sucateamento e a privatiza&#231;&#227;o do en-sino superior e em apoio &#225;s reivindica&#231;&#245;es dos funcion&#225;rios e professores das uni-versidades. Estas mobiliza&#231;&#245;es t&#234;m mostrado um enorme potencial de politiza&#231;&#227;o em fun&#231;&#227;o do ataque concentrado que o governo quer aplicar com a reforma universit&#225;ria. Dentre estes processos, destacam-se, em S&#227;o Paulo, a greve dos estudantes das Fatecs e da Unesp, e as a&#231;&#245;es dos estudantes da PUC, que ocupa&#231;&#227;o da reitoria no in&#237;cio do ano e no dia 11 de novembro se enfrentaram com uma brutal repress&#227;o da pol&#237;cia num ato realizado contra a reforma universit&#225;ria. Al&#233;m dos processos que se desenvolveram em outros estados, principalmente no nordeste, onde se destacou a greve da Uni-versidade Federal da Para&#237;ba, as mobiliza&#231;&#245;es t&#234;m vindo acompanhadas de importantes fen&#244;menos antiburocr&#225;ticos, em que as correntes governistas s&#227;o expulsas do mo-vimento pelos novos ativistas que surgem e tomam o controle da luta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ap&#243;s a &#8220;revolta do buz&#250;&#8221;, neste ano os secundaristas continuaram realizando importantes mobiliza&#231;&#245;es em distintos estados contra os absurdos aumentos das tarifas de &#244;nibus, e pela meia-passagem ou pelo passe livre para estudantes e desem-pregados, sendo que em algumas cidades chegaram a abarcar em suas mobiliza&#231;&#245;es estudantes universit&#225;rios e setores da classe trabalhadora e da popula&#231;&#227;o oprimida. Em Florian&#243;polis, cerca de cinco mil secundaristas tomaram as principais ruas da cidade durante uma semana - aqui tamb&#233;m ganhando o apoio de amplos setores da popula&#231;&#227;o - e conseguiram fazer a prefeitura retroceder no aumento da tarifa de &#244;ni-bus. Novamente, as manifesta&#231;&#245;es, inicialmente convocadas por grupos de jovens, logo passaram ser auto-organizadas nas ruas, com os estudantes se concentrando nos principais terminais de &#244;nibus e nos locais centrais da cidade. Em Fortaleza, mais de 2 mil estudantes, entre secundaristas e universit&#225;rias, aliados ao sindicato dos trocadores de &#244;nibus, t&#234;m se mobilizado nos &#250;ltimos dois meses contra a imple-menta&#231;&#227;o da catraca eletr&#244;nica e a conseq&#252;ente amea&#231;a de demiss&#227;o dos trocadores e limita&#231;&#227;o da meia passagem. Tanto em Salvador como em Fortaleza e Florian&#243;polis, t&#234;m-se dado violentos enfrentamentos da juventude com a pol&#237;cia, nos quais os es-tudantes n&#227;o t&#234;m tido uma postura passiva. Pelo contr&#225;rio, v&#225;rios carros de pol&#237;cia foram incendiados e os policiais, volta e meia, s&#227;o recebidos com pedras e roj&#245;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Novembro &#8220;vermelho&#8221;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da dire&#231;&#227;o nacional do MST vir se esfor&#231;ando para evitar as ocupa&#231;&#245;es e garantir uma tr&#233;gua, tem se tornado cada vez mais dif&#237;cil convencer os sem-terras a continuar esperando na beira das estradas em condi&#231;&#245;es de mis&#233;ria. Isso se expressa nos n&#250;meros recordes de ocupa&#231;&#245;es realizadas nos primeiros meses de 2004, e tamb&#233;m se expressa na nova onda de ocupa&#231;&#245;es que se desenvolve em v&#225;rios estados do pa&#237;s logo ap&#243;s as elei&#231;&#245;es de outubro - definida pela imprensa como o &#8220;novembro vermelho&#8221;:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No Rio Grande do Sul, foram tomadas terras do Minist&#233;rio da Agricultura, nas quais &#233; mantido um rebanho de 750 cabe&#231;as de gado e funciona um la-borat&#243;rio voltado para a investiga&#231;&#227;o de doen&#231;as bovinas. Invas&#245;es tamb&#233;m ocorreram em Goi&#225;s, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Par&#225;. (...) A nova onda de afronta &#224; lei ocorre em meio &#227; completa desmoraliza&#231;&#227;o do que seria a &#8220;reforma agr&#225;ria do s&#233;culo 21&#8221;, anunciada pelo presidente Luiz In&#225;cio Lula da Silva no in&#237;cio do mandato. At&#233; aqui, nada se viu quanto a isso.43&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sair&#227;o os banc&#225;rios desmoralizados de sua greve ou poder&#225; acontecer nessa categoria como entre os servidores p&#250;blicos, em que mesmo o atendimento apenas parcial das reivindica&#231;&#245;es, ou at&#233; mesmo a derrota, n&#227;o conseguiu impedir uma eleva&#231;&#227;o do n&#237;vel de politiza&#231;&#227;o e de organiza&#231;&#227;o dos trabalhadores? Que conclus&#245;es os demais setores da classe trabalhadora tirar&#227;o desse processo? As sucessivas der-rotas totais ou parciais que os servidores p&#250;blicos t&#234;m sofrido em suas mobiliza&#231;&#245;es resultar&#227;o na desmoraliza&#231;&#227;o da categoria ou ser&#227;o a base para que o movimento tire conclus&#245;es que lhes permitam protagonizar enfrentamentos superiores no pr&#243;ximo per&#237;odo, seja na luta contra as reformas do governo ou em futuras campanhas salariais? Travar&#225; o movimento estudantil enfrentamentos superiores? Protagonizar&#227;o os sem-terras uma nova onda de ocupa&#231;&#245;es com elementos incipientes de guerra civil no campo? Constituir&#225; a resist&#234;ncia &#227; implementa&#231;&#227;o das reformas sindical, trabalhista e universit&#225;ria um ponto de inflex&#227;o nesse processo? As respostas para essas per-guntas ser&#227;o fundamentais para definir os ritmos da luta de classes no pr&#243;ximo pe-r&#237;odo.&lt;/p&gt;
&lt;strong&gt;
&lt;h2 class=&#034;spip&#034;&gt;CAP&#205;TULO V&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Reforma ou revolu&#231;&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As profundas contradi&#231;&#245;es econ&#244;micas e pol&#237;ticas que percorrem o pa&#237;s e os processos da luta de classes que t&#234;m se desenvolvido sob o governo Lula at&#233; o presente momento apontam para novos enfrentamentos superiores entre o movimento de massas e o governo Lula no pr&#243;ximo per&#237;odo. No entanto, apesar do resultado eleitoral do segundo turno notavelmente obscurecer as vit&#243;rias que o PT obteve no primeiro turno, &#233; unilateral afirmar que o governo e o PT sofreram uma forte derrota, o que ainda est&#225; por se definir a partir da nova correla&#231;&#227;o de for&#231;as que emergir&#225; das elei&#231;&#245;es tanto no &#226;mbito da luta de classes como no &#226;mbito do regime.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; nesse marco que se insere a recente ofensiva direitista por parte do governo federal e dos governos estaduais, principalmente os governados pelo PSDB que saiu fortalecido nas recentes elei&#231;&#245;es. Al&#233;m da vergonhosa medida de Lula que demitiu o Ministro da Defesa para defender os generais assassinos e torturadores da ditadura, o governo amea&#231;a cortar a anistia dos torturados e assassinados. Violentos ataques repressivos e medidas de criminaliza&#231;&#227;o t&#234;m sido descarregadas contra os trabalhadores, os sem-terras e os sem-teto e o movimento estudantil, como ocorreu na repress&#227;o aos estudantes da PUC-SP que foi difundida pelos principais ve&#237;culos de comunica&#231;&#227;o do pa&#237;s. Essa ofensiva direitista demonstra de forma mais evidente que se as classes oprimidas n&#227;o se unificam em torno de um programa capaz de se enfrentar com o governo, &#233; a burguesia que termina se unificando para massacrar e perseguir os movimentos sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a greve dos banc&#225;rios (ou at&#233; mesmo a greve dos servidores p&#250;blicos federais e a greve dos judici&#225;rios) tivesse sido vitoriosa, certamente a correla&#231;&#227;o de for&#231;as teria sido alterada a favor da classe trabalhadora. No entanto, a greve dos banc&#225;rios obteve uma vit&#243;ria econ&#244;mica parcial com sabor de empate, pois apesar dos banc&#225;rios n&#227;o terem sido punidos como foram os judici&#225;rios, e apesar de terem recebido um reajuste salarial, o acordo que foi negociado ao final conteve os mesmos termos da primeira proposta apresentada pela burocracia e recha&#231;ada pela categoria. A greve dos judici&#225;rios foi uma vit&#243;ria econ&#244;mica parcial com sabor de derrota, j&#225; que al&#233;m de ter obtido um reajuste de 14% (era reivindicado 39,19%), a categoria est&#225; sendo fortemente reprimida e perseguida ap&#243;s o fim da greve. E a greve dos servidores p&#250;blicos federais foi uma derrota inclusive econ&#244;mica, pois nem mesmo o acordo esp&#250;rio que a burocracia fechou com o governo foi cumprido at&#233; agora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que chama a aten&#231;&#227;o &#233; que, apesar de n&#227;o ter se destacado uma dire&#231;&#227;o revo-lucion&#225;ria que pudesse coordenar, generalizar e radicalizar as lutas em curso de modo a garantir importantes vit&#243;rias e construir uma refer&#234;ncia para os milh&#245;es de trabalhadores que se desiludem com o governo Lula e o PT, a maioria desses processos t&#234;m tido em comum o fato de que os grevistas n&#227;o saem desmoralizados, e sim pelo contr&#225;rio saem politizados, com um forte sentimento antiburocr&#225;tico e com uma vanguarda que permanece mobilizada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para definir a din&#226;mica da correla&#231;&#227;o de for&#231;as nos pr&#243;ximos meses, cumprir&#225; um papel fundamental a capacidade do governo de disciplinar sua base aliada, principalmente o PMDB, e a capacidade da burocracia cutista de continuar amor-tecendo a luta de classes. Se o ciclo curto de recupera&#231;&#227;o da economia se estender ao longo de 2005, ser&#227;o maiores as chances do governo de manter a relativa esta-biliza&#231;&#227;o, a n&#227;o ser que as mobiliza&#231;&#245;es por reivindica&#231;&#245;es econ&#244;micas atinjam um patamar superior. Se esse ciclo come&#231;a a refluir j&#225; nos pr&#243;ximos meses, ser&#225; mais dif&#237;cil para Lula administrar as profundas contradi&#231;&#245;es que em todo momento batem &#227; sua porta. Para a defini&#231;&#227;o da correla&#231;&#227;o de for&#231;as que emerge do resultado eleitoral, ser&#225; fundamental o desdobramento dos confrontos que se dar&#227;o na implementa&#231;&#227;o das reformas universit&#225;ria, trabalhista e sindical - que tornar&#227;o mais evidentes a rela&#231;&#227;o do governo com o movimento de massas e sua vanguarda - assim como a ca-pacidade do governo de &#8220;assimilar&#8221; os confrontos com as distintas fra&#231;&#245;es da bur-guesia, que j&#225; surgem como subproduto da nova onda de ajustes fiscais e mone-t&#225;rios em curso e das negocia&#231;&#245;es em torno aos novos arranjos e alian&#231;as que ir&#227;o compor a disputa eleitoral de 2006.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A vis&#227;o de intelectuais burgueses como Bol&#237;var Lamounier se aproxima um pouco mais da realidade do que a opini&#227;o da maioria dos intelectuais ditos de &#8220;es-querda&#8221; - quase todos historicamente ligados ao PT -, que distorcem a realidade em suas an&#225;lises e expressam um pessimismo tal que s&#243; &#233; poss&#237;vel entender a partir da compreens&#227;o da necessidade que esses setores t&#234;m de justificarem o papel que cum-priram na constru&#231;&#227;o do PT no passado ou o vergonhoso apoio que ainda d&#227;o a esse partido e ao governo. &#201; essa opera&#231;&#227;o ideol&#243;gica que vemos expressa em reco-nhecidos expoentes da intelectualidade petista, como Emir Sader, que ao se referir aos setores que romperam com o PT em 2003 e buscam formar um novo partido, diz:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As dificuldades n&#227;o s&#227;o pequenas para o novo partido. Em primeiro lugar, a dificuldade de lan&#231;ar o projeto de forma&#231;&#227;o de um novo partido em um momento de refluxo das mobiliza&#231;&#245;es populares e, ao mesmo tempo, de de-s&#226;nimo dos militantes cr&#237;ticos do governo Lula e da orienta&#231;&#227;o predominante no PT, diante da dimens&#227;o da derrota que o fracasso do governo eleito pela esquerda significaria (...) para ser coerentes com suas an&#225;lises [o novo par-tido] t&#234;m que incorporar uma derrota estrat&#233;gica de propor&#231;&#245;es hist&#243;ricas que significaria o fracasso do governo Lula e do PT.44&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de unilateral, a an&#225;lise de Emir Sader n&#227;o est&#225; de todo equivocada: de fato, todas as correntes, dirigentes e intelectuais que hoje rompem com o PT cantaram a elei&#231;&#227;o de Lula em 2002 como uma grande vit&#243;ria da classe trabalhadora, e hoje con-seq&#252;entemente (ou melhor, absurdamente!) caracterizam a derrota do PT nas elei&#231;&#245;es de outubro como uma derrota do povo explorado e oprimido45. Agora, para justificar sua ruptura, eles s&#227;o obrigados a falsificar uma suposta guinada s&#250;bita e abrupta deste partido ao neoliberalismo, mudando sua opini&#227;o &#8220;da noite para o dia&#8221; acerca do papel que cumpre o PT.46 O que tanto os petistas envergonhados como os re-negados t&#234;m dificuldade de enxergar &#233; que a luta de classes vai muito al&#233;m dos diret&#243;rios municipais do PT, dos cargos parlamentares, das diretorias das entidades sindicais e estudantis burocr&#225;ticas e de todos outros tipo de aparatos que existem. N&#227;o conseguem enxergar que a grande contradi&#231;&#227;o que aponta para o fim da ofensiva neoliberal no Brasil &#233; a historicamente in&#233;dita oportunidade de amplos setores do movimento de massas se enfrentarem diretamente com suas principais dire&#231;&#245;es po-l&#237;ticas nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas, as mesmas que foram respons&#225;veis por desarmar o proletariado para resistir &#227; ofensiva neoliberal e por e amortecer a luta de classes des-de o &#250;ltimo ascenso oper&#225;rio e popular na d&#233;cada de 80.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar do derrotismo e do pessimismo dos setores historicamente ligados ao PT que se recusam a empreender o giro neoliberal deste partido, n&#243;s, da Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria, confiamos plenamente na for&#231;a do proletariado brasileiro, e levan-tamos um programa para colocar essa for&#231;a em movimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A CUT e seus sindicatos t&#234;m que romper com o governo e o PT, e lutar por um programa oper&#225;rio independente&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A dire&#231;&#227;o majorit&#225;ria da CUT, ligada &#227; dire&#231;&#227;o do PT, vem se colocando &#227; frente da maioria dos importantes processos de mobiliza&#231;&#227;o que t&#234;m se desenvolvido, con-seguindo conter ou desviar o descontentamento de amplos setores do movimento de massas com suas p&#233;ssimas condi&#231;&#245;es de vida - como temos visto nas campanhas salariais deste ano, especialmente na dos metal&#250;rgicos e dos petroleiros -, e demonstra que essas dire&#231;&#245;es ainda exercem uma enorme influ&#234;ncia sobre a classe trabalhadora. Por outro lado, o fato de que essas dire&#231;&#245;es estejam se colocando &#227; frente dos prin-cipais ataques do governo e da patronal - como na participa&#231;&#227;o da CUT na elabora&#231;&#227;o e na implementa&#231;&#227;o das reformas do governo e na proposta de &#8220;entendimento nacional&#8221; que essa central fez &#227; Fiesp - proporcionam uma oportunidade in&#233;dita para que a classe trabalhadora perceba o papel traidor que cumprem essas dire&#231;&#245;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Importantes setores de vanguarda da classe trabalhadora t&#234;m come&#231;ado a romper com a burocracia cutista e lutar contra a pol&#237;tica do governo Lula. J&#225; fazem parte des-se processo a Federa&#231;&#227;o Metal&#250;rgica Democr&#225;tica de Minas Gerais, que re&#250;ne em sua base cerca de 90 mil oper&#225;rios, o Sindicato Metal&#250;rgico de S&#227;o Jos&#233; dos Campos, que re&#250;ne em sua base cerca de 35 mil oper&#225;rios, alguns dos sindicatos que t&#234;m pro-tagonizado importantes lutas no &#250;ltimo per&#237;odo, como a Andes47 e o Sintusp, e v&#225;rios outros sindicatos que j&#225; se colocam nessa perspectiva ou se encontram em fase de discuss&#227;o nas suas bases.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; necess&#225;rio um P&#243;lo Antiburocr&#225;tico Nacional com um programa de luta e uma forma organizativa capazes de dotar esses setores que come&#231;am a romper com o governo Lula de um instrumento para fortalecer, coordenar e generalizar as lutas em curso, expulsando a burocracia dos sindicatos e passando a dirigir os milh&#245;es de tra-balhadores que ainda est&#227;o sob sua influ&#234;ncia. Atualmente, o principal p&#243;lo aglutinador destes setores &#233; a Conlutas (Coordena&#231;&#227;o Nacional de Lutas), que no dia 16 de ju-nho organizou uma manifesta&#231;&#227;o contra o governo com mais de 15 mil pessoas em Bras&#237;lia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os trabalhadores e sindicatos que rompem com o governo e o PT devem entrar para a Conlutas lutar para transform&#225;-la num verdadeiro p&#243;lo antiburocr&#225;tico nacional, que construa oposi&#231;&#245;es sindicais revolucion&#225;rias dentro de cada sindicato controlado pela CUT para expulsar a burocracia e recuperar o sindicato para coloc&#225;-lo a servi&#231;o dos trabalhadores. Para tal, &#233; necess&#225;rio que a Conlutas levante um programa que responda aos reais interesses da classe trabalhadora e ao mesmo tempo se con-traponha claramente &#227; burocracia cutista e ao governo. Infelizmente, hoje em dia o PSTU &#233; o principal dirigente da Conlutas e a pol&#237;tica que este partido levanta &#233; im-potente para cumprir essa tarefa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Atualmente o eixo central da Conlutas &#233; a luta contra as reformas, e de vez em quando algumas campanhas por &#8220;sal&#225;rio e terra&#8221;. Al&#233;m de que, para responder aos reais anseios da classe trabalhadora, um programa que se restringe &#224; luta contra as reformas &#233; completamente insuficiente, a pr&#243;pria estrat&#233;gia do PSTU em rela&#231;&#227;o &#225;s reformas n&#227;o &#233; capaz de derrot&#225;-las.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PSTU atualmente coloca todo o eixo de sua estrat&#233;gia para derrotar a reforma universit&#225;ria em um mero plebiscito, e contenta-se em fechar acordos com o PSOL e com a esquerda do PT que restringem o plano de lutas a atos, manifesta&#231;&#245;es e deba-tes. Esses aspectos do plano de lutas para derrotar as reformas s&#227;o fundamentais, e todo tipo de id&#233;ias que possam ajudar a conscientizar a classe trabalhadora e a ju-ventude para coloc&#225;-los em movimento devem ser implementadas. No entanto, s&#227;o completamente insuficientes se n&#227;o est&#227;o a servi&#231;o de organizar uma greve geral uni-versit&#225;ria e uma greve geral da classe trabalhadora para derrotar as reformas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m da luta contra as reformas, a Conlutas tem que responder aos principais problemas que atingem a maioria esmagadora da popula&#231;&#227;o do pa&#237;s: o desemprego, a superexplora&#231;&#227;o e o aumento permanente do custo de vida. Historicamente, a bu-rocracia cutista sempre tem respondido a estes problemas negociando migalhas com a patronal. Frente &#225;s amea&#231;as de demiss&#245;es, a burocracia tem se contentado em &#8220;me-lhorar as condi&#231;&#245;es das demiss&#245;es&#8221;, conseguindo a demiss&#227;o de alguns milhares ao inv&#233;s de muitos milhares e conseguindo rescis&#245;es um pouco maiores para que o tra-balhador possa sobreviver alguns meses a mais antes de cair na mis&#233;ria do desem-prego; ou ent&#227;o se contentando em &#8220;trocar demiss&#245;es por bancos de horas&#8221;, con-quistando para o patr&#227;o o fim da jornada fixa de trabalho para que ele possa pagar os sal&#225;rios de acordo com o n&#237;vel da produ&#231;&#227;o sem precisar gastar com contrata&#231;&#245;es e demiss&#245;es a cada ciclo econ&#244;mico de crescimento ou recess&#227;o. Frente aos valores miser&#225;veis dos sal&#225;rios e ao aumento permanente do custo de vida a burocracia se contenta em, quando muito, fazer campanhas salariais uma ou duas vezes por ano; e todo ano pede para o governo um sal&#225;rio m&#237;nimo um pouco menos miser&#225;vel (que este ano n&#227;o precisava ser mais que R$ 300,00!).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Conlutas tem que lutar para que todos tenham trabalho, e para isso s&#243; existe uma estrat&#233;gia: &#233; necess&#225;rio impulsionar permanentemente uma campanha nacional pela divis&#227;o de todas as horas de trabalho existentes entre todas as m&#227;os dispon&#237;veis com um sal&#225;rio capaz de suprir as necessidades b&#225;sicas de uma fam&#237;lia. N&#227;o podemos mais permitir que ocorra nenhuma demiss&#227;o. N&#227;o somos os trabalhadores que geramos a crise e n&#227;o somos n&#243;s que devemos pag&#225;-la. Se a burguesia n&#227;o consegue admi-nistrar suas empresas deve ficar sem elas. Toda empresa que feche ou demita deve ser imediatamente retirada das m&#227;os dos patr&#245;es, colocada para produzir sob controle dos trabalhadores e colocada para abastecer um plano de obras p&#250;blicas para atender &#225;s necessidades da popula&#231;&#227;o e financiado com o dinheiro que Lula usa para pagar a d&#237;vida do Estado aos banqueiros milion&#225;rios e com o aumento progressivo dos im-postos &#225;s fortunas dos capitalistas. N&#227;o podemos permitir que a eleva&#231;&#227;o dos pre&#231;os reduza permanentemente o valor dos sal&#225;rios. A Conlutas tem que lutar para que to-dos os trabalhadores tenham os sal&#225;rios reajustados mensalmente de acordo com o aumento do custo de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se por um lado devemos ser os mais destemidos combatentes pelas necessidades mais elementares da classe trabalhadora, por outro lado, a cada passo devemos com-binar essa tarefa com a luta por reivindica&#231;&#245;es concretas das massas que se enfrentem diretamente com as bases do sistema capitalista e proporcionem experi&#234;ncias que possam elevar seu n&#237;vel de consci&#234;ncia, cumprindo um papel transit&#243;rio. A combina&#231;&#227;o entre as reivindica&#231;&#245;es m&#237;nimas e democr&#225;ticas e as reivindica&#231;&#245;es transit&#243;rias &#233; a arma que nos permite combater a influ&#234;ncia da burocracia sobre as massas, cons-tituindo o programa transicional pelo qual lutamos os revolucion&#225;rios. Se em seus discursos e em seus jornais o PSTU fala da revolu&#231;&#227;o, na luta de classes concreta se nega a lutar por reivindica&#231;&#245;es que de fato possam elevar o n&#237;vel de consci&#234;ncia po-l&#237;tica da classe trabalhadora, capitulando ao programa m&#237;nimo dos reformistas que se contentam em negociar migalhas com a patronal para enganar a classe trabalhadora. &#201; por isso que o programa da Conlutas hoje se reduz &#224; luta contra as reformas do go-verno. &#201; por isso, tamb&#233;m, que em cada greve o PSTU se contenta em reivindicar melhores sal&#225;rios e melhores condi&#231;&#245;es de trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;S&#243; levando um programa oper&#225;rio e independente como este a cada f&#225;brica diri-gida e controlada pela burocracia cutista a Conlutas ir&#225; se transformar em um p&#243;lo an-tiburocr&#225;tico nacional capaz de se constituir como alternativa de dire&#231;&#227;o para o mo-vimento de massas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m de n&#227;o levantar um programa transicional, o PSTU atualmente chama os sindicatos combativos a se desfiliarem da CUT e a constru&#237;rem uma nova central sin-dical. A pol&#237;tica de Trotsky em rela&#231;&#227;o ao giro ultra-esquerdista da Terceira Internacional na d&#233;cada de 30 tem que servir para que o PSTU abandone essa pol&#237;tica de romper com a CUT com uma minoria de sindicatos &#8220;vermelhos&#8221;:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O capitalismo s&#243; pode continuar mantendo-se se diminui o n&#237;vel de vida da classe oper&#225;ria. Nestas condi&#231;&#245;es, os sindicatos podem transformar-se em organiza&#231;&#245;es revolucion&#225;rias ou em correias de transmiss&#227;o do capital que intensifica a explora&#231;&#227;o dos trabalhadores. A burocracia sindical, que resol-veu satisfatoriamente seu pr&#243;prio problema social, tomou o segundo cami-nho. Toda a autoridade da qual gozavam os sindicatos se voltou contra a revolu&#231;&#227;o socialista e inclusive contra qualquer tentativa dos trabalhadores de resistir aos ataques do capital e da rea&#231;&#227;o. (...) Desde esse momento, a tarefa mais importante do partido revolucion&#225;rio passou a ser liberar os tra-balhadores da reacion&#225;ria influ&#234;ncia da burocracia sindical. (...) Nestas condi&#231;&#245;es, surge facilmente a id&#233;ia de se n&#227;o &#233; poss&#237;vel superar os sindi-catos. N&#227;o poderiam ser substitu&#237;dos por algum tipo de organiza&#231;&#227;o nova, n&#227;o corrompida, como os sindicatos revolucion&#225;rios, os comit&#234;s de f&#225;brica, os soviets e outras similares? O erro fundamental destas tentativas &#233; que reduzem a experimentos organizativos o grande problema pol&#237;tico de como liberar as massas da influ&#234;ncia da burocracia sindical. N&#227;o &#233; suficiente ofe-recer &#225;s massas uma nova dire&#231;&#227;o, h&#225; que buscar as massas onde elas es-t&#227;o para dirigi-las. Os esquerdistas impacientes dizem &#225;s vezes que &#233; impos-s&#237;vel ganhar os sindicatos porque a burocracia utiliza o regime interno destas organiza&#231;&#245;es para salvaguardar seus pr&#243;prios interesses, recorrendo &#225;s mais baixas maquina&#231;&#245;es, repress&#245;es e intrigas, ao estilo da oligarquia par-lamentaria da era dos &#8216;munic&#237;pios podres'. Por qu&#234; ent&#227;o perder tempo e energias? Na realidade, este argumento se reduz a abandonar a luta real para ganhar as massas, utilizando como pretexto a corrup&#231;&#227;o da burocracia sindical. Ainda assim pode ser mais desenvolvido: por qu&#234; n&#227;o abandonar todo o trabalho revolucion&#225;rio diante das repress&#245;es e provoca&#231;&#245;es da bu-rocracia governamental? N&#227;o existe nenhuma diferen&#231;a de princ&#237;pios, j&#225; que a burocracia sindical tem se convertido definitivamente em parte do aparato econ&#244;mico e estatal capitalista. &#201; absurdo crer que se poderia tra-balhar contra a burocracia sindical contando com sua ajuda ou sequer com seu consentimento.48&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A CUT, por mais burocr&#225;tica, traidora e governista que seja sua dire&#231;&#227;o, ainda re&#250;ne em sua base 3.315 de sindicatos, 7,4 milh&#245;es de filiados e 22 milh&#245;es de tra-balhadores representados49. At&#233; hoje, das centenas de sindicatos que o PSTU dirige ou influencia, apenas 23 romperam com a CUT. Segundo as palavras de Z&#233; Maria, presidente nacional do PSTU, na melhor das hip&#243;teses, at&#233; janeiro seriam 100 sin-dicatos que romperiam, totalizando 600 mil trabalhadores representados. A pol&#237;tica do PSTU de chamar os sindicatos e trabalhadores que come&#231;am a romper com o go-verno a se desfiliarem da CUT e constru&#237;rem uma nova central sindical com uma mi-noria de &#8220;sindicatos vermelhos&#8221; n&#227;o pode ser um obst&#225;culo para a unidade dos que lutam contra o governo e nem tampouco para a luta pela constru&#231;&#227;o de oposi&#231;&#245;es sindicais revolucion&#225;rias dentro dos sindicatos controlados pela CUT para expulsar a burocracia, pois a conseq&#252;&#234;ncia disso &#233; o crime oportunista de deixar a maioria da classe trabalhadora nas m&#227;os dos traidores.50&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Conlutas s&#243; conseguir&#225; destruir a burocracia cutista se combater a tradi&#231;&#227;o que o PT incrustou no movimento oper&#225;rio, na qual as decis&#245;es mais importantes s&#227;o tomadas por uma minoria de sindicalistas por fora do envolvimento real da maio-ria dos trabalhadores, onde os sindicatos s&#227;o verdadeiras &#8220;cascas vazias&#8221; comple-tamente isoladas de suas bases. O PSTU chama os trabalhadores a se desfiliarem da CUT a partir de um encontro sindical com 90 delegados e 23 observadores re-presentando um total de mais de 90 mil trabalhadores51. Como &#233; poss&#237;vel que uma decis&#227;o t&#227;o importante seja tomada por um n&#250;mero t&#227;o reduzido de dirigentes sindicais? Os demais sindicatos devem seguir o exemplo do Sintusp, onde os tra-balhadores que foram a vanguarda da greve votaram em assembl&#233;ia dez delegados com um programa definido e com mandatos revog&#225;veis para represent&#225;-los na Conlutas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A classe trabalhadora precisa que a CUT e seus sindicatos rompam com o PT e impulsionem um partido oper&#225;rio independente controlado pelos sindicatos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas recentes elei&#231;&#245;es municipais, uma enorme dist&#226;ncia quanto ao peso eleitoral separou, por um lado, o PSDB e o PT - com os demais partidos burgueses que orbi-tam em torno destes - e por outro lado o PSTU e o PCO. O PSTU e o PCO juntos rece-beram 0,24% dos votos v&#225;lidos. Isso mostra que esses partidos s&#227;o praticamente insignificantes frente &#225;s dezenas de milhares de trabalhadores de vanguarda que j&#225; come&#231;aram a romper com o governo Lula e com o PT, e mais ainda frente &#225;s dezenas de milh&#245;es que tendem a faz&#234;-lo no marco dos pr&#243;ximos ataques que vir&#227;o.52&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O espa&#231;o que vai da centro-esquerda &#227; extrema-esquerda tenta ser ocupado por projetos de concilia&#231;&#227;o de classes, como o do PSOL, mas suas for&#231;as est&#227;o longe de conseguir isso. Mesmo que o PSTU, o PSOL, o PCO e todos aqueles que se reivin-dicam revolucion&#225;rios se juntassem num partido comum, essa uni&#227;o n&#227;o conseguiria reunir mais do que alguns milhares e estaria longe de ocupar esse espa&#231;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse brutal espa&#231;o vazio s&#243; poder&#225; ser preenchido no pr&#243;ximo per&#237;odo se, ex-pulsando a burocracia cutista, lutarmos para que a CUT e seus sindicatos rompam com o governo Lula e o PT e chamem a constru&#231;&#227;o de um partido oper&#225;rio inde-pendente dirigido pelos trabalhadores a partir dos seus sindicatos, que canalize todo o processo de desilus&#227;o com o governo Lula e o PT e ganhe influ&#234;ncia em amplos se-tores do movimento de massas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao n&#227;o lutarem por essa pol&#237;tica, o PSTU, o PSOL e o PCO continuam se ne-gando a lutar pelas tarefas que demandam as condi&#231;&#245;es objetivas do pa&#237;s. Mostram seu car&#225;ter sect&#225;rio e oportunista ao mesmo tempo em que se limitam apenas a en-gordar seus pr&#243;prios aparatos, deixando de lutar para que os trabalhadores avancem na sua experi&#234;ncia com o governo Lula e o PT pela inexist&#234;ncia de um partido oper&#225;rio independente com influ&#234;ncia de massas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;S&#243; com uma ferramenta pol&#237;tica como essa, que &#233; completamente diferente do PT, que nunca foi independente e nem dirigido pelos trabalhadores a partir dos sin-dicatos, os trabalhadores poder&#227;o organizar uma luta efetiva contra as reformas neoliberais do governo Lula e por um programa oper&#225;rio de sa&#237;da para a crise que tenha como um dos seus principais eixos a luta por um governo da classe oper&#225;ria, aliada ao conjunto do povo explorado e oprimido, cujo poder emane das assembl&#233;ias de milh&#245;es de trabalhadores concentrados nos grandes centros industriais e de ser-vi&#231;os do pa&#237;s. Um governo oposto pelo v&#233;rtice n&#227;o s&#243; aos governos burgueses co-mo o de Lula e do PT, mas tamb&#233;m aos regimes stalinistas baseados em um &#250;nico partido burocr&#225;tico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A luta pela constru&#231;&#227;o de um partido oper&#225;rio independente dirigido pelos tra-balhadores e seus sindicatos, sem a burocracia, hoje deve dar ensejo a um debate na vanguarda da classe trabalhadora e da juventude (especialmente entre as correntes que se reivindicam revolucion&#225;rias, como o PSTU, o PCO, nossa Liga Estrat&#233;gia Re-volucion&#225;ria e outros que se encontram dentro do PSOL), sobre a estrat&#233;gia, o pro-grama e as t&#225;ticas centrais que devem nortear a constru&#231;&#227;o de um partido revolucion&#225;rio com influ&#234;ncia de massas no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;hr class=&#034;spip&#034; /&gt;
&lt;p&gt;NOTAS&lt;br class='autobr' /&gt;
1 Em fun&#231;&#227;o da recente publica&#231;&#227;o de fotos que supostamente mostrariam o jornalista assas-sinado pela ditadura militar Vladimir Herzog sendo torturado, o ex&#233;rcito soltou uma declara&#231;&#227;o p&#250;blica justificando as atrocidades cometidas pela ditadura em nome da amea&#231;a do &#8220;Movimento Comunista Internacional&#8221;. Mesmo depois que o Ministro da Defesa Jos&#233; Viegas exigiu que o comandante do ex&#233;rcito fosse demitido em fun&#231;&#227;o dessa declara&#231;&#227;o, Lula teve o descaramento de defender a postura do ex&#233;rcito contra Viegas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;2 Luis Carlos Bresser Pereira. Folha de S&#227;o Paulo. 22/08/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;3 Celso Furtado. Ra&#237;zes do subdesenvolvimento. Editora Civiliza&#231;&#227;o Brasileira. 2003. p. 113.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;4 Em 1984, no dia da vota&#231;&#227;o da Emenda Dante de Oliveira que estabelecia a implementa&#231;&#227;o de elei&#231;&#245;es diretas para a Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica, o PT levanta a greve geral que a CUT ha-via convocado e a Emenda &#233; derrotada, assentando as bases para a elei&#231;&#227;o da chapa Tancredo-Sarney por mais 5 anos pela via indireta do reacion&#225;rio Congresso oriundo da ditadura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;5 O governo Lula traz consigo o maior n&#250;mero de mortes de sem-terras j&#225; contabilizado at&#233; ho-je num mesmo ano em fun&#231;&#227;o de conflitos no campo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;6 Flakepet (Itapevi-SP); Interfibra (Joinville-SC), CIPLA (Joinvile-SC); Flask&#244; (Sumar&#233;-SP); J.B. Costa (Recife-PE) e Diamantina (Curitiba-PR).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;7 Nos orgulhamos de fazer parte da mesma corrente pol&#237;tica internacional que o PTS na Argentina, que, em frente &#250;nica com os trabalhadores e o sindicato de ceramistas de Neuqu&#233;n, n&#227;o s&#243; tem transformado Zanon numa refer&#234;ncia de luta para a classe trabalhadora como tem impulsionado um jornal de milhares de exemplares espalhados por todo o pa&#237;s com o objetivo de assentar as bases para um amplo movimento pol&#237;tico, classista, em ruptura com o peronismo, que forje uma nova tradi&#231;&#227;o de esquerda no movimento oper&#225;rio argentino. Infelizmente, tanto o PSTU quanto as correntes pol&#237;ticas que hoje se encontram no PSOL, nada fizeram para que esse fen&#244;meno de f&#225;bricas que s&#227;o ocupadas no Brasil se transformasse num exemplo para os trabalhadores que cada dia mais caem na mis&#233;ria do desemprego. Colocamos todas as nossas pequenas for&#231;as pa-ra fazer vitoriosa a luta dos trabalhadores da Flakepet em S&#227;o Paulo, combatendo a dire&#231;&#227;o da corrente O Trabalho e lutando contra a pol&#237;tica do PSTU que era a dire&#231;&#227;o sindical do conflito e capitulava &#227; pol&#237;tica conciliadora dos lambertistas. Apesar de que a ocupa&#231;&#227;o da Flakepet te-nha sido derrotada, temos orgulho de que as dezenas de estudantes que levamos para apoiar os trabalhadores nos dias mais dif&#237;ceis de sua luta tenham lhes dado for&#231;a para enfrentar n&#227;o s&#243; a patronal mas tamb&#233;m os burocratas ligados ao PT e ao governo. Ver artigos nos jornais Palavra Oper&#225;ria n&#176; 8 e 9, no site &lt;a href=&#034;http://www.erqi.org&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.erqi.org&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;8 Uma onda de ocupa&#231;&#245;es urbanas protagonizadas pelos sem-tetos percorreu diversas regi&#245;es do pa&#237;s, sendo que algumas delas chegaram a ganhar proje&#231;&#227;o nacional, como foi a ocupa&#231;&#227;o do terreno da Volkswagen no ABC paulista que reuniu mais de 4 mil fam&#237;lias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;9 &#8220;Em 2003, as exporta&#231;&#245;es brasileiras cresceram 21%, com aumentos de 33% para a &#193;sia, 80% para a China, 29% para a Europa oriental e 50% para a &#193;frica do Sul e outros mercados novos. Em contraste, para os Estados Unidos, as vendas s&#243; aumentaram 8,8%. Nos cinco primeiros meses deste ano, agravou-se a disparidade, j&#225; que as exporta&#231;&#245;es em geral se aceleraram a 25%, enquanto para o mercado norte-americano elas se arrastaram com um raqu&#237;tico &#8220;crescimento&#8221; de 1,2%&#8221;. Folha de s&#227;o Paulo. 22/08/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;10 &#8220;O pacote tribut&#225;rio anunciado ontem surtiu o efeito desejado sobre a ind&#250;stria. As medidas chegaram a ser classificadas como um &#8216;marco' no relacionamento entre a ind&#250;stria e o go-verno.&#8221; Folha de S&#227;o Paulo. 7/08/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;11 As dire&#231;&#245;es majorit&#225;rias da CUT, do MST, da UNE, da CMP etc., todas hoje articuladas na Coordena&#231;&#227;o dos Movimentos Sociais (CMS), chamam o povo que sofre com os ataques de Lula a pressionar o governo por medidas favor&#225;veis &#227; classe trabalhadora e ao conjunto da popula&#231;&#227;o oprimida. Ap&#243;iam-se na origem prolet&#225;ria de Lula e do PT para defender que o governo sofre supostas &#8220;press&#245;es&#8221; por parte do imperialismo e da burguesia, e para chamar os trabalhadores a &#8220;pressionar pela esquerda&#8221;. Difundem a falsa id&#233;ia de que lutar contra o governo seria &#8220;fazer o jogo da direita&#8221;. Fazem coro com Lula dizendo que o governo &#233; o que &#233; por causa das &#8220;heran&#231;a malditas&#8221; que recebeu de FHC. Em seu lema principal, se colocam a tarefa de &#8220;Organizar a Esperan&#231;a&#8221;. No fundo, d&#227;o todos os motivos para que o povo aceite os pedidos de Lula por paci&#234;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;12 No dia 3 de outubro o PT recebeu 16,3 milh&#245;es de votos (17,17% dos votos v&#225;lidos). Na com-para&#231;&#227;o com 2000, isso significa um aumento de 37% (eram 11,9 milh&#245;es em 2000), saltando da quarta para a primeira coloca&#231;&#227;o. Em rela&#231;&#227;o ao total de prefeituras conquistadas, o PT deu um salto de 187 prefeitos para 411. E em rela&#231;&#227;o ao numero de capitais governadas, cresceu de seis para nove. Em rela&#231;&#227;o ao percentual de prefeitos reeleitos, o PT obteve 44%, enquanto o PFL e o PMDB obtiveram 32,4% e o PSDB 31,1%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;13 Segundo o Seade-Dieese, nas principais regi&#245;es metropolitanas, em setembro de 2004, o de-semprego estava em 10,9%, enquanto em dezembro de 2002 o mesmo indicador registrava 10,5%. O rendimento m&#233;dio real trimestral na grande S&#227;o Paulo, em agosto de 2004, registrava 53,1 (tomando-se a base 100), sendo que em agosto de 2002 o mesmo &#237;ndice registrava 55,3. A renda m&#233;dia nas seis principais regi&#245;es metropolitanas do pa&#237;s, j&#225; descontada a infla&#231;&#227;o, era de R$ 990,91 em dezembro de 2002 e de R$ 910,10 em setembro de 2004. &#8220; (...) &#233; for&#231;oso constatar que at&#233; aqui os resultados n&#227;o conseguiram se transferir das estat&#237;sticas do agroneg&#243;cio e das exporta&#231;&#245;es para o bolso da popula&#231;&#227;o. (...) O tempo tamb&#233;m conspira contra as chances de que surjam efeitos dignos de nota justamente na &#225;rea - a social - em que se esperava melhor desempenho do PT. J&#225; se v&#227;o praticamente dois anos de governo e nada que fa&#231;a diferen&#231;a foi apresentado. (...) Parece correto dizer que as urnas, ao menos em grandes centros, como S&#227;o Pau-lo, refletiram essa avalia&#231;&#227;o&#8221;. Folha de S&#227;o Paulo. 7/11/2004. Segundo Tarso Genro, ministro da educa&#231;&#227;o do governo Lula, &#8220;Houve um evidente deslocamento de setores m&#233;dios da sociedade - que neste momento n&#227;o se consideraram inclu&#237;dos no nosso projeto -, que foram para um campo disperso, de car&#225;ter aparentemente centrista, no qual se reproduz ou um forte ceticismo pol&#237;tico ou um &#8220;antipetismo&#8221; extremado&#8221;. Folha de S&#227;o Paulo. 5/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;14 &#8220;Quem ganhou e quem perdeu as elei&#231;&#245;es municipais?&#8221;, Emir Sader. Site &lt;a href=&#034;http://www.outrobrasil.net&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.outrobrasil.net&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;15 Declara&#231;&#227;o de Geno&#237;no no dia 31/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;16 Folha de S&#227;o Paulo. 5/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;17 Financial Times. 1/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;18 No dia 3, o PSDB recebeu 16,3 milh&#245;es de votos (16,53% dos votos v&#225;lidos), crescendo 16% em rela&#231;&#227;o a 2000 (13,5 milh&#245;es). At&#233; essas elei&#231;&#245;es, o PSDB, que n&#227;o governava nenhuma cidade com mais de 1 milh&#227;o de habitantes, passa a governar 13. Em rela&#231;&#227;o as capitais, contabilizando um total de cinco - segundo lugar no ranking dos partidos - o PSDB estar&#225; &#227; frente de uma popula&#231;&#227;o total de mais de 13,9 milh&#245;es de pessoas, enquanto os petistas ter&#227;o sob o seu co-mando capitais com um total de 7,9 milh&#245;es de habitantes. Considerando o n&#250;mero total de eleitores no pa&#237;s, os tucanos tamb&#233;m t&#234;m vantagem consider&#225;vel: 24 milh&#245;es de eleitores ser&#227;o governados pelo PSDB, enquanto o PT comandar&#225; 17 milh&#245;es de eleitores. Se o crit&#233;rio for o or&#231;amento, os petistas cuidar&#227;o, nas capitais, de R$ 5,287 bilh&#245;es, contra R$ 12,259 bilh&#245;es das cidades tucanas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;19 Declara&#231;&#227;o de Juarez Guimar&#227;es, da Secretaria Nacional de Forma&#231;&#227;o Pol&#237;tica do PT, para a Folha de S&#227;o Paulo no dia 7/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;20 O PMDB obteve 14,23 milh&#245;es de votos no primeiro turno (14,96% do total de votos v&#225;lidos) contra 13,26 milh&#245;es em 2000, representando um crescimento de 7,34%. O PFL caiu de 13 mi-lh&#245;es de votos em 2000 para 11,25 milh&#245;es em 2004 (-13,25%).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;21 Site Primeira Leitura. 1&#176;/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;22 Site Primeira Leitura. 6/10/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;23 Revista Primeira Leitura. Outubro de 2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;24 &#8220;O crescimento da demanda por insumos, como agroqu&#237;micos e m&#225;quinas, elevou seus pre&#231;os numa faixa de 30 a 100% desde 2003. O avan&#231;o da praga da ferrugem asi&#225;tica sobre as la-vouras de soja contribuiu para o maior consumo de fungicidas. No mesmo per&#237;odo, sa&#237;ram as previs&#245;es de safras recordes de soja e milho nos Estados Unidos e na Argentina. As cota&#231;&#245;es ca&#237;ram para perto de 10 d&#243;lares por saca de soja, bem abaixo dos 14 d&#243;lares obtidos neste ano.&#8221; Revista Exame. 10/04/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;25 &#8220;O achatamento salarial &#233; um fen&#244;meno que se verifica desde 1995, quando o Caged passou a divulgar dados para o per&#237;odo de janeiro a junho. Na m&#233;dia de todos os setores, a redu&#231;&#227;o sa-larial foi de 14% no primeiro semestre deste ano, considerados os valores nominais. Trata-se de um fen&#244;meno exemplificado pela troca de um sal&#225;rio de R$ 100 por outro de R$ 85,96. No ano passado e em 2002, o achatamento foi da mesma ordem - variou entre 14% e 15%.&#8221; Dados ex-tra&#237;dos do jornal Folha de S&#227;o Paulo em 1&#176;/08/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;26 Folha de S&#227;o Paulo. 8 de agosto de 2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;27 Na pr&#225;tica o super&#225;vit realizado pelo governo nos &#250;ltimos 12 meses de fato tem superado a me-ta de 4,25%. Nos &#250;ltimos 12 meses at&#233; julho, o super&#225;vit prim&#225;rio acumulado &#233; de 4,65% do PIB. No primeiro semestre do ano, o super&#225;vit foi de 5,59% do PIB.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;28 Folha de S&#227;o Paulo. 13/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;29 &#8220;Segundo Calheiros, hoje h&#225; tr&#234;s correntes dentro do PMDB. A primeira, encabe&#231;ada pelos go-vernadores, que quer deixar a base do governo federal. A segunda, endossada por v&#225;rios parla-mentares, quer que o partido continue dando sustentabilidade ao governo Lula, mas com inde-pend&#234;ncia. A terceira defende que o partido continue no governo e at&#233; mesmo venha a apoiar a reelei&#231;&#227;o do presidente Lula &#227; Presid&#234;ncia em 2006&#8221;. Folha Online. 5/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;30 Folha Online. 5/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;31 Declara&#231;&#227;o de Jos&#233; Carlos Aleluia (BA), l&#237;der do PFL na C&#226;mara, reproduzida da Folha Online no dia 9/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;32 Site Primeira Leitura. 10/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;33 Folha de S&#227;o Paulo. 7/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;34 Folha de S&#227;o Paulo. 13/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;35 Revista Primeira Leitura. Agosto de 2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;36 No primeiro semestre, 79% das categorias conquistaram reajustes salariais superiores &#227; infla&#231;&#227;o em suas campanhas salariais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;37 Folha de S&#227;o Paulo. 5/08/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;38 A reacion&#225;ria estrutura de poder da USP &#233; composta por um Conselho Universit&#225;rio onde a maioria esmagadora da burocracia acad&#234;mica n&#227;o permite o m&#237;nimo espa&#231;o ao n&#250;mero prati-camente insignificante de estudantes e funcion&#225;rios e por um Reitor que &#233; diretamente indicado pelo governador do Estado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;39 N&#243;s, da LER-QI, estamos ligados aos trabalhadores mais explorados da universidade, os que trabalham na manuten&#231;&#227;o do campus e nos restaurantes, que foram os principais protagonistas dos piquetes e os principais impulsionadores das reivindica&#231;&#245;es mais progressivas que foram as-sumidas como bandeiras do movimento. Como estudantes e como funcion&#225;rios da USP, estivemos na linha de frente para forjar uma alian&#231;a entre o movimento estudantil e a greve dos trabalhadores e para garantir a resist&#234;ncia dos piquetes contra a repress&#227;o policial. Nos orgulhamos de ser parte ativa da cria&#231;&#227;o de novas tradi&#231;&#245;es de luta entre os setores mais avan&#231;ados que hoje saem &#224; luta no pa&#237;s. Lutamos por esses m&#233;todos combativos que renegam a tradi&#231;&#227;o conciliadora do PT e imp&#245;em a for&#231;a da classe trabalhadora desde uma perspectiva independente. Desde a LER-QI discutimos hoje junto com os funcion&#225;rios mais combativos da greve da USP o significado que tem essa experi&#234;ncia para o conjunto da classe trabalhadora do pa&#237;s e a necessidade de colocar de p&#233; uma corrente pol&#237;tico-sindical que lute por uma nova tradi&#231;&#227;o classista e antigovernista no movimento oper&#225;rio brasileiro. Uma corrente baseada em sindicatos militantes que n&#227;o se redu-zam a fazer campanhas salariais uma ou duas vezes por ano (quando fazem) e que n&#227;o sejam en-tidades vazias completamente isoladas de suas bases, e sim que sejam repletas de ativistas e que fa&#231;a pol&#237;tica cotidianamente; que lute por reivindica&#231;&#245;es capazes de elevar o n&#237;vel de cons-ci&#234;ncia pol&#237;tica da classe trabalhadora; que lute dentro da CUT para desmascarar a dire&#231;&#227;o go-vernista desta entidade aos olhos dos milh&#245;es de trabalhadores que ainda acreditam nela. In-felizmente, tanto o PSTU quanto o PSOL n&#227;o colocaram praticamente nenhum peso dos seus aparatos partid&#225;rios (sejam os parlamentares do PSOL ou as centenas de sindicatos que o PSTU dirige ou influencia) para que a radicaliza&#231;&#227;o dos funcion&#225;rios da USP se constitu&#237;sse como um embri&#227;o de novas tradi&#231;&#245;es que a classe trabalhadora brasileira precisa para enterrar a nefasta tradi&#231;&#227;o conciliadora e reformista que o PT ao longo de duas d&#233;cadas tratou de difundir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;40 O Globo. 10/10/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;41 Folha de S&#227;o Paulo. 5/08/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;42 Infelizmente, o PSTU, que foi uma das principais dire&#231;&#245;es da greve, colocou mais uma vez em evid&#234;ncia sua completa impot&#234;ncia para impulsionar os fen&#244;menos mais avan&#231;ados da luta de classes e forjar uma nova vanguarda revolucion&#225;ria, contribuindo para o recuo do movimento. Ao inv&#233;s de responder &#227; intransig&#234;ncia da patronal e do governo com a radicaliza&#231;&#227;o do mo-vimento - que desde o in&#237;cio foi mais acentuada no restante do pa&#237;s do que em S&#227;o Paulo, que &#233; um dos lugares onde a presen&#231;a do PSTU &#233; mais forte -, o que fez foi rebaixar a reivindica&#231;&#227;o da categoria e vergonhosamente pedir a interven&#231;&#227;o do Tribunal de Justi&#231;a no conflito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;43 Editorial Folha de S&#227;o Paulo. 13/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;44 &#8220;Um Novo Partido?&#8221;. Emir Sader. Site &lt;a href=&#034;http://www.outrobrasil.net&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.outrobrasil.net&lt;/a&gt;. 3/06/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;45 Sobre as elei&#231;&#245;es de 2002, Bab&#225; afirma que &#8220;a vit&#243;ria de Lula significa a vit&#243;ria da classe tra-balhadora brasileira, n&#227;o &#233; a tomada do poder, a gente tem clareza disso (sic.), mas &#233; que os tra-balhadores conseguiram romper um elo de trajet&#243;ria hist&#243;rica de quinhentos anos de dom&#237;nio da burguesia&#8221;; e Luciana Genro afirma que &#8220;a vit&#243;ria eleitoral de Lula foi parte de um ac&#250;mulo de lutas e movimentos sociais de vinte anos no Brasil&#8221;. Em Felipe Demier (coord.). As transforma&#231;&#245;es do PT e os rumos da esquerda no Brasil. Rio de Janeiro. Bom Texto. 2003. Como balan&#231;o das elei&#231;&#245;es de 2004, Luciana Genro afirma que &#8220;foi uma enorme derrota, sentida por milhares de ati-vistas de esquerda, de trabalhadores petistas que ao longo de suas vidas estiveram em oposi&#231;&#227;o ao neoliberalismo&#8221;. Correspondencia de Prensa. 3/11/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;46 Segundo o &#8220;Projeto de Programa&#8221; do PSOL: &#8220;Depois de quatro disputas, Lula entregou-se aos antigos advers&#225;rios, e voltou as costas &#225;s suas combativas bases sociais hist&#243;ricas. Transformou-se num agente na defesa dos interesses do grande capital financeiro. Na esteira dessa guinada ideol&#243;gica do governo, o Partido dos Trabalhadores foi transformado em correia de transmiss&#227;o das decis&#245;es da Esplanada dos minist&#233;rios&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;47 Associa&#231;&#227;o Nacional dos Docentes do Ensino Superior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;48 Trotsky. &#8220;O ILP e a nova internacional&#8221;. 4 de setembro de 1933.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;49 Estes dados foram extra&#237;dos do site da CUT (&lt;a href=&#034;http://www.cut.org.br&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.cut.org.br&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;50 Uma pol&#237;tica minimamente revolucion&#225;ria que o PSTU deveria impulsionar seria, em base &#227; influ&#234;ncia que tem nos metal&#250;rgicos de Minas Gerais e de S&#227;o Jos&#233; dos Campos, organizar a partir destes dois p&#243;los regionais uma ala revolucion&#225;ria da CUT em permanente luta contra a CUT nacional. Quando em 1996 n&#243;s da LER-QI ainda nos constitu&#237;amos como uma ala es-querda dentro do PSTU junto com Brand&#227;o (ent&#227;o diretor do Sintusp) e espalhou-se na primeira p&#225;gina dos principais jornais do pa&#237;s uma foto de Brand&#227;o agredindo o burocrata Vicentinho (neste ent&#227;o Presidente da CUT) que havia acabado de negociar com o governo FHC a reforma da pre-vid&#234;ncia pelas costas dos trabalhadores, a dire&#231;&#227;o do PSTU fez quest&#227;o de punir Brand&#227;o soltando uma carta p&#250;blica reprimindo sua atitude, adulando e pedindo desculpas ao Presidente da CUT. Ontem e hoje a pol&#237;tica do PSTU n&#227;o consegue combater consequentemente a burocracia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;51 Dados extra&#237;dos do jornal Opini&#227;o Socialista (PSTU).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;52 No primeiro turno das &#250;ltimas elei&#231;&#245;es, chamamos o voto cr&#237;tico no PSTU porque eram can-didaturas independentes da burguesia e porque para n&#243;s seria muito importante que se expressasse nessas elei&#231;&#245;es o processo de descontentamento com o governo Lula e o PT que se desenvolve em amplos setores de vanguarda. Nosso voto foi cr&#237;tico porque opinamos que o PSTU n&#227;o levanta um programa capaz de responder &#225;s reais necessidades da classe trabalhadora no pa&#237;s. Chamamos os militantes do PSTU a refletirem hoje sobre os motivos do fracasso eleitoral. N&#227;o basta a dire-&#231;&#227;o do PSTU dizer que o n&#250;mero de votos &#8220;n&#227;o importa&#8221; para os &#8220;partidos revolucion&#225;rios&#8221;. Esse n&#250;mero expressa, ainda que de forma distorcida, a influ&#234;ncia do partido sobre a vanguarda e as massas, seu estado de &#226;nimo e o grau de desenvolvimento de sua consci&#234;ncia. Apesar de corre-tamente ter dedicado seu hor&#225;rio eleitoral para a greve dos banc&#225;rios e dos judici&#225;rios, que alter-nativa partid&#225;ria o PSTU oferece &#225;s dezenas de milhares de grevistas que combateram a burocracia cutista atrelada ao governo e ao PT? Obviamente, n&#227;o pode lutar nas assembl&#233;ias para que es-ses trabalhadores entrem para o PSTU, pois significaria uma total desmoraliza&#231;&#227;o. A dire&#231;&#227;o do PSTU n&#227;o oferece nenhuma alternativa partid&#225;ria aos milhares de grevistas, assim como n&#227;o oferece aos metal&#250;rgicos de S&#227;o Jos&#233; dos Campos e de Minas Gerais que recentemente romperam com a burocracia cutista. O PSTU diz, no Opini&#227;o Socialista n&#176; 194, que nessas elei&#231;&#245;es &#8220;s&#227;o os trabalhadores que perdem, por manterem suas ilus&#245;es no PT e na oposi&#231;&#227;o de direita&#8221;. Correto, mas &#233; hora dos revolucion&#225;rios se responsabilizarem pelos rumos e pelos ritmos da ruptura das massas e da vanguarda com o governo Lula e o PT. Chamamos os companheiros do PSTU &#224; levar suas conclus&#245;es at&#233; o final e refletir: as centenas de milhares de trabalhadores que est&#227;o mobilizados em todo o pa&#237;s, para n&#227;o falar das dezenas de milh&#245;es de insatisfeitos com o governo Lula s&#243; v&#227;o &#8220;ganhar&#8221; quando entrarem para o PSTU? O resultado eleitoral mostra que isso &#233; uma ilus&#227;o des-proporcional e n&#227;o uma pol&#237;tica revolucion&#225;ria para influenciar o movimento de massas.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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